Destaque
Qual o ganho de peso diário (GPD) ideal durante a recria de bovinos de corte?

Divulgação
Esta pergunta retórica, minimamente nos motiva a refletir sobre o sistema de produção no qual estamos inseridos. Por exemplo, para compreender os porquês da magnitude do GPD de bovinos durante a fase de recria é necessário entender de forma extensa os pormenores operacionais da nossa fazenda, o que por sua vez nos proporciona conhecimento genuíno do nosso atual status produtivo, como também, evidencia fatores limitantes para eventuais aumentos produtivos futuros. Adicionalmente a esta ampla maturidade operacional, a consolidação das despesas econômicas praticadas na fazenda (i.e., precificações da compra e venda dos animais, mão de obra permanente, manutenção da fazenda, administração, entre outros) irá munir o gestor de informações suficientes para simular o ponto de equilíbrio econômico da sua realidade, desta forma, dará o direcionamento para determinar o seu GPD ideal.
De forma geral, durante a recria de bovinos de corte temos como objetivo desenvolver animais caracterizados como bezerro (usualmente, 180 – 210kg) à categoria de boi magro (usualmente, 380 – 420kg). O tempo no qual estes animais permanecerão nesta fase será definido pelo nível de produtividade de cada fazenda. Por exemplo, é comum bovinos recriados em fazendas com sistema de produção extensiva permanecerem 24 meses em recria, enquanto que fazendas que adotam práticas e metas zootécnicas nesta fase produtiva usualmente recriam os animais durante 12 meses. É digno de nota que mesmo no cenário de 12 meses de recria são encontradas diferenças significativas na produtividade entre fazendas, e que de fato essa variação pode ser influenciada pelo programa nutricional anual oferecido aos animais, como também por outras variáveis como adubação e manejo de pastagem, sanidade e mérito genético dos animais.
Mediante ao exposto no parágrafo anterior, é notável que o tempo no qual os animais permanecerão em recria será modulado por vários fatores, entre eles, o programa nutricional. No entanto, independentemente do pacote nutricional empregado em cada fazenda, a produtividade dos animais estará exposta a aspectos climáticos, pois, a base deste sistema de produção é o pasto, ao passo que durante o ano ocorrem variações nos fatores que estão diretamente relacionadas à produção e qualidade de forragens: temperatura ambiental, hora luz dia e índice pluviométrico.
Durante a primavera e o verão brasileiro são encontradas condições climáticas favoráveis (alta temperatura, adequada quantidade de horas luz dia e chuvas) ao aumento da produção e valor nutricional do capim, por sua vez, nosso trabalho para produzir carne é facilitado nestas estações do ano, enquanto que, no nosso outono e inverno a temperatura, horas luz dia e chuvas diminuem linearmente e apresentam magnitudes menores quando comparadas ao “período das águas”. Nestas duas últimas estações, nosso trabalho de produção de carne já não é mais tão facilitado pelo fator climático tanto quanto no período das águas. Entretanto, os programas nutricionais recomendados pelo nutricionista podem contribuir significativamente para minimizar os desafios observados durante o período de seca como também potencializar o GPD de bovinos durante o período das águas. Mas, antes de discorrer sobre programas nutricionais, refaço a pergunta, qual o GPD ideal durante a recria de bovinos de corte em pasto?
Para nos auxiliar na construção dessa resposta, compartilho os dados do Benchmarking de Recria da empresa Inttegra referente ao perfil de desembolso cabeça mês safra 2023 – 2024 (Tabela 1).
Adicionalmente, vamos integrar ao desembolso cabeça mês o déficit do ágio entre o preço da arroba do bezerro (R$374,40 Scot 19.11.24) e do boi magro (R$335,70 Scot 19.11.24), R$38,70 por arroba ou R$270,90 por bezerro (7 arrobas). Ambas despesas serão incorporadas e reduzidas a despesa diária (desembolso cabeça mês + ágio), desta forma, iremos converter o custo diário em GPD, trazendo parametrização ao GPD necessário para acessarmos o ponto de equilíbrio do cenário produtivo que descrevemos anteriormente.
Seguindo o nosso raciocínio, o desembolso cabeça mês de R$97,98 é equivalente a uma despesa diária de R$3,26, o qual equivale a um GPD de 291,87 gramas (preço base boi magro R$11,19 kg, Scot 19.11.24). O custo do ágio diluído em 365 dias equivale a uma despesa diária de R$0,74, o qual equivale a um GPD de 66,32gramas, ou seja, o custo diário da nossa recria durante 12 meses são 358,19 gramas de GPD, ou 4,35 arrobas durante 12 meses.
Baseado nesse contexto pergunto novamente, qual o GPD ideal durante a recria de bovinos de corte?
Mediante ao raciocínio realizado anteriormente, acredito que o GPD ideal minimamente deve contemplar o ponto de equilíbrio econômico de cada sistema de produção, pois a maior parte dos empresários rurais estão nesta atividade para aumentar seus ganhos econômicos. Sendo assim, o GPD ideal estará diretamente relacionado a maturidade operacional de cada fazenda, fluxo de caixa, nível de tecnologia empregado, como também resultado econômico esperado.
Respondida à pergunta sobre o GPD ideal durante a recria de bovinos de corte, vamos discorrer sobre magnitudes de GPD que poderemos obter nos diferentes períodos do ano, como também, a influência dos diferentes níveis de suplementação no GPD de bovinos em recria.
Antes de mais nada precisamos destacar que o GPD de bovinos recriados em pasto é dependente de diversos fatores, entre eles a raça dos animais, sexo, manejo de pastagem, adubação de pastagem, sanidade, níveis de suplementação entre outros fatores. Porém, neste artigo vamos ressaltar o benefício da suplementação de bovinos nos diferentes períodos do ano.
Em estudos realizados na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) unidade de Colina-SP foram demonstrados que animais suplementados durante o período das águas com suplemento mineral (SM) ou suplemento proteico (SP) a nível de 0,1%PV obtiveram em média GPD de 0,513 e 0,654 gramas respectivamente (Sampaio 2010; Roth 2011; Moretti 2014). Estes mesmo autores também avaliaram o GPD de bovinos no mesmo período suplementados com SM ou suplemento proteico energético (SPE) a nível de 0,3%PV. A média dos três trabalhos demonstraram que bovinos suplementados com SM obtiveram GPD de 0,469 gramas enquanto que animais suplementados com SPE obtiveram GPD de 0,753. Roth (2011) avaliou o GPD de bovinos recriados durante o outono suplementados com SM, SP ou SPE e observou GPD médio de 0,372; 0,548 e 0,685 gramas respectivamente.
Como foi descrito anteriormente, a nutrição é um dos caminhos para ditar a velocidade e/ou a intensidade com a qual os animais serão recriados. Baseado nos resultados dos estudos citados anteriormente, é notável que as magnitudes de GPD são superiores no período das águas (primavera e verão) quando comparado ao outono, como também, dentro de cada estação do ano, maiores níveis de suplementação promovem maiores GPD. Ou seja, é mais fácil rolar pedra morro abaixo (águas) ao invés de rolar pedra morro acima (seca).
Também foram realizados estudos na APTA de Colina-SP avaliando o efeito do nível suplementação de bovinos de corte em recria durante o período da seca. Segundo os estudos (Sampaio et al. 2009; Siqueira et al. 2009; Roth et al. 2009; Moretti et al. 2015) animais suplementados durante a seca a nível de 0,1; 0,3 e 0,5%PV obtiveram GPD médio de 0,340; 0,440 e 540 gramas respectivamente.
Mais do que fixar as magnitudes do GPD obtidos nestes trabalhos de acordo com o nível de suplementação e época do ano, estes estudos trazem referências de GPD para auxiliar em nosso planejamento, pois como dito anteriormente, o efeito no GPD é multifatorial.
Desta forma, com todo a contextualização biológica, econômica, climática, resultado de pesquisas em mãos, estratificando o GPD em períodos do ano (Figura 2), e relembrando que o custeio da nossa recria são 4,35 arrobas, pergunto, qual o GPD ideal para a recria de bovinos?
Para que esta pergunta também seja respondida dentro da sua realidade produtiva, faça contato com um de nossos especialistas em nutrição de ruminantes para que o programa nutricional mais rentável e eficiente seja implementado na recria de sua fazenda.
Figura 2. Simulação de produção de arrobas durante a recria de 12 meses, com GPD estratificado em diferentes períodos do ano (Adaptado da APTA unidade de Colina-SP).
Por Victor Graciliano – zootecnista e coordenador técnico de bovinos da MCassab Nutrição e Saúde Animal
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Polos irrigados concentram maior renda, produtividade e desenvolvimento

Imagem: Pensar Agro
A colheita total de milho do Brasil em 2025/26 foi estimada nesta sexta-feira em 140,11 milhões de toneladas, de acordo com levantamento da consultoria Safras & Mercado, que reduziu seu número em 1,1% na comparação com a projeção anterior, devido a uma expectativa menor com a segunda safra por questões climáticas.
Ainda assim, o Brasil veria uma produção maior em relação ao ciclo passado, quando a colheita somou 140,05 milhões de toneladas, segundo a consultoria.
O ajuste nos números levou em conta os problemas climáticos verificados em alguns Estados produtores da segunda safra, como Goiás, disse o consultor e analista de Safras & Mercado, Paulo Molinari, em comunicado.
Devido aos ajustes, o potencial de produção da segunda safra foi visto em 99,09 milhões de toneladas, ante 100,59 milhões de toneladas previstas em fevereiro.
O volume da segunda safra deve ficar abaixo das 100,81 milhões de toneladas colhidas no ano anterior, mas a safra total ainda cresce com um avanço
na produção no verão, segundo dados da consultoria.
A área total cultivada com milho no Brasil em 2025/26 deverá atingir 21,89 milhões de hectares, um pouco acima dos 21,83 milhões de hectares indicados na previsão de fevereiro.
Na comparação anual, a consultoria vê aumento de 2,9% na área plantada, enquanto a produtividade foi estimada em 6.400 quilos por hectare, abaixo dos 6.532 quilos registrados na safra 2024/25.
Com Pensar Agro
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Destaque
Produtores rurais podem responder pesquisa sobre javalis

Imagem: Faep
Os produtores rurais do Paraná ainda podem participar da pesquisa nacional que busca mapear a presença de javalis no meio rural. O prazo vai até 31 de maio para responder ao levantamento “Suínos Asselvajados – Percepção de Presença e seus Impactos no Brasil (2025/2026)”, conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e impulsionado por articulação do Sistema FAEP. A iniciativa reúne informações diretamente das propriedades para dimensionar a ocorrência de javalis e javaporcos, identificar os prejuízos causados e subsidiar políticas públicas mais eficientes de controle e manejo da espécie.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, reforça que o engajamento dos produtores é determinante para a efetividade do estudo. “Essa pesquisa é uma ferramenta estratégica para transformar uma realidade que já impacta diretamente o campo. Quanto maior for a participação dos produtores, mais consistente será o diagnóstico e, consequentemente, mais eficazes serão as políticas públicas que podem ser construídas a partir desses dados”, diz. “O Sistema FAEP tem atuado de forma permanente nesse tema, articulando soluções e apoiando iniciativas que contribuam para o controle do javali e a proteção da produção agropecuária paranaense”, complementa.
Fertilizantes são equiparados a minerais críticos
A pesquisa é resultado de um processo iniciado no Paraná, a partir da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, que reuniu diferentes instituições para enfrentar o avanço da espécie. Esse movimento levou à criação, em 2020, do Grupo de Trabalho de Javalis do Paraná, que reúne órgãos como Ministério da Agricultura, Ibama, Exército Brasileiro, Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e entidades do setor produtivo.
Prejuízos econômicos e riscos sanitários
Sem predadores naturais no Brasil e com alta capacidade de adaptação, o javali se reproduz rapidamente e amplia sua presença em diferentes regiões. O cruzamento com suínos domésticos, formando o chamado “javaporco”, intensifica ainda mais esse crescimento.
Os impactos são diretos: destruição de lavouras, ataques a rebanhos, danos à vegetação nativa, degradação de nascentes e cursos d’água, além de desequilíbrios ecológicos e risco de acidentes com pessoas.
No campo sanitário, a preocupação é ainda mais sensível. Os animais podem atuar como vetores de doenças como a Febre Maculosa, Peste Suína Africana (PSA), Peste Suína Clássica (PSC), entre outras, ameaçando o status sanitário da produção brasileira.
Saiba mais acessando a cartilha, produzida pelo Sistema FAEP, que expõe os riscos causados por javalis.
Participação é fundamental
O Sistema FAEP orienta que produtores rurais que já tenham avistado javalis ou registrado prejuízos respondam ao questionário. A participação é considerada essencial para ampliar a qualidade das informações e fortalecer o diagnóstico.
Mesmo aqueles que não tiveram contato direto com os animais podem contribuir, divulgando a pesquisa para outros produtores e manejadores autorizados que atuam no controle da espécie.
A previsão é que os resultados sejam divulgados no segundo semestre deste ano. A expectativa é que os dados consolidados permitam dimensionar o avanço dos javalis no país e orientar ações mais eficazes para enfrentar um problema que impacta diretamente o campo.
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Destaque
Sema atua para evitar que árvore em área de manejo com ninho de Harpia seja derrubada

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) notificou o proprietário de uma fazenda no município de Tapurah para que não derrube uma árvore, localizada em área de manejo florestal, escolhida por uma Harpia para montar o seu ninho. A espécie está ameaçada de extinção.
De acordo com a notificação, o proprietário da área deverá manter a preservação do entorno da árvore em um raio de, no mínimo, 150 metros, para garantir a segurança do filhote durante sua fase de aprendizado e evitar a perturbação do comportamento natural dos adultos. O objetivo da medida é assegurar a conclusão do ciclo reprodutivo da ave sem intercorrências.
Nas áreas de manejo, o corte das árvores é feito de maneira seletiva, respeitando o ciclo de vida dos indivíduos. Árvores que já cumpriram o seu papel na natureza são colhidas de forma estratégica, minimizando o impacto ambiental e dando espaço para que suas filhas possam crescer para proliferação da espécie
Também conhecida como gavião-real, a Harpia foi classificada pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) como “vulnerável” e está contemplada no Plano de Ação Nacional para a Conservação das Espécies Ameaçadas (ICMBio).
A descoberta, conforme o coordenador, é resultado da integração e comprometimento dos diversos setores da Sema na conservação da biodiversidade. “A preservação da fauna silvestre exige uma atuação conjunta de diversos segmentos dentro da própria Sema. Esse é um exemplo prático de que as equipes do órgão ambiental trabalham em sintonia para a proteção do meio ambiente”, destacou Toledo.
Em resposta à Coordenadoria de Recursos Florestais, o proprietário da fazenda assegurou que acatará a notificação. “Ficamos felizes em poder contribuir com a preservação da ave mencionada. Vamos manter todos os indivíduos, no raio de 150 metros, em pé no local. Vamos demarcar a árvore nº 5041 e todas as árvores do seu entorno (raios de 150 m) com plaqueta de “proibido corte” para melhor sinalizar. Além disso, será orientado a equipe de exploração para não fazer trilhas de arraste nesse local”.
Plano de manejo – O manejo florestal sustentável se consolida como uma das estratégias mais robustas para manter a floresta em pé, conservar serviços ecossistêmicos e, ao mesmo tempo, gerar renda e desenvolvimento regional.
Por meio do Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora), a Sema-MT consegue fazer a rastreabilidade da madeira extraída nessas áreas de manejo. Cada indivíduo possui numeração única dentro do sistema.
Mato Grosso possui cerca de 5,2 milhões de hectares em áreas de manejo florestal e a meta do Programa Carbono Neutro 2035 é chegar a seis milhões.
Clênia Goreth
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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