Agronegócio
Plano Safra Veta Recurso para 7% das Propriedades Rurais

Reprodução
Uma nova resolução do Banco Central está restringindo o acesso ao crédito do Plano Safra para cerca de 65 mil propriedades rurais, o que representa 7% do total de imóveis rurais. Essas restrições são baseadas em normas socioambientais estabelecidas pelo governo.
De acordo com um levantamento realizado pela consultoria Terra Analytics, essas propriedades estão desenquadradas em relação às diretrizes do Banco Central, o que as impede de acessar os recursos do Plano Safra deste ano. As restrições são parte de uma política governamental destinada a reduzir os desmatamentos ilegais, principalmente na Amazônia.
As novas regras do crédito agrícola estabelecem que fazendas com sobreposição de áreas em reservas indígenas, quilombos, assentamentos, áreas de conservação ou florestas não poderão mais receber crédito do Plano Safra. Além disso, propriedades sem registro no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ou com pendências no Ibama também estão vetadas.
Segundo Richard Torsiano, CEO da Terra Analytics, a taxa de restrição é mais alta em grandes propriedades. Entre os imóveis menores, com até 4 módulos fiscais, cerca de 87,9% estão aptos ao crédito, enquanto nas propriedades maiores, esse índice cai para 75%.
Recentemente, em um debate promovido pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, representantes dos produtores agrícolas expressaram preocupação com as pendências junto ao Ibama, algumas das quais sem resposta há mais de dois anos.
Quem Não Pode Receber:
- Imóveis sem inscrição ou com inscrição cancelada ou suspensa no Cadastro Ambiental Rural (CAR).
- Empreendimentos total ou parcialmente situados em Unidade de Conservação, exceto se estiver de acordo com o plano de manejo da unidade.
- Restrição também se aplica a imóveis em terras indígenas ou quilombolas, exceto se os proprietários fizerem parte da comunidade.
- Imóveis com embargo do Cadastro de Autuações Ambientais e Embargos do Ibama.
- Empreendimentos localizados total ou parcialmente em Floresta Pública Não Destinada, ressalvados os imóveis de até 4 módulos rurais, com título, em vias de regulação fundiária pelo Incra.
Fonte: Portal do Agronegócio
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Mamão formosa registra queda de preços com aumento da oferta no Norte de Minas

Foto: Ceagesp
As cotações do mamão formosa acumularam quedas consecutivas ao longo de maio no Norte de Minas Gerais. O movimento foi impulsionado principalmente pelo aumento da oferta da fruta no mercado, fator que pressionou os preços recebidos pelos produtores.
Na última semana do mês, o recuo foi ainda mais acentuado, com desvalorização de 13% em relação ao período anterior. Com isso, o mamão formosa encerrou maio cotado a R$ 0,81 por quilo.
Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a expectativa para o início de junho é de um possível avanço no poder de compra dos consumidores. No entanto, as condições climáticas podem continuar influenciando o desempenho do mercado.
De acordo com a equipe de Hortifrúti do Cepea, as temperaturas mais baixas registradas neste período tendem a reduzir o consumo da fruta, cenário que pode limitar as vendas e dificultar uma recuperação mais consistente dos preços no curto prazo.
Dessa forma, mesmo diante da expectativa de melhora na demanda, o mercado do mamão formosa deve seguir atento ao comportamento do consumo nas próximas semanas, especialmente em função do clima frio, que tradicionalmente impacta a comercialização de frutas frescas.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Trigo tem valorização em maio com oferta restrita e cautela dos produtores

Reprodução
Os preços do trigo registraram alta no mercado brasileiro ao longo de maio, refletindo a combinação entre oferta interna mais restrita e a postura cautelosa dos produtores nas negociações. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, muitos vendedores optaram por reduzir o ritmo de comercialização à espera de cotações mais atrativas, o que manteve a liquidez limitada durante grande parte do mês.
No Paraná, principal estado produtor do cereal, o preço médio do trigo alcançou R$ 1.352,59 por tonelada em maio de 2026, avanço de 2,6% em relação a abril. Apesar da valorização mensal, o valor ainda ficou 14,1% abaixo do registrado em maio de 2025, considerando os dados corrigidos pela inflação medida pelo IGP-DI.
No Rio Grande do Sul, a média chegou a R$ 1.299,65 por tonelada, representando aumento de 7,6% frente ao mês anterior. O resultado marcou o maior patamar desde agosto de 2025. Ainda assim, o preço permaneceu 9,2% inferior ao observado no mesmo período do ano passado.
O movimento de recuperação também foi observado em outras regiões produtoras. Em São Paulo, o trigo foi comercializado, em média, a R$ 1.467,25 por tonelada, valor 5,2% superior ao de abril. Na comparação anual, entretanto, a cotação ainda apresenta recuo de 10%.
Já em Santa Catarina, o preço médio atingiu R$ 1.285,99 por tonelada, alta de 4,1% em relação ao mês anterior. Quando comparado a maio de 2025, o valor representa uma queda de 13,5%.
De acordo com os pesquisadores do Cepea, a menor disponibilidade de trigo no mercado doméstico tem sido um dos principais fatores de sustentação das cotações. Ao mesmo tempo, a expectativa dos produtores por preços mais elevados tem contribuído para reduzir o volume negociado, cenário que favorece a manutenção dos valores em patamares mais firmes no curto prazo.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Famato alerta para risco de falta de sal mineral e alta dos custos

Foto: Eduardo Cardoso
A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) alerta para o risco de desabastecimento de fosfato bicálcico no mercado nacional, insumo essencial para a fabricação de suplementos minerais usados na alimentação bovina.
Segundo levantamento da entidade junto a empresas de nutrição animal, fabricantes de suplementos minerais e produtores rurais, há risco, nos próximos dias, de escassez da linha de sal mineral para bovinos. A situação preocupa especialmente Mato Grosso, que possui o maior rebanho bovino do país e pode sofrer impactos diretos na produção de carne e leite.
A ausência do produto no mercado é atribuída a uma combinação de fatores. Entre eles estão a produção nacional insuficiente para atender à demanda do agro brasileiro, a elevada dependência de importações, restrições externas de oferta, impactos de conflitos internacionais sobre cadeias produtivas e logísticas, além da decisão de alguns países fornecedores de priorizar seus mercados internos para garantir insumos estratégicos à produção de alimentos.
Além da possível falta do produto, a Famato aponta aumento significativo nos preços de concentrados para engorda e suplementos minerais, com expectativa de novos reajustes. O cenário pressiona ainda mais o pecuarista, que já enfrenta custos elevados, margens reduzidas e queda nos preços pagos pela indústria frigorífica.
A preocupação também se estende à agricultura mato-grossense. A Famato avalia que a escassez e a alta de insumos fosfatados evidenciam uma vulnerabilidade mais ampla para o setor produtivo, já que matérias-primas minerais são fundamentais tanto para a suplementação animal quanto para a produção agrícola. Em um estado líder na produção de grãos, fibras e carne, qualquer instabilidade no fornecimento desses insumos pode comprometer a produtividade, elevar custos, afetar o planejamento das propriedades e reduzir a competitividade do agro de Mato Grosso.
Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o problema exige atenção imediata. “Estamos diante de um alerta importante para a pecuária e para a agricultura. O sal mineral é indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho, assim como os insumos fosfatados são estratégicos para a produção agrícola. Quando esses produtos ficam caros ou, pior, começam a faltar, o impacto chega diretamente ao produtor rural, que já enfrenta aumento de custos e redução da margem da atividade, e pode chegar às prateleiras dos supermercados”, destaca.
A deficiência mineral pode comprometer ganho de peso, fertilidade, imunidade, produção de leite e índices reprodutivos. Na prática, a falta de suplementação adequada reduz a eficiência da propriedade, aumenta riscos sanitários e pode afetar toda a cadeia produtiva.
O vice-presidente da Famato e coordenador da Comissão de Pecuária de Corte da entidade, Amarildo Merotti, afirma que a situação é ainda mais preocupante diante de outros desafios enfrentados pelo setor.
“Mato Grosso tem o maior rebanho bovino do Brasil. Qualquer instabilidade no fornecimento de sal mineral atinge milhares de produtores. O pecuarista está sendo pressionado pela alta dos insumos, pelo risco de falta de produto, pela preocupação com vacinas contra clostridioses e pela queda nos preços pagos pela indústria. Essa combinação preocupa muito”, afirma.
A Famato também relaciona o alerta à recente escassez de vacinas contra clostridioses, tema já acompanhado pela entidade. Para a federação, a soma entre dificuldades sanitárias e possível falta de insumos para suplementação mineral amplia o risco produtivo e econômico nas propriedades rurais.
Entre as medidas defendidas pela Famato estão a redução temporária ou isenção das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre, redução tributária sobre sal branco e ureia destinados à nutrição animal, desburocratização alfandegária, agilização da liberação de produtos nas fronteiras e aproximação com países fornecedores, como a Bolívia.
A entidade também avalia que a implementação efetiva do Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050 é fundamental para reduzir a dependência externa do Brasil em insumos estratégicos. O plano prevê ações para ampliar a produção nacional, estimular pesquisa mineral, atrair investimentos, melhorar o ambiente de negócios e fortalecer a infraestrutura logística.
“O Brasil não pode depender quase exclusivamente do mercado externo para garantir insumos essenciais à produção de alimentos. O Plano Nacional de Fertilizantes precisa avançar com mais efetividade. Garantir fertilizantes e insumos minerais acessíveis é uma questão de soberania, segurança alimentar e competitividade para o produtor rural”, finaliza Vilmondes.
Com CNA
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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