Agronegócio
Safra global recorde de trigo deve ampliar estoques e influenciar mercado brasileiro

Reprodução
A produção mundial de trigo na safra 2025/2026 deve alcançar um novo recorde, superando em mais de 42 milhões de toneladas o volume registrado na temporada anterior. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, com base em dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que apontam um cenário de ampla oferta no mercado internacional.
Segundo as estimativas, a safra global de trigo deve atingir 842,17 milhões de toneladas, enquanto o consumo mundial está projetado em 823,9 milhões de toneladas. Esse descompasso entre produção e demanda tende a resultar em elevação dos estoques finais, além de aumentar a relação estoque/consumo, indicador amplamente utilizado para medir o grau de conforto da oferta no mercado global. Para os pesquisadores do Cepea, esse contexto reforça um ambiente de pressão sobre os preços internacionais, especialmente diante da expectativa de maior disponibilidade do cereal.
No Brasil, o cenário segue uma dinâmica distinta, mas ainda assim conectada ao movimento global. Mesmo com uma oferta nacional menor, a combinação entre queda no consumo interno e redução das exportações deve levar a um aumento significativo dos estoques. De acordo com análises do Cepea, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estoque de passagem previsto para julho de 2026 deve alcançar o maior patamar desde julho de 2019, reforçando a sensação de oferta confortável no mercado doméstico.
A produção brasileira de trigo em 2025 foi estimada em 7,873 milhões de toneladas, volume 1,1% inferior à projeção divulgada em dezembro e 0,2% abaixo do registrado em 2024. Apesar da leve retração produtiva, o enfraquecimento da demanda e o menor ritmo dos embarques externos tendem a compensar essa redução, mantendo o mercado abastecido ao longo do próximo ciclo.
Diante desse panorama, o mercado de trigo segue atento aos desdobramentos da safra global recorde e aos ajustes internos no Brasil. A expectativa, conforme análise do Cepea, é de que o comportamento dos preços continue fortemente influenciado pelo nível elevado dos estoques internacionais e pela dinâmica do consumo doméstico, em um cenário que exige cautela por parte de produtores e agentes da cadeia.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Custo de produção da soja em Mato Grosso sobe 0,54%

foto: Só Notícias/arquivo
O custo de produção da soja da safra 2026/27, com custeio estimado em R$ 4.201,32/hectare, alta de 0,54% frente à divulgação de dezembro, puxada pelo aumento de 3,04% nas despesas com defensivos agrícolas, estimadas em R$ 1.388,63/ha, informa o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). Quanto ao Custo Operacional Efetivo (COE), a projeção é de R$ 5.879,32/hectare, acréscimo de 0,36% ante o mês anterior. Diante do cenário de aumento nos custos para a próxima temporada, o produtor deve manter atenção ao Ponto de Equilíbrio (P.E). Desse modo, considerando a produtividade média dos últimos três anos de 60,45 saca/hectare, para cobrir as despesas do custo operacional, o ponto equilibro da safra indica que o produtor precisará vender a soja por, no mínimo, R$ 97,25/saca.
Atualmente, segundo o IMEA o preço médio comercializado da safra 26/27 em Mato Grosso é de R$ 104,99/saca, representando 7,95% acima do necessário para cobrir as despesas. Por fim, para cobrir o COE, a produtividade necessária é de R$ 53,48 saca/hectare, alta de 0,57% frente a novembro.
Só Notícias
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Custeio da safra de milho em Mato Grosso aumenta 2,5%

foto: arquivo/assessoria
O mais recente levantamento do custeio da safra de milho, no Estado, divulgado esta semana, pelo IMEA, consolidou o custeio da safra 25/26 de milho em R$ 3.319,51/hectare, alta de 2,56% frente à safra anterior. Esse movimento é influenciado pelo aumento das despesas com sementes (1,91%) e fertilizantes (5,93%), estimadas em R$ 777,49/ha e R$ 1.421,89/hectare, respectivamente, em função da elevação do dólar em 2025 e do encarecimento da produção industrial.
Os gastos com defensivos apresentaram incremento anual de 0,25%, totalizando R$ 737,78/hectare. Nesse contexto, o COE (custo operacional efetivo) consolidou-se em R$ 4.806,17/hectare (4,22%) e o COT (custo oficial total) foi projetado em R$ 5.394,08/ha (4,80%). Considerando a produtividade estimada de 116,61 sacas/hectare, o ponto de equilíbrio indica valores necessários de R$ 41,22/saca, R$ 46,26/saca e R$ 57,68/saca para a cobertura do COE, COT e custo total, respectivamente.
Nesse contexto, o preço médio comercializado da safra 25/26 em dezembro, de R$ 45,95/saca, permite a cobertura do COE, porém permanece abaixo do exigido para cobrir o custo operacional e o custo total, reforçando o papel do planejamento comercial na viabilidade econômica da safra 25/26.
Só Notícias
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Dia Mundial do Queijo: o sabor artesanal brasileiro que conquista o mercado

Foto: Aires Carmen Mariga/Epagri/Ilustração
Um dos alimentos mais antigos, versáteis e presente na cultura alimentar de diferentes povos, o queijo é celebrado mundialmente no dia 20 de janeiro. Nos últimos anos, o alimento brasileiro tem ganhado reconhecimento no exterior em premiações internacionais, destacando o Brasil como produtor de queijos de qualidade.
No Pará, o queijo do Marajó da Fazenda São Victor coleciona mais de 10 prêmios em concursos nacionais e internacionais. Em 2019 os produtores conquistaram medalha de prata no Mondial du Fromage et des Produits Laitiers, na França e, em 2021, trouxeram a medalha de bronze na mesma competição. No ano passado, conquistaram a medalha de ouro no VIII Prêmio Queijo Brasil, além de destaques em outras categorias.
“Quando um queijo artesanal é premiado, gera confiança imediata no consumidor e no mercado, porque mostra que aquele produto atende a critérios rigorosos de qualidade e excelência”, comenta Cecília Pinheiros, produtora da queijaria da Fazenda São Victor, em Salvaterra, na ilha de Marajó (PA).
Feito de leite de búfala, com sabor único e carregando a tradição de mais de 200 anos de produção, o queijo do Marajó recebeu o registro de Indicação Geográfica (IG) em 2021. O registro, expedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), reconhece sete municípios produtores. Além disso, a iguaria foi reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial do Pará e recebeu o Selo Arte, emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que permite a comercialização interestadual.
“Esse reconhecimento da IG destacou o saber fazer dos produtores, o trabalho das famílias e a relação profunda com o território, fortalecendo a identidade e a origem do queijo do Marajó. Já o título foi muito importante porque afirma que o queijo faz parte da identidade cultural do Estado, que precisa ser preservada”, avalia Cecília.
A coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro da Unidade de Inovação do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht, afirma que as Indicações Geográficas são muito importantes para posicionar de forma diferenciada no mercado os queijos artesanais brasileiros.
Segundo ela, o acordo comercial Mercosul – União Europeia vai formalizar a proteção de várias IGs de queijos artesanais nesses dois blocos econômicos, como na Europa o Grana Padano, o Parmegiano Reggiano, o Conté, entre outros, e, no Brasil, o Canastra e o Serro.
“Vamos reconhecer a importância de proteger e promover os ativos intangíveis dos nossos queijos: a história de cada território, o saber-fazer tradicional com fatores naturais definindo o sabor, a textura e a qualidade”
Ela explica que o consumidor brasileiro já tem contato com os queijos das IGs europeias por meio de uma prática, de uso de nomes de produtos associados a regiões específicas, que não poderá ser continuada após o acordo de livre comércio. “Neste aspecto foi importante para trazer o conceito para o Brasil, ou seja, o uso da terminologia “tipo” – tipo Parmesão, tipo Gorgonzola, tipo Roquefort, tipo Feta, entre outros”, acrescenta.
Gostinho do Nordeste
No Brasil a produção de queijos artesanais reflete a diversidade do país de norte a sul, sendo produzidos predominantemente por pequenos produtores rurais e suas famílias, tendo grande importância econômica, cultural e social. Em cada região do país, observa-se a presença de diferentes tipos de queijos, com distintos processos de produção e receitas.
“A inovação tem viabilizado muitas melhorias incrementais na produção dos queijos artesanais que não descaracterizam o produto tradicional, mas garantem a segurança do alimento, ampliam a produtividade e colocam no mercado produtos com maior valor agregado”, enfatiza Hulda Giesbrecht.
Na região do Seridó, interior do Rio Grande do Norte, pequenos produtores de queijo de manteiga de Caicó se uniram para buscar o reconhecimento como Indicação Geográfica. Com apoio do Sebrae, foi criada a Amaqueijo (Associação dos Produtores de Queijo do Seridó) em 2022. Foi o primeiro passo para entrada do pedido no INPI, que se realizou em outubro do ano passado.
A produção do queijo de manteiga de Caicó é um ícone do Seridó potiguar que atravessa gerações. O Sebrae tem atuado junto aos produtores locais, oferecendo consultoria para melhorar a qualidade do leite, adotar boas práticas de produção e regularizar as queijeiras. A conquista do Selo Arte também é sonho dos pequenos produtores para vender para todo o Brasil.
“O nosso queijo é produzido há mais de 40 anos com uma tradição de nossos pais e avós, que foi se perdendo no tempo. Nos últimos três anos, começamos um trabalho de resgate da forma que era feito tradicionalmente na nossa região. Com isso, conseguimos apoio para nos regularizar. Começamos a participar de concursos e conquistar medalhas”, conta Isaías Fernandes (conhecido como Didi), presidente da Amaqueijo e produtor da Queijeira do Zaca, de São João do Sabugi.
A queijaria já conquistou, entre outros prêmios, a medalha de ouro no 6º Prêmio Queijo Brasil como melhor queijo de manteiga e medalha de bronze na categoria queijo manteiga ancestral.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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