SOJA
Mercado aquecido e clima adverso ameaçam oferta de soja

FOTO: WENDERSON ARAUJO/TRILUX
A colheita da soja 2024/25 está praticamente encerrada no Brasil, com mais de 95% da área já colhida. Mas, apesar de o país estar diante de uma safra recorde, o mercado começa a demonstrar preocupação com a disponibilidade do grão nos próximos meses. Especialistas alertam que a combinação entre perdas climáticas e demanda acelerada pode levar a um cenário de oferta apertada mais cedo do que se imaginava.
Segundo estimativas da Conab, o Brasil deve colher 167,9 milhões de toneladas nesta temporada – volume historicamente elevado, mas abaixo do que se previa no início do ciclo. A maioria das consultorias projetava uma safra superior a 170 milhões de toneladas. A quebra, causada principalmente por irregularidades climáticas em estados como Rio Grande do Sul, Piauí e Mato Grosso do Sul, surpreendeu o mercado.
A expectativa era de uma super safra, mas os dados de produtividade, especialmente no Sul do país, derrubaram os números. A colheita vai terminando com perdas importantes e o mercado já trabalha com estimativas abaixo de 165 milhões de toneladas, apontam analistas.
Ao mesmo tempo, a demanda pela soja brasileira segue firme. A China, maior compradora mundial, tem reforçado sua presença nos portos brasileiros diante da guerra comercial com os Estados Unidos. A concentração das compras por parte dos chineses já pressiona a oferta interna.
Os line-ups (fila de embarques) para exportação estão mais de 20% acima do registrado no mesmo período do ano passado. A soja brasileira segue com forte procura externa, e o Brasil já comprometeu um volume recorde com exportações. Consultorias estimam que o país poderá exportar entre 106 e 109 milhões de toneladas nesta temporada, puxado principalmente pelo apetite chinês.
No mercado interno, a demanda também cresce. A previsão é de que o consumo doméstico suba de 55,1 milhões para 57,5 milhões de toneladas, impulsionado por uma maior demanda por farelo e óleo, inclusive para exportação. A suspensão das atividades da maior processadora argentina, a Vicentin, aumenta ainda mais o protagonismo do Brasil no fornecimento de derivados.
Com isso, os estoques finais previstos devem ficar bastante ajustados. Estimativas apontam para algo em torno de 3 a 4,5 milhões de toneladas ao fim do ciclo – número considerado apertado diante do volume total movimentado no mercado. Em 2023/24, com uma safra menor, os estoques finais ficaram em 1,64 milhão.
Os prêmios de exportação seguem positivos, inclusive para contratos de entrega no início de 2026. Esse cenário abre espaço para operações de barter e antecipação de compras de insumos, o que tem sido orientado por consultores para garantir melhores condições de troca.
Contudo, o mercado monitora com cautela os rumores de uma possível reaproximação comercial entre Estados Unidos e China. Um eventual acordo pode redistribuir parte da demanda mundial, reduzindo a pressão sobre os estoques brasileiros. Por ora, porém, a dependência da China segue elevada: cerca de 77% das exportações brasileiras de soja já embarcadas este ano foram destinadas ao país asiático – acima dos 71% registrados no mesmo período do ano passado.
Para a indústria brasileira, o risco é real. Com margens de esmagamento ainda atrativas, as processadoras vêm disputando soja com o mercado externo. Desde janeiro, a indústria tem pago valores acima da paridade de exportação em algumas regiões, refletindo a escassez percebida no mercado físico.
Analistas também fazem um alerta sobre a estratégia adotada por parte da indústria de postergar compras para o segundo semestre. “Essa tática pode sair caro. Em ciclos anteriores, a aposta em preços mais baixos acabou se revertendo em compras emergenciais com valores bem acima da média. O cenário atual é parecido: alta demanda, oferta ajustada e risco de falta de produto”, analisam.
Apesar de o Brasil estar colhendo a maior safra de sua história, a combinação entre quebras regionais, exportações aquecidas e consumo interno em alta desenha um cenário desafiador. A disponibilidade de soja para o segundo semestre já preocupa, e produtores, indústrias e exportadores devem se preparar para uma comercialização mais competitiva nos próximos meses.
(Com Pensar Agro)
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
SOJA
Esmagamento de soja em Mato Grosso cresce 2% e tendência é de alta em 2026, diz instituto

foto: arquivo/assessoria
Mato Grosso esmagou, em dezembro, 1,10 milhão de toneladas de soja, alta de 9,02% frente a dezembro de 2024. O acumulado de esmagamento em 2025 cresceu 2,58% ante o ano anterior e ficou 15,44% acima da média dos últimos cinco anos, totalizando 13,01 milhões de toneladas processadas. Para este ano, o IMEA projeta que o esmagamento de soja continue em alta, alcançando 13,24 milhões de toneladas.
Esse avanço foi impulsionado, principalmente, pela ampliação da capacidade de esmagamento das indústrias no estado, que cresceu 4,21% em relação a 2024. Além disso, a maior demanda por óleo de soja em Mato Grosso, decorrente do aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel para 15% em agosto passado também contribuiu para o resultado. Quanto à margem bruta de esmagamento, em 2025 ficou em média a R$ 549,53/toneladas, alta de 31,88% frente a 2024, sustentada pela valorização do óleo de soja, que aumentou 27,37% no comparativo anual.
Só Notícias
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
SOJA
Sojicultores de MT têm até 15 de fevereiro para cadastrar área no Indea

Na safra 2024/2025, foram cadastradas no Indea 16.319 unidades de produção de soja – Foto por: Cleverson Rodrigues- FEDAF – Eng. Agrônomo – ULE de Nova Bandeirantes
Os sojicultores de Mato Grosso têm até 15 de fevereiro para realizar o cadastramento das unidades de produção no Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea). O cadastro é obrigatório, podendo ser realizado pela internet por meio do Sistema de Defesa Sanitária Vegetal (Sisdev). Outra opção para fazer o cadastramento é o produtor de soja ir pessoalmente até uma das 141 unidades do Indea ou contar com apoio das unidades via WhatsApp.
Para o cadastramento, é preciso informar o total de área plantada, localização geográfica, a variedade cultivada, dentre outras informações. Quem não se cadastrar, dentro do prazo legal, fica sujeito à aplicação de multa de 10 Unidades Padrão Fiscal (UPFs), cujo valor em janeiro está R$ 2.543,60.
Na safra 2024/2025, foram cadastradas 16.319 unidades de produção de soja, o que corresponde a 8.993 produtores de soja que totalizaram mais de 11,3 milhões de hectares de área plantada. Esses dados são publicamente disponibilizados ao cidadão por meio do link “Áreas de Plantio por Safra”.
Até a presente data (26/01) já se encontram cadastradas junto ao Indea um total de 8.175 Unidades de Produção, o que corresponde a aproximadamente sete milhões de hectares já declarados por 4.697 sojicultores.
Luciana Cury | Indea
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
SOJA
Soja 2025/26: início da colheita confirma otimismo, mas vendas seguem lentas

Foto: Pixabay
A temporada 2025/26 de soja já teve início nas lavouras do norte de Mato Grosso e oeste do Paraná, com as primeiras áreas colhidas nas últimas semanas. Segundo dados divulgados pelo Cepea, o desempenho inicial da safra é positivo, impulsionado por condições climáticas amplamente favoráveis nas principais regiões produtoras do país.
Esse cenário reforça a expectativa de uma produção recorde, à medida que o clima continua colaborando para o desenvolvimento das lavouras. Mesmo com o avanço da colheita e projeções otimistas, o ritmo das negociações no mercado doméstico permanece fraco.
De acordo com o Cepea, muitos produtores estão fora do mercado spot neste início de ano, aguardando melhores condições para comercialização. Essa postura tem limitado a liquidez e contribuído para a pressão de baixa nas cotações da oleaginosa.
Enquanto o mercado interno caminha lentamente, o desempenho nas exportações segue aquecido. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que o Brasil embarcou 3,38 milhões de toneladas de soja em dezembro de 2025, um crescimento de 59,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
A China se manteve como principal destino, com 2,6 milhões de toneladas adquiridas no último mês do ano — volume 83,8% maior que o registrado em dezembro de 2024. A forte demanda chinesa explica boa parte da elevação nos embarques brasileiros no período.
Com esse impulso, o país encerrou 2025 com exportações acumuladas de 108,18 milhões de toneladas, superando as projeções da Conab para o ano, que indicavam 106,97 milhões de toneladas. Nos próximos meses, o foco do setor estará voltado à evolução da colheita nas demais regiões e à reação dos preços internos.
AGROLINK – Aline Merladete
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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