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Agronegócio

Projeto mostra caminhos para a autossuficiência hídrica na lavoura de arroz

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Fotos: Renata Rosa/Epagri

 

O Projeto Arroz da Estação Experimental de Itajaí (EEI) está em processo contínuo de busca por autossuficiência hídrica para evitar a captação no rio Itajaí-Mirim, realizada em momentos pontuais do ciclo, de setembro a março. A iniciativa é um exemplo prático das ações desenvolvidas pela Epagri em prol do uso responsável da água, tema que ganha ainda mais relevância com a celebração do Dia Mundial da Água, em 22 de março.

Para isso, o pesquisador Alexander Andrade, já falecido, e a gerente Ester Wickert começaram a colocar em prática, em 2020, um projeto que passa pela reestruturação de sete lagoas, equipar os prédios com dispositivos para captar e armazenar a água da chuva e reforçar a análise da qualidade da água de reuso dos plantios.

O primeiro passo foi implantar um sistema de lagoas interligadas, que permite a manutenção do nível da água quando uma das lagoas diminui o volume. Para os próximos dois anos, a meta é reformar duas áreas em lagoas que estavam desativadas e interligar 10 lagoas para abastecer, de forma autônoma, os demais cultivos experimentais (banana, citros e pitaia). E também o Centro Experimental de Piscicultura de Itajaí (Cepit), que já dispõe de 40 tanques e vai inaugurar, no próximo dia 30 de março, mais 26.

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Em relação à captação da água da chuva, as três casas de vegetação e a Unidade de Apoio ao Campo Experimental de Arroz (Galpão do Arroz), reformada em 2024, foram projetadas com este fim. As casas de vegetação armazenam 15 mil litros e o galpão 20 mil litros de água.

A água utilizada nas áreas experimentais de arroz irrigado é drenada para uma lagoa de decantação, onde é armazenada de seis a oito meses para decomposição das moléculas dos insumos utilizados nas lavouras experimentais. Hoje, a água desta lagoa não é mais devolvida ao rio, mas bombeada de volta para o sistema de irrigação da próxima safra, uma prática alinhada às estratégias de sustentabilidade hídrica defendidas pela Epagri.

 
Reservatório que faz captação de chuva do Galpão do Arroz tem capacidade para 20 mil litros

Reforço na análise de qualidade de água de reuso

Segundo Ester, há questões que ainda precisam ser aperfeiçoadas em relação à sustentabilidade do sistema. Estudos anteriores indicam que o tempo que a água permanece na lavoura e o manejo adequado tornam a água mais limpa na saída da lavoura em relação à entrada. “Os raios solares que incidem sobre a água também auxiliam no processo de purificação, pois tem efeito desintoxicante”, explica a pesquisadora.

Para atestar a sustentabilidade do sistema de reuso, ao longo de 2026, a água utilizada no Projeto Arroz será analisada em laboratório em diferentes momentos durante o ciclo da cultura, sob supervisão dos pesquisadores Alexandre Visconti e Laerte Reis Terres.

 
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Água utilizada na lavoura fica de seis a oito meses em uma lagoa de decantação para ser reutilizada

O Projeto Arroz cultiva, anualmente, cerca de 10 hectares de área, que utilizam, aproximadamente, 50 mil m³ de água proveniente de duas lagoas e da precipitação pluviométrica, além da captação no rio. Segundo o boletim técnico com recomendações para a produção sustentável de arroz irrigado da Epagri, a necessidade média por hectare por safra varia de 7 mil m³ a 10 mil m³, incluindo a água das chuvas.

O único projeto de pesquisa na Estação em Itajaí que é totalmente auto suficiente em recursos hídricos é o Projeto Hortaliças, com foco em produção orgânica. Na nova área, inaugurada em 2022, o projeto foi estruturado para captar e armazenar 90 mil litros de água da chuva em nove caixas d’água. Este é mais um exemplo de como a pesquisa da Epagri contribui para soluções sustentáveis no campo, especialmente no contexto do Dia Mundial da Água.

Com Renata Rosa/Epagri/Fapesc

Fernanda Toigo

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agronegócio

Cota chinesa de carne perto do limite acende alerta para pecuaristas e pode baixar preço nos açougues

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Esgotamento da cota de exportação para a China pode forçar o escoamento da produção de carne no mercado interno brasileiro – Divulgação

O mercado da pecuária brasileira entrou em estado de cautela nesta semana. Segundo dados do Ministério do Comércio Chinês, o Brasil já atingiu metade da cota de exportação de carne bovina fixada para 2026. Com o teto estabelecido em 1,106 milhão de toneladas, a previsão é que o limite seja alcançado já no mês de junho.

Para o setor em Mato Grosso e estados vizinhos, o cenário traz um misto de preocupação e expectativa. Caso a cota não seja ampliada, o excedente da produção brasileira enfrentará uma tarifa de 55% de salvaguarda para entrar na China, o que deve forçar o escoamento dessa carne para o mercado interno, pressionando os preços para baixo.

Impacto na Arroba e Prejuízo no Campo

O esgotamento precoce da cota deve impactar diretamente o valor da arroba do boi gordo. Especialistas do setor apontam que, sem a vazão para o mercado chinês, a tendência é de uma baixa acentuada nos preços pagos ao produtor no segundo semestre.

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“O momento é de muita cautela. Com o mercado interno ainda em ritmo de recuperação, uma sobrecarga de oferta pode trazer prejuízos tanto para o pecuarista quanto para as indústrias frigoríficas”, destacam analistas. Até a última sexta-feira (08), a cotação da arroba em regiões próximas operava na casa dos R$ 346,50, valor que agora fica sob pressão direta.

Estratégia de Diversificação: O Plano B do Setor

Entidades representativas já buscam mercados alternativos para evitar o represamento da carne produzida em estados como Mato Grosso. A estratégia foca em ampliar as vendas para a Europa e outros países asiáticos que possuem alta demanda pelo produto brasileiro, mas que hoje compram volumes menores que a China.

O que muda para o consumidor final?

Apesar das preocupações do setor produtivo, o consumidor brasileiro pode ver um alívio nos preços nos açougues e supermercados. Se a carne brasileira se tornar menos competitiva na China devido às tarifas, o volume será redirecionado para as prateleiras nacionais, favorecendo a queda nos valores dos cortes bovinos no segundo semestre de 2026.

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Entenda a Salvaguarda Chinesa

O que é o limite? Um teto de importação para regular o mercado interno da China.
Qual a punição? Volumes que excederem o limite pagam 55% de tarifa adicional.
Até quando vale? A medida tem validade até o final de 2028, com pequenos aumentos anuais na cota.
Você acredita que essa queda no preço da carne vai chegar rapidamente à mesa do consumidor mato-grossense, ou os custos de logística vão segurar os valores nos supermercados? Como o pecuarista da nossa região deve se preparar para esse cenário de arroba pressionada?

Fonte: CenárioMT

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agronegócio

Preço da melancia recua com clima mais ameno no Sul e Sudeste, aponta Cepea

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Foto: Ceagesp

As cotações da melancia graúda (acima de 12 kg) registraram queda na última semana, influenciadas principalmente pela redução da demanda nos principais centros consumidores do país. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, as

Oferta restrita ainda sustenta preços em patamar elevado

Apesar da retração nas cotações, os preços da melancia seguem em níveis considerados altos, acima de R$ 2,00 por quilo. Isso ocorre porque a disponibilidade da fruta continua limitada no mercado nacional.

Atualmente, o abastecimento está concentrado em Uruana, uma das principais regiões produtoras neste período, o que restringe a oferta e impede quedas mais acentuadas nos preços.

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Tendência é de novas quedas com clima ameno

Para esta semana, a expectativa é de continuidade no movimento de queda das cotações. Segundo pesquisadores do Cepea, a manutenção das temperaturas mais baixas nas regiões consumidoras deve seguir limitando a demanda pela fruta.

Esse cenário reforça a relação direta entre clima e consumo no mercado de hortifrúti, especialmente para produtos como a melancia, que têm maior procura em períodos de calor.

Mercado segue atento ao equilíbrio entre oferta e demanda

O comportamento dos preços nas próximas semanas dependerá da intensidade da demanda e da evolução da oferta. Caso o clima permaneça ameno e novas regiões não entrem na colheita, o mercado pode continuar operando com preços em ajuste gradual.

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Enquanto isso, produtores e comerciantes acompanham de perto as condições climáticas e o ritmo de consumo, fatores determinantes para o desempenho da melancia no mercado nacional.

Fonte: CenárioMT

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

 

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Agronegócio

Preço do frango bate recorde negativo e atinge menor nível desde maio de 2024

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Divulgação

 

O preço do frango vivo no mercado brasileiro registrou forte queda em fevereiro — acumulando o quarto mês consecutivo de recuo e alcançando o menor patamar real desde maio de 2024, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A redução nos valores tem pressionado as margens dos avicultores, especialmente diante de custos ainda firmes dos principais insumos da atividade.

Queda nos preços e relação com insumos

No estado de São Paulo, em fevereiro o preço médio do frango vivo ficou em R$ 5,04 por quilo, representando uma queda de 2,1% em relação à média de janeiro deste ano. Esse movimento colocou a proteína no seu menor valor real desde maio de 2024, quando ajustado pelo índice de preços ao produtor.

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Enquanto isso, os preços dos insumos-chave — milho e farelo de soja — permaneceram estáveis ou com leve alta no período, o que tem reduzido o poder de compra do avicultor, já que é possível adquirir menos insumo com a venda de cada quilo de frango.

Relação de troca pressionada

De acordo com os cálculos do Cepea, com a venda de um quilo de frango vivo o produtor paulista consegue comprar atualmente:

cerca de 4,47 quilos de milho, volume 1,9% menor do que o observado em janeiro;

aproximadamente 2,73 quilos de farelo de soja, 2,6% inferior ao mês anterior.

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Essa piora na relação de troca evidencia que os custos de produção seguem desafiadores para os avicultores, mesmo diante de preços mais baixos da proteína.

Exportações ajudam a limitar queda

Apesar da pressão de baixa no mercado interno, o Cepea ressalta que o ritmo recorde das exportações brasileiras de carne de frango tem atuado como um fator de sustentação, evitando que os preços recuassem ainda mais. A demanda externa aquecida tem funcionado como um suporte para o mercado, compensando parcialmente a fraqueza das vendas domésticas.

Cenário para o setor

O ambiente de preços mais baixos no frango, combinado com custos de alimentação animal estáveis ou em leve alta, representa um desafio importante para os produtores avícolas no curto prazo. A queda prolongada pode pressionar as margens e exigir ajustes de gestão, especialmente para pequenos e médios avicultores que já lidam com margens apertadas.

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Por outro lado, a forte presença da proteína brasileira nos mercados internacionais deve continuar sendo observada como um dos principais fatores de apoio às cotações, caso os embarques se mantenham em níveis elevados nos próximos meses.

Cenário Rural

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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