Economia
14,25%: Fávaro propõe reformulação do seguro rural em meio aos impactos da alta da Selic

Imagem Ilustrativa
O seguro rural voltou ao centro das discussões no setor agropecuário, durante audiência na Comissão de Agricultura do Senado, nesta terça-feira (19.03). O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reconheceu que a atual política de seguro não acompanha o crescimento do setor e precisa ser reformulada. “O seguro rural ficou para trás. Precisamos encontrar uma saída para essa que é uma das maiores carências do arranjo produtivo brasileiro”, afirmou.
Uma das principais sugestões do ministro é tornar o seguro rural obrigatório para produtores que acessam o crédito agrícola. O modelo se inspira no sistema adotado nos Estados Unidos, onde não há crédito rural subsidiado como no Brasil, mas sim uma estrutura robusta de seguros que protege o produtor contra perdas. “Aqui, podemos manter o crédito, mas com a exigência do seguro, garantindo maior proteção ao produtor”, destacou Fávaro.
Além disso, a proposta prevê mudanças que tornariam o seguro mais acessível, reduzindo os custos das apólices. Estudos preliminares indicam que essa reformulação poderia levar a uma queda nos valores das apólices entre 0,9% e 1,3%, facilitando a adesão dos agricultores.
A reformulação do seguro rural está sendo debatida com seguradoras, resseguradoras, parlamentares e representantes do agronegócio. O objetivo é ampliar a cobertura e oferecer mais previsibilidade financeira aos produtores, especialmente diante dos desafios climáticos que impactam a produção agropecuária. Se a proposta for aprovada no Congresso, o novo modelo poderá trazer maior estabilidade ao setor, reduzindo impactos econômicos causados por perdas na produção e aumentando a competitividade do Brasil no mercado global.
Atualmente, o governo destina R$ 16,3 bilhões à subvenção do crédito rural, enquanto apenas R$ 1 bilhão é voltado ao seguro rural. A mudança na distribuição desses recursos poderia fortalecer a segurança financeira do setor, segundo o ministro.
SELIC – Além da questão do seguro rural, Fávaro abordou a suspensão temporária de novas contratações do Plano Safra 2024/2025, medida que só deve ser revertida após a aprovação do Orçamento da União para 2025. “Estamos sem orçamento aprovado e funcionando com 1/12 avos do orçamento de 2024. O Ministério da Fazenda está equacionando os recursos dentro desse limite”, explicou.
O Banco Central brasileiro decidiu nesta quarta-feira (19) aumentar a taxa básica de juros do país em 1 ponto percentual. A Selic foi a 14,25% ao ano implica em crédito mais caro e uma maior dificuldade para custeio, comercialização e investimentos na produção. “Esperávamos uma Selic abaixo de dois dígitos, mas com taxas entre 12,5% e 13,5%, precisamos de mais orçamento para viabilizar o Plano Safra”, disse o ministro.
A Secretaria do Tesouro Nacional determinou a suspensão de novos contratos de crédito rural com equalização de juros a partir desta sexta-feira (21), exceto para operações de custeio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Fávaro ressaltou que a falta de um orçamento aprovado no Congresso compromete as políticas de financiamento agrícola. “Nós não podemos ser irresponsáveis e continuar equalizando sem orçamento. O Congresso também precisa dar uma resposta rápida, pois sem essa votação, o Plano Safra fica comprometido”, alertou.
O ministro reforçou que espera a sensibilidade dos parlamentares para destravar a votação do Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) de 2025 e garantir a continuidade do apoio ao setor agropecuário. “O agro precisa de previsibilidade, e isso depende de planejamento e responsabilidade fiscal”, concluiu.
Fonte: Pensar Agro
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Economia
Exportações aquecidas aproximam Brasil de recorde e sustentam alta do algodão no mercado interno

Movimentacao e estoque de fardos de algodao no porto de Santos SP – Reprodução
Mesmo a poucos meses do encerramento da janela de exportação da pluma colhida em 2025, o Brasil segue com ritmo acelerado de embarques de algodão, sustentando o mercado doméstico e se aproximando de um novo recorde histórico de exportações. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o cenário externo favorável tem sido determinante para a firmeza dos preços internos.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que, em abril, o país exportou 370,4 mil toneladas de algodão, volume 6,5% superior ao registrado em março de 2026 e 54,9% acima do observado no mesmo mês de 2025. O resultado representa o maior volume já embarcado para um mês de abril, ficando apenas 18% abaixo do recorde histórico mensal, alcançado em dezembro do ano passado.
Ritmo segue forte no início de maio
Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o desempenho positivo das exportações se mantém neste início de maio, reforçando a expectativa de um fechamento de temporada com números expressivos.
Esse cenário evidencia a competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional, especialmente em um momento de demanda aquecida e preços atrativos no exterior.
Oferta restrita e preços em alta no mercado interno
No mercado doméstico, a combinação entre forte demanda externa e disponibilidade limitada de pluma — típica do período de entressafra — tem sustentado a valorização dos preços. Ainda conforme o Cepea, os vendedores seguem firmes nas negociações, resistindo a ceder nos valores pedidos.
A sustentação também vem das cotações internacionais, com destaque para a valorização da pluma destinada ao Extremo Oriente e dos contratos negociados na ICE Futures, que influenciam diretamente o mercado brasileiro.
Cenário de firmeza deve continuar no curto prazo
Com estoques reduzidos no mercado spot e exportações em ritmo elevado, a tendência é de manutenção da firmeza nos preços internos no curto prazo. O setor acompanha atentamente o comportamento da demanda global e o avanço da nova safra, fatores que devem definir os próximos movimentos do mercado.
O atual momento reforça o protagonismo do Brasil no comércio internacional de algodão e evidencia a importância do equilíbrio entre oferta e demanda para a formação de preços no mercado interno.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Economia
Brasil faz as primeiras exportações de carne e cachaça com tarifa zero

Imagem: reprodução/pensaragro
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia começou a produzir os primeiros efeitos práticos no comércio exterior brasileiro. Desde a entrada em vigor do tratado, em 1º de maio, o Brasil já iniciou exportações de carne bovina, carne de aves e cachaça ao mercado europeu com redução ou isenção de tarifas, enquanto produtos europeus começaram a chegar ao país com impostos menores.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) aprovou, até o momento, oito licenças de exportação para produtos brasileiros e seis licenças de importação para mercadorias originárias da União Europeia.
Alta de insumos ameaça elevar custo da soja
Entre os primeiros produtos europeus liberados para entrada no mercado brasileiro estão queijos, chocolates e tomates. No caso dos queijos, a redução tarifária passou a valer imediatamente dentro da cota negociada no acordo, com a alíquota caindo de 28% para 25,2%.
Já para chocolates e tomates, a diminuição das tarifas ocorrerá de forma gradual a partir de 2027. Até lá, continuam em vigor as taxas atualmente aplicadas sobre as importações.
Do lado brasileiro, os primeiros embarques autorizados incluem carne bovina fresca, carne bovina congelada, carne de aves desossada e cachaça. Segundo o governo federal, as exportações de carne de aves e da bebida brasileira entram no mercado europeu com tarifa zero dentro dos limites estabelecidos nas cotas do acordo.
Na carne bovina, o tratado ampliou o espaço para o produto brasileiro na Europa. A tradicional Cota Hilton, usada para exportação de cortes nobres, teve a tarifa reduzida de 20% para zero.
Além disso, foi criada uma nova cota de 99 mil toneladas compartilhada entre os países do Mercosul. Antes do acordo, embarques fora da Cota Hilton enfrentavam cobrança de 12,8% de tarifa mais 304,10 euros por 100 quilos exportados. Com as novas regras, a tarifa intracota caiu para 7,5%.
O governo brasileiro avalia que o acordo fortalece a presença do agronegócio nacional no mercado europeu e amplia oportunidades para exportadores de alimentos e bebidas.
Segundo o Mdic, mais de 5 mil linhas tarifárias passaram a operar com tarifa zero para produtos exportados do Mercosul à União Europeia. No sentido contrário, mais de mil linhas tarifárias do bloco sul-americano também passaram a conceder isenção para produtos europeus.
Apesar da abertura comercial, o governo destaca que as cotas representam parcela pequena do comércio bilateral, equivalente a cerca de 4% das exportações brasileiras e apenas 0,3% das importações.
Com Pensar Agro
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Economia
Agronegócio bate recorde com 28 milhões de empregos no Brasil e vagas “fora da porteira” disparam

Cadeia do agronegócio agora demanda mais profissionais qualificados em áreas administrativas e tecnológicas do que o trabalho manual no campo – Assessoria
O agronegócio brasileiro rompeu uma barreira histórica. Pela primeira vez desde que o Cepea iniciou o levantamento em 2012, o setor ultrapassou a marca de 28 milhões de pessoas empregadas, representando 26% de todos os postos de trabalho do país. O dado surpreendente revela que o “boom” de vagas não está mais no trabalho braçal, mas nos escritórios e centros de tecnologia.
Em Mato Grosso, esse fenômeno é visível no crescimento de agroserviços. Cidades como Lucas do Rio Verde e Cuiabá têm se tornado hubs de logística, consultoria jurídica e análise de dados, absorvendo a mão de obra que antes se concentrava apenas “dentro da porteira”.
Enquanto o número de trabalhadores diretos nas fazendas caiu — processo acelerado pela mecanização e inteligência artificial nas lavouras — as áreas de suporte dispararam. De acordo com a pesquisadora Nicole Rennó Castro (Esalq/USP), o agro hoje emprega desde contadores e advogados até especialistas em marketing e desenvolvedores de software.
“O agro não está só na fazenda. Ele está na análise de estoque, no gerenciamento de frotas e na exportação”, explica Veronei Alves, diretor executivo de uma unidade de processamento de soja. Somente no último ano, empresas do setor chegaram a aumentar seu quadro de funcionários em 40%, focando exclusivamente em áreas de maior qualificação e ensino superior.
Tecnologia: Analistas de dados para monitoramento de insumos e safras;
Logística: Gestores de armazenamento e exportação para mercados na Ásia e Europa;
Administrativo: Advogados e contadores especializados em legislação agrária e tributária.
O estado, que é o maior produtor de grãos do país, lidera essa transformação. A verticalização da produção — onde a soja e o milho são processados e comercializados no próprio estado — cria uma demanda contínua por profissionais de TI e comércio exterior.
Para os especialistas, este é um caminho sem volta que assemelha o Brasil às maiores potências agrícolas do mundo. A eficiência no campo agora depende diretamente da eficiência nos escritórios, tornando o agronegócio a maior engrenagem de empregos qualificados do país em 2026.
Você já pensou em trabalhar no agronegócio sem precisar sair da cidade? Como você vê essa transformação tecnológica mudando as oportunidades de carreira aqui na nossa região?
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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