Agricultura
Tecnologia – Ensaios mostram que novo inseticida tem desempenho eficaz sobre ‘ninfas’ e potencializa controle da cigarrinha-do-milho

Estudos concluíram que o ativo buprofezina eleva índice de controle da praga e transfere rendimento de 100 sacas a 124 sacas por hectare, afirma companhia – Fotos: Reprodução
Profissional da área técnica da gaúcha CCGL, sistema cooperativo formado por 30 associadas, o entomologista e pesquisador Glauber Renato Stürmer liderou estudos centrados na aplicação do novo inseticida Fiera®, da Sipcam Nichino, no controle da cigarrinha-do-milho (Daubulus maidis). Considerada o principal problema fitossanitário do cereal, a ‘cigarrinha’ é capaz de ‘derrubar’ plantas em decorrência do ‘enfezamento’, uma das doenças transmitidas pela praga à cultura e objeto dos ensaios.
De acordo com a Sipcam Nichino, as análises envolveram a participação da companhia e ocorreram em lavouras do Rio Grande do Sul, ao longo da safra 2023-24. Foram avaliadas diferentes estratégias de manejo da praga, todas ancoradas no inseticida Fiera®, segundo destaca o engenheiro agrônomo José de Freitas, da área de desenvolvimento de mercado da companhia.
Conforme Freitas, a ação de Fiera® reduziu, em escala relevante, a população da praga. Na média dos resultados mais expressivos, a produtividade obtida se situou entre 6,318 mil quilos por hectare a 7,445 mil kg/ha. “A pesquisa entregou rendimentos entre 100 sacas e 124 sacas por hectare, altamente significativos, em face da proporção de riscos às lavouras decorrente da gravidade do ataque da cigarrinha, transmissora do enfezamento e de viroses.”
Para Freitas, Fiera® conta com característica única: o controle eficaz da fase ‘ninfa’ da cigarrinha – potencialmente mais danosa ante o enfezamento -, além de agir na fertilidade e fecundidade de fêmeas da praga, que em contato com o produto depositam menos ovos, a maioria destes infértil. O manejo da ninfa, até há pouco não era prioridade. “Tratamentos visavam somente a insetos já na forma adulta, sem focar na quebra do ciclo da praga de forma ampla.”
“Ninfas adquirem e portam fitopatógenos transmissores do enfezamento. Por isso, monitorar a lavoura se impõe como medida estratégica nos dias de hoje”, prossegue Freitas. A cigarrinha, ele diz, detém alta capacidade de ‘oviposição’, da ordem de 300 ovos por indivíduo, em média, podendo chegar até a 600.
O novo Fiera®, segundo o agrônomo, tem por ingrediente ativo a buprofezina 250 (SC) e foi testado e validado nas principais instituições de pesquisa do Brasil. “Apresenta ação de contato, vapor e afeta todos os estágios do ciclo de vida da cigarrinha-do-milho, assim como desencadeia um processo de supressão de populações futuras”, além de ser altamente seletivo aos inimigos naturais”, adianta Freitas.
Criada em 1979, a Sipcam Nichino resulta da união entre a italiana Sipcam, fundada em 1946, especialista em agroquímicos pós-patentes e a japonesa Nihon Nohyaku (Nichino). A Nichino tornou-se a primeira companhia de agroquímicos do Japão, em 1928, e desde sua chegada ao mercado atua centrada na inovação e no desenvolvimento de novas moléculas para proteção de cultivos.
Fernanda Campos
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
RS institui Plano Estadual para Qualificação e Desenvolvimento Estratégico da Cadeia Produtiva da Erva-mate

Plano tem como objetivo fortalecer e desenvolver todos os elos da cadeia produtiva da erva-mate – Foto: Tiago Fick
O Governo do Estado do Rio Grande do Sul publicou, na segunda-feira (29/12), o Decreto nº 58.554, que institui o Plano Estadual para Qualificação e Desenvolvimento Estratégico da Cadeia Produtiva do Mate Gaúcho – Planimate-RS. A medida, assinada pelo governador Eduardo Leite, tem como objetivo fortalecer e desenvolver todos os elos da cadeia produtiva da erva-mate, tradicional produto gaúcho.
O plano será coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), que poderá atuar em parceria com instituições públicas e privadas. Entre os instrumentos previstos estão o Cadastro Florestal Estadual, o Sistema de Defesa Agropecuária, fundos de desenvolvimento, Câmaras Setoriais, monitoramento de pragas, pesquisa florestal, extensão rural e programas de qualidade e valorização da erva-mate.
Os objetivos do Planimate-RS incluem o fortalecimento institucional, manutenção de sistemas de informação, incentivo à agricultura familiar, promoção de boas práticas agrícolas e industriais, pesquisa e inovação, fomento ao consumo da erva-mate, desenvolvimento de mercados interno e externo, além da captação de recursos para o setor.
A gestão do plano será feita por três comitês: Desenvolvimento, Cultura e Institucional, cada um com representantes de instituições ligadas à cadeia produtiva. O decreto prevê ainda revisões periódicas do plano, garantindo sua atualização e adequação às demandas do setor.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
Produção menor de mandioca e preços mais estáveis devem marcar 2026

Reprodução
Após dois anos marcados por aumentos expressivos da área cultivada com mandioca no Brasil – sobretudo nos estados com maior concentração de indústrias processadoras –, o setor deve entrar em uma fase de ajuste em 2026.
Segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o avanço da colheita de raízes de primeiro ciclo observado em determinados períodos de 2025, aliado à expectativa de produtividade mais baixa, tende a alinhar melhor a oferta de matéria-prima à demanda industrial. Esse movimento deve resultar em menores oscilações de preços ao longo do ano.
Estimativas preliminares do IBGE indicam que a produção brasileira de mandioca deve somar cerca de 20 milhões de toneladas em 2026, queda de 2,5% sobre o ano anterior, refletindo reduções de 1,7% na área a ser colhida, para 1,26 milhão de hectares, e de 0,8% na produtividade média nacional, calculada em 15,7 toneladas por hectare.
Pesquisadores do Cepea destacam que, a partir de 2026, a relação entre produtores e fecularias deve passar por ajustes mais significativos. Um número crescente de indústrias tende a exigir que a colheita seja realizada exclusivamente com mão de obra formalizada. Essa mudança implica aumento de custos para os produtores, compensado parcialmente por bonificações no preço pago pela raiz.
No entanto, a adesão a esse novo modelo ainda é limitada, o que pode gerar tensões adicionais na comercialização. Nos últimos anos, a rentabilidade da mandiocultura vem sendo pressionada, em função do aumento dos custos de produção.
Pesquisadores do Cepea indicam que juros elevados e maior restrição ao crédito também tendem a afetar negativamente a atividade, reduzindo investimentos em tecnologia e manejo, com reflexos potenciais sobre a produtividade e, no médio prazo, sobre a área cultivada.
Preliminarmente, os institutos indicam condições climáticas mais equilibradas para 2026, sem a influência direta de fenômenos como El Niño ou La Niña.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agricultura
2026 deve ser mais um ano desafiador para a citricultura

Foto: SEAB/PR
O ano de 2026 tende a se configurar como um dos mais desafiadores para a citricultura nacional. Pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, indicam que, embora a safra 2025/26 apresente um bom volume de produção, o potencial produtivo vem sendo parcialmente comprometido pelas elevadas quedas de frutos, decorrentes dos avanços do greening e do cancro, e por clima desfavorável em etapas importantes do desenvolvimento da temporada.
Ao mesmo tempo, o mercado enfrenta um cenário de demanda mais lenta por suco de laranja na Europa, o que tem dificultado as negociações da commodity nos atuais patamares de preços. Com o ritmo mais fraco das vendas, os estoques de suco tendem a se recompor nas processadoras, reduzindo a urgência da indústria em adquirir novas cargas de fruta.
Nesse contexto, pesquisadores do Cepea relatam que a disputa entre vendedores de suco e compradores é intensificada, enquanto a indústria adota uma postura mais cautelosa nas compras, repassando a pressão do mercado aos valores pagos aos produtores.
Do lado da oferta, a safra 2025/26 deve somar pouco menos de 300 milhões de caixas de 40,8 kg. Ainda assim, a temporada tem contribuído para a recomposição dos estoques, já que, apesar de mais tardia, apresentou frutas de boa qualidade.
Para a safra 2026/27, preocupa a persistência de doenças como o greening e o cancro cítrico, que seguem elevando os custos de produção e limitando os ganhos de produtividade. No que diz respeito ao desenvolvimento da safra 2026/27, o clima mais heterogêneo entre as regiões tende a resultar em condições bastante distintas entre as praças produtoras, sobretudo no que se refere à primeira florada.
A segunda florada, por sua vez, vem ocorrendo em condições melhores na maior parte das regiões e pode, mais uma vez, tornar a temporada mais tardia, como observado em 2025/26.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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