Agronegócio
Viticultura ganha força com novo roteiro

Imagem: Faep
A proposta funciona como estratégia de valorização dos produtores rurais e demais elos da cadeia. Ao conectar empreendimentos, estimular a permanência de visitantes nas regiões produtoras e organizar a oferta de experiências, a iniciativa contribui para ampliar renda, diversificar atividades nas propriedades e consolidar novos canais de comercialização.
Guerra pressiona custos no campo
“O Sistema FAEP participa ativamente desse projeto, principalmente investindo na qualificação dos nossos produtores rurais para que fortaleçam o turismo rural”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “O agro vai muito além da produção. Isso mostra a força, a pujança e o espaço que a viticultura tem na economia estadual. Por isso, nós trabalhamos para colocar os produtos na vitrine do Paraná e do Brasil”, complementa.
O Sistema FAEP contribui diretamente para a qualificação dos produtores rurais deste segmento por meio de cursos voltados ao turismo rural e olericultura, como gestão de negócios, hospedagem, paisagismo, cultivo, entre outros temas, fortalecendo a profissionalização das propriedades. Gilmar Brizola, José Zanchetta e Elton Ricardo Pires participaram dos treinamentos de turismo rural e já estão aplicando o conhecimento na organização das propriedades e no atendimento aos visitantes.

Tradição e oportunidade
Filho e neto de imigrantes espanhóis e italianos, Brizola implantou videiras em uma área antes ocupada por pedras em Santo Antônio do Sudoeste. Além do cultivo das uvas e da agroindústria que produz vinhos, sucos e geleias, a família também atua no turismo rural, atividade que passou a integrar a rotina e incrementar a renda da propriedade. Para receber os visitantes, a família investiu em estrutura, com a construção de um pergolado coberto que, além de abrigar as placas solares, concentra as degustações.
“Já recebíamos visitas de maneira informal e tínhamos o hábito de acolher e compartilhar o que produzíamos. Foi assim que percebemos a possibilidade de ampliar a proposta de negócio e desenvolver o turismo rural”, conta Brizola. “A Rota pode aumentar a visibilidade das pequenas propriedades, como a nossa, e contribuir para a vinda de turistas e recursos para ampliar as atividades da propriedade”, reforça.

Em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a propriedade de José Zanchetta tem 140 anos de história e cinco gerações dedicadas ao cultivo da uva. “Sou totalmente ligado às tradições, tive uma ligação forte com meu nono, que me ensinou a cultura da uva. A família se reunia na safra para fazer a colheita, fazer pizza, era um encontro, uma tradição”, conta o produtor, que hoje organiza a propriedade para receber pessoas e oferecer experiências ligadas à cultura da uva.
Entre as experiências que oferece está a Pisa da Uva. A propriedade também trabalha com o sistema colhe e pague. “A experiência permite que os visitantes participem do processo de colheita e vivenciem a cultura da uva”, afirma Zanchetta. Em 2019, o produtor recebeu um prêmio nacional como ‘negócio inovador’.

Depois disso, segundo o produtor, o turismo passou a representar uma parcela crescente da renda da família e atualmente tem papel importante em relação ao modelo tradicional de comercialização da uva, especialmente durante a safra, em dezembro e janeiro. “A demanda cresce principalmente na safra da uva, que é um atrativo. Dobra o número de clientes e também a procura por eventos relacionados à uva”, afirma.
Fora do período da colheita, a estratégia é manter o fluxo com almoços e recepção de grupos. “Com a vinda dos turistas, fazemos divulgação e mostramos que durante todo o ano temos os atrativos. Isso proporciona ao pessoal vir também fora da safra”, destaca o produtor.
Em Marialva, a família Pires trabalha com uva desde 1992. Há dois anos, a propriedade passou a atuar com a modalidade colhe e pague, após anos de cultivo voltado à venda em atacado para todo o Brasil. “Hoje nosso foco é 100% no turismo rural. Fazemos o colhe e pague e também a venda de sucos e vinhos de produtores da região. A uva é o nosso forte”, conta o produtor.
Após a abertura ao turismo, a propriedade passou a receber até 400 clientes por dia. A expectativa com a Rota Uva & Vinho Paraná é ampliar ainda mais o fluxo. “Acredito que a rota seja vantajosa para divulgação, para atrair pessoas. É um roteiro turístico e uma experiência leva a outra”, avalia. “Espero fazer conexões com pessoas, ampliar a parte de sucos e vinhos. Quero fazer amizades que possam agregar ao nosso negócio” completa.

Lançamento da rota reuniu autoridades em Curitiba
O lançamento oficial da Rota Uva & Vinho do Paraná ocorreu em 24 de fevereiro, no Memorial de Curitiba, com a presença do governador em exercício Darci Piana; do secretário estadual da Agricultura, Márcio Nunes; do presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette; e do diretor presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Natalino Avance de Souza, além de outras autoridades e representantes do enoturismo estadual.
Na ocasião, Piana destacou a articulação do Poder Executivo em relação ao ICMS incidente sobre os vinhos produzidos no Paraná. “O vinho do Paraná tinha um imposto igual ao vinho importado. Então, o governador Ratinho Junior concordou em reduzirmos de 28% para 18%”.
A Rota integra o Programa Estadual de Revitalização da Viticultura do Paraná (Revitis), lançado em 2019, que estabeleceu quatro eixos de atuação: incentivo à produção, reorganização da comercialização, apoio à agroindústria e desenvolvimento do turismo.
“Cada pilar é formado por ações estratégicas específicas para proporcionar ao agricultor mais segurança desde o plantio até a comercialização. O programa e, agora, a rota permitem que pequenos produtores ampliem sua competitividade e se posicionem de forma sólida no mercado”, destaca Nunes.

Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Cota chinesa de carne perto do limite acende alerta para pecuaristas e pode baixar preço nos açougues

Esgotamento da cota de exportação para a China pode forçar o escoamento da produção de carne no mercado interno brasileiro – Divulgação
O mercado da pecuária brasileira entrou em estado de cautela nesta semana. Segundo dados do Ministério do Comércio Chinês, o Brasil já atingiu metade da cota de exportação de carne bovina fixada para 2026. Com o teto estabelecido em 1,106 milhão de toneladas, a previsão é que o limite seja alcançado já no mês de junho.
Para o setor em Mato Grosso e estados vizinhos, o cenário traz um misto de preocupação e expectativa. Caso a cota não seja ampliada, o excedente da produção brasileira enfrentará uma tarifa de 55% de salvaguarda para entrar na China, o que deve forçar o escoamento dessa carne para o mercado interno, pressionando os preços para baixo.
Impacto na Arroba e Prejuízo no Campo
O esgotamento precoce da cota deve impactar diretamente o valor da arroba do boi gordo. Especialistas do setor apontam que, sem a vazão para o mercado chinês, a tendência é de uma baixa acentuada nos preços pagos ao produtor no segundo semestre.
“O momento é de muita cautela. Com o mercado interno ainda em ritmo de recuperação, uma sobrecarga de oferta pode trazer prejuízos tanto para o pecuarista quanto para as indústrias frigoríficas”, destacam analistas. Até a última sexta-feira (08), a cotação da arroba em regiões próximas operava na casa dos R$ 346,50, valor que agora fica sob pressão direta.
Estratégia de Diversificação: O Plano B do Setor
Entidades representativas já buscam mercados alternativos para evitar o represamento da carne produzida em estados como Mato Grosso. A estratégia foca em ampliar as vendas para a Europa e outros países asiáticos que possuem alta demanda pelo produto brasileiro, mas que hoje compram volumes menores que a China.
O que muda para o consumidor final?
Apesar das preocupações do setor produtivo, o consumidor brasileiro pode ver um alívio nos preços nos açougues e supermercados. Se a carne brasileira se tornar menos competitiva na China devido às tarifas, o volume será redirecionado para as prateleiras nacionais, favorecendo a queda nos valores dos cortes bovinos no segundo semestre de 2026.
Entenda a Salvaguarda Chinesa
O que é o limite? Um teto de importação para regular o mercado interno da China.
Qual a punição? Volumes que excederem o limite pagam 55% de tarifa adicional.
Até quando vale? A medida tem validade até o final de 2028, com pequenos aumentos anuais na cota.
Você acredita que essa queda no preço da carne vai chegar rapidamente à mesa do consumidor mato-grossense, ou os custos de logística vão segurar os valores nos supermercados? Como o pecuarista da nossa região deve se preparar para esse cenário de arroba pressionada?
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Preço da melancia recua com clima mais ameno no Sul e Sudeste, aponta Cepea

Foto: Ceagesp
As cotações da melancia graúda (acima de 12 kg) registraram queda na última semana, influenciadas principalmente pela redução da demanda nos principais centros consumidores do país. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, as
Oferta restrita ainda sustenta preços em patamar elevado
Apesar da retração nas cotações, os preços da melancia seguem em níveis considerados altos, acima de R$ 2,00 por quilo. Isso ocorre porque a disponibilidade da fruta continua limitada no mercado nacional.
Atualmente, o abastecimento está concentrado em Uruana, uma das principais regiões produtoras neste período, o que restringe a oferta e impede quedas mais acentuadas nos preços.
Tendência é de novas quedas com clima ameno
Para esta semana, a expectativa é de continuidade no movimento de queda das cotações. Segundo pesquisadores do Cepea, a manutenção das temperaturas mais baixas nas regiões consumidoras deve seguir limitando a demanda pela fruta.
Esse cenário reforça a relação direta entre clima e consumo no mercado de hortifrúti, especialmente para produtos como a melancia, que têm maior procura em períodos de calor.
Mercado segue atento ao equilíbrio entre oferta e demanda
O comportamento dos preços nas próximas semanas dependerá da intensidade da demanda e da evolução da oferta. Caso o clima permaneça ameno e novas regiões não entrem na colheita, o mercado pode continuar operando com preços em ajuste gradual.
Enquanto isso, produtores e comerciantes acompanham de perto as condições climáticas e o ritmo de consumo, fatores determinantes para o desempenho da melancia no mercado nacional.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Preço do frango bate recorde negativo e atinge menor nível desde maio de 2024

Divulgação
O preço do frango vivo no mercado brasileiro registrou forte queda em fevereiro — acumulando o quarto mês consecutivo de recuo e alcançando o menor patamar real desde maio de 2024, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A redução nos valores tem pressionado as margens dos avicultores, especialmente diante de custos ainda firmes dos principais insumos da atividade.
Queda nos preços e relação com insumos
No estado de São Paulo, em fevereiro o preço médio do frango vivo ficou em R$ 5,04 por quilo, representando uma queda de 2,1% em relação à média de janeiro deste ano. Esse movimento colocou a proteína no seu menor valor real desde maio de 2024, quando ajustado pelo índice de preços ao produtor.
Enquanto isso, os preços dos insumos-chave — milho e farelo de soja — permaneceram estáveis ou com leve alta no período, o que tem reduzido o poder de compra do avicultor, já que é possível adquirir menos insumo com a venda de cada quilo de frango.
Relação de troca pressionada
De acordo com os cálculos do Cepea, com a venda de um quilo de frango vivo o produtor paulista consegue comprar atualmente:
cerca de 4,47 quilos de milho, volume 1,9% menor do que o observado em janeiro;
aproximadamente 2,73 quilos de farelo de soja, 2,6% inferior ao mês anterior.
Essa piora na relação de troca evidencia que os custos de produção seguem desafiadores para os avicultores, mesmo diante de preços mais baixos da proteína.
Exportações ajudam a limitar queda
Apesar da pressão de baixa no mercado interno, o Cepea ressalta que o ritmo recorde das exportações brasileiras de carne de frango tem atuado como um fator de sustentação, evitando que os preços recuassem ainda mais. A demanda externa aquecida tem funcionado como um suporte para o mercado, compensando parcialmente a fraqueza das vendas domésticas.
Cenário para o setor
O ambiente de preços mais baixos no frango, combinado com custos de alimentação animal estáveis ou em leve alta, representa um desafio importante para os produtores avícolas no curto prazo. A queda prolongada pode pressionar as margens e exigir ajustes de gestão, especialmente para pequenos e médios avicultores que já lidam com margens apertadas.
Por outro lado, a forte presença da proteína brasileira nos mercados internacionais deve continuar sendo observada como um dos principais fatores de apoio às cotações, caso os embarques se mantenham em níveis elevados nos próximos meses.
Cenário Rural
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
-

Mato Grosso4 dias atrásFrente fria em Cuiabá: Quando o termômetro cai para 13°C?
-

Notícias6 dias atrásSustentabilidade e desenvolvimento social norteiam palestra direcionada aos Pontos de Cultura de MT
-

Notícias7 dias atrásRS lança pavilhão da Agricultura Familiar na Expointer 2026
-

Transporte6 dias atrásPolícia Civil deflagra operação contra grupo suspeito de aplicar golpe em moradora de MT
-

Agronegócio7 dias atrásSafra de morango exige atenção redobrada ao pulgão-da-raiz
-

Mato Grosso3 dias atrásMãe, o primeiro amor da nossa vida
-

Mato Grosso6 dias atrásEmpaer mobiliza cooperativas e associações da agricultura familiar para conhecer projeto MT Produtivo
-

Transporte6 dias atrásCorpo de Bombeiros reforça campanha Maio Amarelo com ações educativas e preventivas







































