Agricultura
Aprosoja MT critica Moratória da Soja e defende a livre iniciativa dos produtores rurais em audiência pública no Senado
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Nesta quarta-feira (23.04), a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) destacou os impactos econômicos, sociais e jurídicos da Moratória da Soja durante audiência pública realizada no Senado Federal, em Brasília (DF). A audiência foi convocada pelo senador Wellington Fagundes (PL/MT) na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal, em resposta à recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender a Lei nº 12.709/2024, do Estado de Mato Grosso, que buscava retirar incentivos fiscais das empresas signatárias ao acordo.
Durante seu pronunciamento no segundo bloco da audiência, o presidente da Aprosoja MT e vice-presidente da Aprosoja Brasil, Lucas Costa Beber, afirmou que a Moratória da Soja é uma medida ultrapassada e injusta, que compromete a soberania do país e impede o produtor de exercer a livre iniciativa, mesmo quando cumpre todas as exigências legais. Ele também lembrou da mobilização realizada por mais de 100 prefeitos e 120 câmaras municipais que se manifestaram contra a moratória, reforçando que este acordo privado prejudica o desenvolvimento econômico e social dos pequenos produtores e dos municípios do estado de Mato Grosso.
“A proposta que a ABIOVE falava lá atrás são os tais dos polígonos, que nós também não aceitamos, porque sobrepõe a nossa legislação. Deixo claro aqui que a ABIOVE e a ANEC alegam a livre iniciativa e eu alego para eles ferem a livre iniciativa dos produtores, porque eles não têm a opção de escolher a cultura mais rentável. Quem desmatou, mesmo que legalmente, após 2008, que estava usando áreas para pecuária, hoje se quer pode ingressar na soja, pois não tem como vender, já que as empresas signatárias da Moratória correspondem a mais de 94% do mercado comprador de soja aqui do nosso país”, destaca.
A Aprosoja MT reforçou, durante a audiência, que os produtores brasileiros já atendem à legislação ambiental mais rigorosa do mundo e que qualquer medida adicional imposta fora da legislação brasileira constitui uma violação da soberania nacional. A entidade citou exemplos de produtores que, mesmo tendo desmatado legalmente áreas autorizadas, estão sendo impedidos de comercializar sua produção de soja devido aos critérios arbitrários.
“A Moratória é uma medida famigerada e vencida, porque foi feita em 2006 e em 2012 nós aprovamos o Código Florestal mais restritivo do mundo. Hoje nós temos que lembrar que há 30 milhões de pessoas que moram na Amazônia. Em medidas como a Lei Antidesmatamento Europeia e a Moratória parece que querem fazer uma cerca na Amazônia e retirar o direito a produzir, utilizar suas terras, respeitando esse Código Florestal”, declara.
O presidente reforça que as pessoas que vivem na região não podem ser excluídas da atividade econômica por exigências externas que não dialogam com a legislação brasileira. Ele alertou que os efeitos colaterais da medida também atingem a indústria nacional. “A Moratória não só prejudica o bioma amazônico, como toda a indústria nacional, já que as máquinas agrícolas têm um valor muito maior que carros e outros bens de consumo, e são produzidas no sul e sudeste do nosso país, ou seja, a Moratória está tornando o Brasil mais pobre, está deixando o Estado de arrecadar e oferecer serviços públicos para toda a população”, salienta.
O diretor executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa, também a classificou como uma afronta à soberania brasileira e destaca os prejuízos econômicos que ela pode causar ao estado e aos municípios. “São R$ 20 bilhões em receita que deixam de ser geradas em função da Moratória, com impacto econômico e social para todos esses municípios. Mas nós sabemos muito bem que, numa matriz insumo e produto, nós não temos só o que é gerado dentro da propriedade, mas para cada R$ 1,00 que é investido dentro da propriedade, outros R$ 3,00 são gerados fora. Portanto, nós estamos falando de um impacto potencial de mais de R$ 60 bilhões, que deixam de ser gerados de receita no estado do Mato Grosso, em função desse impedimento causado pela moratória”, frisa.
Além disso, o presidente da Aprosoja MT lembrou da recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu a Lei nº 12.709/2024, aprovada em Mato Grosso, que previa a retirada de incentivos fiscais das empresas signatárias da moratória. “Nada impede essas empresas, que correspondem a 94% do mercado comprador de atenderem o mercado europeu exportando produtos provenientes das áreas desmatadas anterior a 2008, desde que eles façam todo o caminho logístico de rastreabilidade separado e passem os custos aos compradores. O que não é justo é eles penalizarem de forma organizada várias empresas, simplesmente restringindo a compra de todas as áreas desses produtores”, finalizou o presidente da Aprosoja MT e vice-presidente da Aprosoja Brasil, Lucas Costa Beber.
Fonte: Assessoria
Colaborou: Astrogildo Nunes – astrogildonunes56@gmail.com
Agricultura
Paz no Oriente Médio pode ampliar oferta de fertilizantes
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O avanço das tratativas de paz no Oriente Médio pode exercer pressão de baixa sobre o mercado global de fertilizantes nos próximos meses. A avaliação é de Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, que aponta que a possível retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz e a normalização do escoamento da produção da região tendem a aumentar a oferta internacional de adubos.
Segundo o analista, a expectativa de reabertura das rotas logísticas fortalece a percepção de que mais fertilizantes poderão chegar ao mercado global. “O avanço das tratativas de paz no Oriente Médio é um fator baixista para o mercado global de fertilizantes. A expectativa de retomada da navegação pelo Estreito de Ormuz, por um lado, e do retorno do escoamento dos fertilizantes produzidos no Oriente Médio, por outro, reforçam a ideia de que, nos próximos meses, a oferta de adubos pode ser maior”, afirmou.
Pernías destaca, porém, que os impactos não devem ocorrer de forma uniforme entre os segmentos que compõem o mercado de fertilizantes NPK. De acordo com ele, os nitrogenados tendem a sentir os efeitos de uma ampliação da oferta de maneira mais imediata, enquanto os fosfatados enfrentam fatores adicionais que limitam uma queda mais acentuada dos preços.
“No mercado de nitrogenados, é mais claro que a liberação do Estreito de Ormuz pode resultar, de imediato, em um aumento da oferta global”, explicou. Já no segmento de fosfatados, além das restrições logísticas observadas nos últimos meses, há a influência da escassez global de enxofre, matéria-prima fundamental para a produção desses fertilizantes.
Segundo o analista da StoneX, a menor disponibilidade de enxofre no mercado internacional elevou os custos de produção e levou fabricantes de fosfatados a reduzirem suas taxas de utilização. “Os preços se mantiveram elevados, e isso tem sido um fator adicional de suporte para essas cotações”, observou.
Na avaliação de Pernías, mesmo com uma eventual normalização do fluxo de fertilizantes oriundos do Oriente Médio, a recuperação da oferta global de enxofre pode levar mais tempo. “Considerando que pode levar algum tempo para que a oferta de enxofre no mercado global se normalize, isso também pode significar que, particularmente no segmento de fosfatados, a rigidez de preços seja o cenário mais provável no curto prazo”, afirmou.
O comportamento recente das cotações reforça essa diferença entre os mercados. De acordo com o analista, a ureia, principal fertilizante nitrogenado, acumulou oito semanas consecutivas de queda nos preços, enquanto o MAP, um dos principais fosfatados comercializados, manteve estabilidade no mesmo período.
“Um dos fatores que ilustram esse quadro está justamente na diferença da trajetória de preços observada entre a ureia, um nitrogenado, e o MAP, um fosfatado, nas últimas semanas. A ureia, vale lembrar, registrou queda por oito semanas consecutivas, enquanto os preços do MAP se mantêm praticamente estáveis nessas últimas semanas, apesar de a demanda estar enfraquecida em ambos os mercados”, concluiu.
Agrolink – Seane Lennon
Colaborou: Astrogildo Nunes – astrogildonunes56@gmail.com
Agricultura
Trigo: como proteger a produtividade em um cenário de margens apertadas
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A safra de trigo 2026 começa sob pressão. Margens financeiras comprimidas, custos elevados, maior sensibilidade climática e redução de área cultivada formam um cenário que exige do triticultor mais do que experiência — exige racionalidade nas decisões e tecnologia que entregue previsibilidade. É nesse contexto que a BASF Soluções para Agricultura chega à safra com um movimento estratégico: o reposicionamento da plataforma BASF PRÓ Trigo, com portfólio renovado e uma nova lógica de recomendação técnica pensada para simplificar o manejo do produtor do início ao fim do ciclo.
O triticultor de 2026: mais seletivo, mais técnico
Quem acompanha o campo sabe que o perfil do triticultor mudou. Graziela de Morais, gerente de Marketing de Cultivos da BASF Soluções para Agricultura, observa essa transformação de perto e é direta ao descrevê-la: o produtor está mais orientado a dados, planeja sua lavoura com antecedência e toma decisões com base em gestão de risco. Ele não investe mais por hábito — investe onde o retorno é mais claro.
“O triticultor tem tomado decisões baseadas em onde ele vai investir, que é onde ele pode ter o maior retorno dentro da sua lavoura”, afirma Graziela. “Ele busca proteção do potencial produtivo e redução de perdas, porque assim consegue evitar a elevação de custos que vivenciamos cada dia mais no agro e entregar sua lavoura dentro do valor esperado desde o planejamento inicial”, explica.
Essa seletividade, segundo ela, também está ligada a uma característica própria do trigo dentro do sistema produtivo. O cultivo não existe de forma isolada: o triticultor parte de uma lavoura anterior e, ao encerrar a safra, prepara o terreno para a próxima cultura. Um manejo técnico bem executado gera ganhos que se acumulam ao longo das estações — no solo, no controle de pragas e daninhas e na resposta às tecnologias aplicadas.
Manejo fitossanitário: sem margem para perder o momento
Em um cultivo com janelas tão estreitas como o trigo, o controle fitossanitário é determinante. Graziela é categórica: perder o timing do manejo compromete todo o resultado econômico da lavoura – e em um ano de margens já pressionadas, esse erro tem custo ainda maior.
“Se a gente perder o timing do manejo, compromete todo o resultado econômico da lavoura”, afirma a gerente. O controle de doenças protege diretamente a produtividade e a qualidade do grão. A pressão de daninhas também pesa no resultado final. E tudo começa antes mesmo da semeadura.
Para Graziela, um bom estabelecimento da lavoura — com germinação uniforme e vigor inicial — é o primeiro passo para construir previsibilidade ao longo de todo o ciclo. “Um bom estabelecimento favorece uniformidade, vigor e traz mais tolerância aos desafios ao longo do ciclo produtivo e reprodutivo da lavoura”, ressalta. Essa base sólida é o que sustenta a resposta eficiente às tecnologias aplicadas nas fases seguintes.
BASF PRÓ Trigo: menos complexidade, mais resultado
O reposicionamento da plataforma BASF PRÓ Trigo nasce de uma escuta ativa do mercado. Depois de anos liderando ou figurando entre os protagonistas do segmento, a BASF identificou uma dor real do triticultor: o excesso de informação e a complexidade das recomendações técnicas disponíveis.
“O agricultor não decora protocolo. Ele decora aquilo que vai trazer eficiência para a sua lavoura. Ele quer mais simplicidade, ele quer uma recomendação mais eficiente”, resume Graziela.
A empresa descontinuou três produtos do portfólio anterior e introduziu novas soluções, compondo uma plataforma mais enxuta, com cobertura do pré-plantio até a colheita. O objetivo é conectar proteção e recomendação técnica de forma integrada, reduzindo a complexidade operacional e aumentando a confiança do produtor em cada decisão de manejo. “É um reposicionamento de portfólio mais simples, com maior eficiência e com recomendação técnica muito bem fundamentada”, define a gerente.
A mensagem final de Graziela de Morais para o triticultor resume o espírito da safra 2026: em um cenário desafiador, eficiência e consistência técnica fazem ainda mais diferença. “O produtor precisa de manejo integrado, previsibilidade e soluções que ajudem a proteger a produtividade e rentabilizar até o final a sua lavoura”, afirma.
Para saber mais sobre a nova plataforma BASF PRÓ Trigo, clique aqui.
Agrolink – Aline Merladete
Colaborou: Astrogildo Nunes – astrogildonunes56@gmail.com
Agricultura
El Niño preocupa produtores do norte de Mato Grosso e aumenta temor de replantio da soja
Foto: Reprodução
Previsões indicam atraso das chuvas e calor acima da média durante período decisivo para o início da safra 2026/27
Produtores rurais do norte de Mato Grosso acompanham com atenção as previsões climáticas para o segundo semestre de 2026. A possibilidade de formação e fortalecimento do fenômeno El Niño gera preocupação justamente no momento em que o setor se prepara para iniciar o plantio da nova safra de soja, principal cultura agrícola do estado.
A apreensão é maior em municípios da região norte, como Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Cláudia, Vera e Feliz Natal, onde milhares de hectares dependem da regularidade das chuvas para garantir uma boa germinação das sementes e o estabelecimento inicial das lavouras.
Caso as precipitações atrasem ou ocorram de forma irregular, o cenário pode trazer impactos diretos para os produtores, elevando custos operacionais e aumentando os riscos da safra.
Plantio pode enfrentar período crítico
O início da temporada de plantio costuma ocorrer entre setembro e outubro, período que marca a transição da estação seca para a chuvosa em Mato Grosso.
No entanto, modelos climáticos vêm apontando a possibilidade de temperaturas acima da média e chuvas abaixo do esperado justamente nesse intervalo. A combinação preocupa porque a soja necessita de umidade adequada logo após a semeadura para garantir uma germinação uniforme.
Quando a chuva falha após o plantio, parte das sementes pode não emergir corretamente, comprometendo a formação da lavoura. Em situações mais severas, produtores podem ser obrigados a realizar o replantio de áreas inteiras, aumentando significativamente os custos da produção.
Além do gasto adicional com sementes, combustível e operações agrícolas, o replantio também pode provocar atraso no calendário produtivo e afetar o desempenho da segunda safra.
Norte de Mato Grosso concentra grande parte da produção
A preocupação ganha relevância porque a região norte concentra algumas das maiores áreas produtoras de grãos do país.
Mato Grosso segue liderando a produção nacional de soja e milho, sendo responsável por uma parcela significativa das exportações brasileiras. Qualquer alteração no comportamento climático durante a fase inicial das lavouras pode impactar não apenas os resultados das propriedades rurais, mas também toda a cadeia do agronegócio.
Nos últimos anos, produtores investiram fortemente em tecnologia, sementes de alta performance e agricultura de precisão. Mesmo assim, o clima continua sendo um dos fatores mais determinantes para o sucesso da safra.
Atenção redobrada ao monitoramento climático
Diante das incertezas, cresce a procura por informações meteorológicas e ferramentas de monitoramento que permitam decisões mais estratégicas no campo.
A expectativa é que muitos produtores adotem uma postura mais cautelosa na abertura do plantio, aguardando volumes de chuva mais consistentes antes de iniciar a semeadura em larga escala.
Especialistas do setor ressaltam que acompanhar previsões atualizadas pode ajudar a reduzir riscos e evitar prejuízos causados por plantios realizados em condições inadequadas de umidade.
As preocupações relacionadas ao El Niño não se limitam à soja. A possibilidade de um período mais seco também acende alerta para a pecuária e para os incêndios florestais.
Com menos chuva, as pastagens podem perder qualidade mais rapidamente e grandes áreas de vegetação seca passam a representar combustível para a propagação do fogo.
O histórico recente mostra que anos de estiagem prolongada costumam aumentar os desafios enfrentados pelos produtores rurais, exigindo planejamento e atenção redobrada durante toda a temporada.
Enquanto o plantio ainda não começou, agricultores do norte de Mato Grosso seguem observando o comportamento da atmosfera e torcendo para que as chuvas cheguem no momento certo. Afinal, para quem vive do campo, o sucesso da próxima safra começa muito antes da primeira semente tocar o solo.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – astrogildonunes56@gmail.com
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