Agricultura
Avanço da colheita pressiona preços do milho no mercado interno

CNA/ Wenderson Araujo/Trilux
Os preços do milho registraram queda na última semana na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. Segundo pesquisadores da instituição, a pressão sobre os preços resulta do avanço da colheita, que está ocorrendo em um ritmo mais acelerado do que no ano anterior. Esse aumento na oferta tem impactado as cotações do milho, mesmo com as negociações no mercado spot sendo lentas.
Ainda que muitos produtores estejam começando a aumentar o volume de milho disponibilizado, uma parte deles continua cautelosa devido aos possíveis impactos do clima adverso sobre as lavouras. Esta cautela limita a oferta no mercado e mantém uma certa resistência à queda mais acentuada dos preços. Por outro lado, do lado da demanda, os consumidores estão utilizando os lotes negociados antecipadamente ou priorizando o uso de estoques existentes, comprando apenas pequenas quantidades no mercado spot à espera de novas desvalorizações.
Essa combinação de fatores – oferta cautelosa devido ao clima e demanda restrita pela espera de melhores preços – tem contribuído para a queda nos preços do milho, refletindo um mercado em transição entre a colheita e a plena oferta. Os colaboradores consultados pelo Cepea indicam que essa tendência de desvalorização pode continuar conforme o progresso da colheita e a resposta dos mercados ao volume colhido.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
Temor de El Niño pode reduzir em mais de 30% área de cevada no RS

Divulgação
A possibilidade de retorno do fenômeno El Niño já impacta o planejamento da safra de cevada no Rio Grande do Sul. Segundo projeções da Emater/RS-Ascar, a área cultivada com a cultura no estado pode sofrer redução superior a 30% em 2026, mesmo com a oferta de contratos de integração e comercialização por parte das maltarias.
O principal motivo da retração é a preocupação dos produtores com os efeitos do excesso de chuvas sobre a produtividade e, principalmente, a qualidade dos grãos. Em anos de El Niño, as precipitações acima da média durante fases decisivas do cultivo podem comprometer padrões exigidos pela indústria de malte e reduzir o valor comercial da produção.
Na safra passada, o estado cultivou 32.010 hectares de cevada e registrou produtividade média de 3.622 quilos por hectare. Caso a projeção se confirme, a área plantada deverá ficar próxima de 22 mil hectares. A região de Erechim, principal polo produtor gaúcho, pode registrar queda superior a 35%, com menos de 6 mil hectares semeados.
Apesar das incertezas climáticas, as lavouras já implantadas apresentam desenvolvimento considerado satisfatório. De acordo com a Emater/RS-Ascar, a emergência das plantas ocorreu dentro do esperado e as condições vegetativas iniciais são positivas, embora o comportamento do clima nos próximos meses seja determinante para o resultado da safra.
Estratégica para o abastecimento da indústria de malte e da produção de cerveja, a cevada tem papel importante no agronegócio brasileiro. Na região de Erechim, a saca de 60 quilos está cotada em cerca de R$ 80. O mercado acompanha com atenção a evolução da semeadura e das condições climáticas, que poderão influenciar tanto a produção quanto a qualidade dos grãos colhidos.
Redação RDM Online
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
Nova regra amplia horário de desconto em energia para produtores que usam irrigação

Divulgação
O Governo do Brasil assinou, nesta segunda-feira, 8 de junho, uma portaria que amplia a flexibilidade para utilização dos descontos na conta de energia elétrica destinados à irrigação e à aquicultura. A medida, que dá cumprimento à Lei nº 15.235/2025, beneficia produtores rurais que utilizam sistemas de irrigação e dependem da energia elétrica para bombear e distribuir água nas lavouras. A medida foi apresentada durante o Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA).
Na prática, os irrigantes poderão escolher com mais liberdade os horários em que utilizarão a energia com desconto. Antes, o desconto era aplicado em uma faixa mais restrita, concentrada principalmente no período da noite e da madrugada (22h às 6h). Com a nova regra, o benefício poderá ser usado por 8 horas e 30 minutos por dia, de forma contínua ou fracionada, dentro de uma janela maior: das 21h30 às 17h do dia seguinte, conforme as necessidades da produção.
Com isso, quem irriga pode organizar melhor o funcionamento dos equipamentos conforme a necessidade da lavoura, em horários como o início da manhã ou à noite. A mudança também ajuda o sistema elétrico a aproveitar melhor a energia disponível ao longo do dia.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que assinou a portaria, destacou que a medida é especialmente importante para regiões irrigadas, como o oeste da Bahia, diante dos efeitos das mudanças climáticas.
Se há 35 anos a irrigação era importante, imagine hoje, com as mudanças climáticas. Quando chove, chove demais; quando faz seca, faz seca demais. E a irrigação é o instrumento mais importante para isso”, ressaltou Alckmin.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também presente ao evento, disse que a portaria moderniza uma política importante para o setor produtivo. “Estamos garantindo mais liberdade para que irrigantes e aquicultores utilizem a energia elétrica nos horários mais adequados à sua produção, sem perder o benefício tarifário”, ressaltou.
A mudança permite que o produtor adapte a irrigação aos momentos mais adequados para cada cultura e às condições climáticas locais, como durante a madrugada ou nas primeiras horas da manhã, quando há menor evaporação da água e maior eficiência na irrigação. Além de contribuir para a produtividade agrícola, a medida também favorece o uso mais racional da energia elétrica, evitando a concentração do consumo nos horários de pico do sistema elétrico.
A expectativa é que a flexibilização aumente a eficiência da agricultura irrigada, reduza custos operacionais e fortaleça a segurança alimentar, ao permitir que a produção agrícola utilize de forma mais eficiente dois recursos essenciais: água e energia.
A ampliação da flexibilidade energética reforça a importância do planejamento integrado entre os setores de recursos hídricos, energia e produção agrícola.
Nesse contexto, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) desempenha papel estratégico na promoção da segurança hídrica do País. Por meio da regulação do uso dos recursos hídricos de domínio da União, da emissão de outorgas, do monitoramento hidrológico e do acompanhamento das condições de disponibilidade hídrica; a Agência contribui para que a expansão da irrigação ocorra de forma sustentável e compatível com os múltiplos usos da água.
A atuação da ANA permite que políticas públicas voltadas à irrigação sejam implementadas com base em critérios técnicos e em informações atualizadas sobre a disponibilidade dos recursos hídricos, contribuindo para a segurança de produtores, usuários e da população.
A agricultura irrigada é uma das principais atividades econômicas dependentes da água no Brasil e exerce papel fundamental na produção de alimentos, na geração de emprego e renda e na segurança alimentar da população.
Integração
A diretora-presidente interina da ANA, Larissa Rêgo, participou do evento de assinatura da Portaria, ao lado do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e demais autoridades. Durante o encontro, Larissa Rêgo falou sobre como a nova regulamentação representa um avanço na integração entre as políticas de recursos hídricos, energia e desenvolvimento regional.
“A irrigação é uma ferramenta estratégica para a segurança alimentar, a geração de renda e o desenvolvimento regional. A ampliação dessa flexibilidade energética permite que os produtores utilizem a água e a energia de forma mais eficiente, respeitando as características de cada cultura e de cada região. A ANA contribui para esse processo ao fortalecer a gestão dos recursos hídricos e fornecer a segurança necessária para que políticas como essa sejam implementadas de forma sustentável e responsável”, explicou a diretora.
Larissa também destacou a importância da articulação entre diferentes órgãos do governo federal para a construção de soluções voltadas ao fortalecimento da agricultura irrigada. “Essa é uma agenda que conecta água, energia, produção de alimentos e desenvolvimento. Ao longo dos últimos anos, tive a oportunidade de contribuir com esse debate e acompanhei a construção de soluções que conciliam segurança hídrica, eficiência produtiva e sustentabilidade. O resultado é uma medida que beneficia os produtores e fortalece a capacidade do País de produzir mais alimentos com responsabilidade no uso dos recursos naturais”, finalizou Larissa.
A medida tem impacto especialmente relevante em regiões com forte presença da agricultura irrigada, como o Oeste da Bahia, um dos principais polos agrícolas do País, com mais de 400 mil hectares irrigados. (com Assessoria)
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
Cotações Agropecuárias: Liquidez do soja se aquece neste começo de junho

Imagem: Magnific
Pesquisadores do Cepea apontam que a liquidez no mercado brasileiro de soja está elevada neste início de junho, influenciada pelo forte ritmo das exportações e pela demanda aquecida por parte da indústria doméstica de processamento.
Esse cenário, segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas, limitou quedas mais expressivas nos preços da oleaginosa, mesmo diante da safra recorde colhida no Brasil e das perspectivas favoráveis para a oferta global, com o avanço da colheita na Argentina e a semeadura nos Estados Unidos.
Os números das exportações evidenciam a força da demanda pela soja brasileira. Dados da Secex mostram que o Brasil exportou 14,82 milhões de toneladas do grão em maio. Embora o volume tenha recuado 11,5% em relação a abril, houve crescimento de 5,1% em relação ao de maio de 2025. De janeiro a maio, os embarques são recordes para o período.
No campo, produtores brasileiros se preparam para o período de vazio sanitário da soja, medida fitossanitária destinada ao controle da ferrugem asiática. Nos Estados Unidos, o USDA informou que, até o encerramento de maio, a semeadura da safra 2026/27 alcançou 87% da área prevista, acima da média de 80% observada nos últimos cinco anos.
Na Argentina, a Bolsa de Cereales indicou que a colheita da soja atingiu 91,7% da área cultivada. Diante da boa produtividade, a estimativa da safra argentina segue mantida em 50,1 milhões de toneladas.
A safra brasileira de laranja 2025/26 entra na reta final, e, para 2026/27, pesquisadores do Cepea indicam que o principal desafio deixa de ser a oferta e passa a ser a demanda. Mesmo diante da expectativa de menor produção brasileira de fruta em 2026/27, o ritmo das exportações de suco continua limitado, especialmente para a Europa, indicando uma recuperação ainda lenta do consumo global.
De julho de 2025 a maio de 2026, o Brasil exportou 749,1 mil toneladas de suco em equivalente concentrado (66° Brix), volume apenas 2,8% superior ao da temporada anterior, segundo dados da ComexStat.
Pesquisadores do Cepea destacam que o crescimento modesto dos embarques contrasta com a forte retração de 27,6% da receita cambial, resultado que reflete a expressiva queda de quase 30% dos preços internacionais ao longo da safra.
Os EUA ampliaram sua importância para o setor e consolidaram-se como principal suporte das exportações brasileiras. A participação norte-americana na receita total das vendas externas da safra 2025/26 passou de 39% para 44%, enquanto a fatia da União Europeia caiu de 51% para 47%.
Segundo pesquisadores do Cepea, o movimento evidencia a dificuldade de recuperação da demanda europeia, historicamente o principal destino do suco brasileiro. Além da questão da demanda, o mercado passou a acompanhar com atenção as recentes discussões tarifárias nos Estados Unidos.
Para a safra 2026/27, pesquisadores do Cepea destacam que o mercado internacional dependerá não apenas da recuperação da demanda europeia e norte-americana, mas também da definição do ambiente regulatório e tarifário dos Estados Unidos, que ganhou relevância estratégica para o setor ao longo desta safra.
Com Cepea
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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