Economia
Arco Norte se consolida como rota de entrada e saída de produtos agropecuários
Porto de Santarém, no Pará
Os portos do Arco Norte são os principais eixos de entrada de adubos e fertilizantes no país, ultrapassando o volume de desembarque verificado em Paranaguá. A mudança foi iniciada em 2024 e se consolidou no ano passado, quando em 2025 foram registradas 13,36 milhões de toneladas internalizadas a partir do Arco Norte contra 10,89 milhões de toneladas desembarcadas no porto do Paraná. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26) durante a apresentação do Anuário Agrologístico 2026 – Volume 3.
“Claramente, a gente percebe nos últimos 10 anos um deslocamento do sul para o norte do Brasil. A parte do Centro-Norte do país tem assumido uma relevância muito significativa na saída do grão brasileiro e também tem se aproveitado dessa própria logística para a importação dos fertilizantes que vem de fora do Brasil, em especial o potássio, a ureia e também o fosfatado, que são utilizados para a produção agrícola brasileira. Esse deslocamento se deve, principalmente, a investimentos públicos que foram feitos e isso tem contribuído para que haja essa mudança significativa. Antes todo o grão de Mato Grosso saía ou por Paranaguá ou, principalmente, por Santos. Agora, se reduziu a distância até o porto pela região do estado do Pará, como também do Maranhão, pelo porto de Itaqui, e isso tem contribuído de forma bastante expressiva para ampliação da área de produção”, avalia o presidente da Conab, Sílvio Porto.
“Um dos fatores que explica essa alta é a utilização da modalidade de frete de retorno, visando à diminuição do custo logístico. Ou seja, movimenta-se em direção aos portos com os grãos e retorna para as regiões produtoras com os fertilizantes”, explica o diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Arnoldo de Campos. “Isso torna evidente a importância do governo federal continuar com os investimentos na região do Arco Norte e nos sistemas de transportes para essas rotas, não somente visando a exportação dos grãos, mas também, às importações dos insumos, completando o atendimento logístico da cadeia produtiva como um todo, aumentando a competitividade nacional”, complementa.
Ainda de acordo com o Anuário, no período de 2021 a 2025, foi alcançado um crescimento nas importações de fertilizantes por esse complexo portuário de 62,7%, contra queda de -0,8% observado em Paranaguá. “As melhorias das condições de infraestrutura nos Portos do Arco Norte e a proximidade com as principais regiões produtoras de grãos e fibras do país, juntamente com os fretes de retorno, contribuem para que o fluxo de importações de fertilizantes por esta região”, analisa o superintendente de Logística Operacional da Companhia, Thomé Guth.
Dentre os portos do Arco Norte, foram desembarcadas em Itaqui, no Maranhão, 34% do volume de fertilizantes internalizados pelo conjunto dos portos. O porto de Santarém, no Pará, participou com 22% do total regional, captando especialmente, as cargas oriundas dos estados do Pará e de Mato Grosso e do oeste de Tocantins. Já o porto de Salvador respondeu por 21% das importações, visando o atendimento da região do Matopiba, particularmente o Oeste Baiano, grande produtor de algodão, soja e milho.
A consolidação da região do Arco Norte como eixo de escoamento dos produtos agropecuários também traz novos desafios para o setor público. “Nós precisamos entender que esses processos logísticos também são vetores da expansão agrícola brasileira, e acende uma grande preocupação principalmente a expansão agropecuária na Amazônia, o que isso gera um tensionamento, desmatamento e conflitos agrários. Esse anuário nos permite que façamos uma análise mais ampla não só do fluxo das mercadorias, mas os impactos nos territórios gerados a partir desse processo de expansão agropecuária”, pondera o presidente da estatal.
Exportações de grãos
A maior entrada de adubos e fertilizantes pelo Arco Norte é influenciada pelos portos da região se firmarem como principal escolha para o escoamento de milho e soja em grãos para o mercado internacional. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de grãos pelos portos do Arco Norte, saíram de 36,56 milhões de toneladas em 2021 para 58,06 milhões de toneladas em 2025, incremento de 59%. O destaque vai para o porto maranhense de Itaqui, que partiu de 11,55 milhões de toneladas movimentadas em 2021 para 20,14 milhões de toneladas em 2025, elevação de 74% no período. Na sequência, aparece o porto de Barcarena/PA, por onde, em 2021, foram escoados 12,14 milhões de toneladas, e, em 2025, o volume exportado foi de 16,03 milhões de toneladas. Outro destaque é o desempenho registrado em Itacoatiara/AM. Em 2021 foram escoados pelo porto do Amazonas 3,83 milhões de toneladas, enquanto em 2025 os embarques de grãos atingiram 11,02 milhões, alta de 188% no período. “Essa evolução ocorre em razão dos investimentos realizados tanto nos portos, como nos acessos, utilizando os diversos modos, seja rodovia, hidrovia e ferrovia”, pondera Guth.
Embarques de milho e soja em 2025
Segundo dados do MDIC, apenas as exportações acumuladas de soja atingiram, no ano passado, 108,18 milhões de toneladas, representando um acréscimo de 9,48% em comparação com as registradas em 2024. Deste volume, 36,2% foram escoadas pelos portos do Arco Norte, seguido do porto de Santos, por onde foram movimentadas 32% das exportações, e por Paranaguá, responsável por 13,4% dos embarques. O estado de Mato Grosso permaneceu como principal exportador da oleaginosa com 32,06 milhões de toneladas, seguido por Goiás, com 12,94 milhões, pelo Paraná, com 11,29 milhões, Rio Grande do Sul, com 8,29 milhões, e Mato Grosso do Sul, com 6,12 milhões.
Já as vendas ao mercado externo de milho em 2025 chegaram a 40,98 milhões de toneladas, acréscimo de 3% em relação ao registrado no mesmo período do ano anterior. O estado de Mato Grosso participou com 56% do total das exportações brasileiras e Goiás aparece como o segundo colocado, contribuindo com 11% das vendas internacionais. O escoamento segue majoritariamente pelo Arco Norte, com 48% do volume exportado saindo pelos portos da região, seguido por Santos, por onde foram embarcados 36,9% das exportações, e pelo porto de Paranaguá, por onde foram expedidos 10,4% do cereal vendido ao mercado externo.
O porto de Itaqui, apresenta grande importância no escoamento de milho e soja em grãos produzidos na região do Matopiba. No caso do cereal, quase a totalidade do volume exportado pela região é embarcado por aquela plataforma. No entanto, o Anuário indica uma queda nas exportações de milho produzido pelos agricultores do Matopiba por Itaqui nos últimos anos. Após o pico registrado em 2023, com a exportação de 5,57 milhões de toneladas, os volumes de embarques do cereal passaram para 2,73 milhões de toneladas em 2024, e 1,41 milhão de toneladas no ano passado. Segundo a análise da Conab, essa queda nas vendas ao mercado externo pode ser explicada pelo aumento do consumo doméstico impulsionado pela produção de etanol de milho com a implantação de usinas em estados no Nordeste. “Esse cenário reforça a importância da atuação da Conab junto, principalmente, aos pequenos criadores de animais da região, sobretudo aos produtores de ovos, leite e carnes, visando assegurar a regularidade de abastecimento de milho, importante insumo da alimentação animal, a partir do Programa de Venda em Balcão, o ProVB”, reforça Arnoldo de Campos.
Escoamento por modos de transporte
A publicação ainda traz a evolução entre os principais modos de transporte utilizados para a exportação de grãos entre 2010 e 2025. A participação do modal hidroviário passou de 8% em 2010 para 15% no ano passado. Já o modal ferroviário perdeu espaço em percentual de participação, saindo de 53% em 2010 para 38% em 2025. “É preciso lembrar que o Brasil tem batido recordes na produção e exportação de grãos, conforme indicam os dados da Companhia, o que pressiona a logística como um todo. Mesmo com os investimentos em ferrovias e hidrovias, o modal rodoviário já está estabelecido e, em momentos de estresse, é mais utilizado pelos produtores para escoar a produção”, pondera o superintendente da Conab.
A análise da Conab ainda mostra que a partir da consolidação do Arco Norte como eixo de escoamento de produtos agropecuários nota-se o desenvolvimento de planos estratégicos que abrangem portos e estações de transbordos, nos estados de Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Maranhão, regiões fundamentais para o escoamento dos grãos produzidos principalmente em Mato Grosso e Matopiba. “A plena consolidação do projeto Arco Norte, irá depender da inclusão de vários modos de transporte, dentre eles ferrovia, rodovias e hidrovias. Os mais difíceis de viabilizar são os de navegação por rios ou mar, com a modernização dos portos, inclusive os interiores, juntamente com a adequação e desenvolvimento das embarcações, sistemas que precisam avançar e que exigem grandes investimentos”, analisa Guth.
Os principais pontos do estudo estão disponíveis no resumo executivo do Anuário Agrologístico 2026 – Volume 3. As análises completas com os dados de exportação de soja, milho e farelo de soja, bem como os dados de importação de fertilizantes serão divulgadas na íntegra do documento a ser publicado ainda nesta semana no site da Conab.
com Assessoria Conab
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – astrogildonunes56@gmail.com
Economia
Mato Grosso alcança marca histórica e mantém liderança nacional em soja, milho e algodão
Divulgação
Poucos estados conseguem liderar um setor por alguns anos. Mato Grosso faz isso há décadas. Na safra 2025/26, o estado reafirma sua posição como a maior potência agrícola do Brasil ao manter a liderança nacional na produção de soja, milho e algodão, consolidando uma trajetória que atravessa gerações de produtores rurais.
Dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que Mato Grosso deverá colher aproximadamente 111,3 milhões de toneladas de grãos e fibras nesta temporada, volume suficiente para manter o estado como o maior produtor agrícola do país e responsável por cerca de 31% de toda a produção nacional.
O resultado reforça a importância estratégica do agronegócio mato-grossense para o abastecimento interno e para as exportações brasileiras.
Estado lidera a produção de soja há 26 safras consecutivas
A soja continua sendo um dos principais símbolos da força agrícola de Mato Grosso.
Na safra 2025/26, o estado alcançou um novo recorde histórico ao produzir 51,6 milhões de toneladas do grão, superando o volume registrado na temporada anterior.
Mais impressionante que o número é a consistência: Mato Grosso ocupa a liderança nacional da soja desde a safra 1999/00, mantendo o posto por 26 safras consecutivas.
O desempenho reflete a combinação de tecnologia, produtividade, pesquisa agrícola e profissionalização do campo, fatores que transformaram o estado em referência mundial na produção de alimentos.
Algodão completa quase três décadas na liderança
Se a soja impressiona, o algodão revela uma história ainda mais longa.
Mato Grosso lidera a produção brasileira de algodão em pluma desde a safra 1997/98, sequência que chega a 29 safras consecutivas.
Ao longo desse período, o estado se transformou em uma das principais referências mundiais da cultura, produzindo uma fibra reconhecida pela qualidade e competitividade nos mercados internacionais.
Mesmo com desafios climáticos enfrentados em diferentes temporadas, a liderança permaneceu intacta.
Milho mantém protagonismo nacional
O milho também reforça a hegemonia mato-grossense.
Desde a safra 2012/13, Mato Grosso ocupa o primeiro lugar no ranking nacional da produção do cereal, posição mantida por 14 safras consecutivas.
Grande parte desse avanço está ligada ao desenvolvimento da segunda safra, conhecida como safrinha, que revolucionou a agricultura brasileira e encontrou no estado condições ideais para crescimento.
Hoje, além de abastecer o mercado interno, o milho produzido em Mato Grosso atende indústrias de etanol, nutrição animal e exportação.
Produção cresce mesmo com desafios climáticos
A safra 2025/26 foi marcada por ajustes climáticos em diferentes regiões produtoras. Ainda assim, Mato Grosso conseguiu ampliar sua área cultivada para 22,76 milhões de hectares, crescimento de 2,1% em relação ao ciclo anterior.
O desempenho mostra a capacidade de adaptação dos produtores e o alto nível tecnológico empregado nas propriedades rurais do estado.
Máquinas modernas, agricultura de precisão, pesquisa genética e manejo avançado permitiram manter elevados índices de produtividade mesmo diante das oscilações climáticas.
Ambiente de negócios impulsiona crescimento
Especialistas apontam que a liderança de Mato Grosso não está ligada apenas às condições naturais favoráveis.
O avanço da infraestrutura, a oferta de crédito, os programas de incentivo e a segurança para investimentos ajudaram a criar um ambiente propício para o crescimento do setor.
Um dos exemplos é o Proalmat, programa estadual voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva do algodão, que contribuiu para aumentar a competitividade do segmento e estimular novos investimentos.
Segundo a secretária adjunta de Agronegócio, Crédito e Energia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), Linacis Vogel Lisboa, a permanência no topo é resultado de um trabalho construído ao longo dos anos.
“Liderar a produção de algodão por quase 30 anos, de soja por 26 safras consecutivas e de milho há 14 safras não é coincidência. É o resultado de investimentos, planejamento, infraestrutura e confiança do setor produtivo”, destacou.
Mato Grosso segue como motor do agro brasileiro
Mais do que números, os resultados da safra 2025/26 mostram a dimensão da importância de Mato Grosso para a economia nacional.
O estado lidera a produção de alimentos, fibras e energia renovável, movimenta bilhões de reais em exportações e sustenta milhares de empregos diretos e indiretos.
Enquanto novos investimentos chegam ao campo e à agroindústria, Mato Grosso amplia sua posição como principal potência agrícola do Brasil, mantendo uma liderança construída ao longo de décadas e que segue firme mesmo diante dos desafios de cada safra.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – astrogildonunes56@gmail.com
Economia
PIX Parcelado avança e começa a disputar espaço com o cartão de crédito
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro continua evoluindo e ampliando suas funcionalidades. Depois de transformar transferências e pagamentos do dia a dia, o PIX agora avança também sobre um território historicamente dominado pelo cartão de crédito: o parcelamento de compras.
De acordo com a Pesquisa Meios de Pagamento no Brasil 2026, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, 38% dos consumidores já utilizam ou já experimentaram o PIX Parcelado, sinalizando o avanço da ferramenta sobre uma das funções mais tradicionais do crédito no Brasil.
O dado indica que o sistema começa a ganhar relevância também em operações que exigem financiamento da compra, ampliando o papel do PIX no ecossistema de pagamentos.
PIX já domina o cotidiano financeiro
A expansão do PIX Parcelado acontece em um contexto de forte popularização do sistema de pagamentos instantâneos no país. A pesquisa mostra que 80% dos brasileiros já utilizam o PIX, consolidando a ferramenta como o principal meio de pagamento no Brasil.
A adesão ocorre em diferentes tipos de transação. O sistema é amplamente utilizado para:
Transferências pessoais (61%)
Pagamento de contas de consumo, como água e luz (59%)
Compras online (59%)
Pagamentos em supermercados e alimentos (50%)
O uso recorrente também é elevado: 66% dos usuários afirmam utilizar o PIX sempre, evidenciando a centralidade da ferramenta na circulação de dinheiro no país.
Parcelamento é diferencial histórico do cartão de crédito
O avanço do PIX Parcelado ocorre justamente sobre uma das principais vantagens competitivas do cartão de crédito no mercado brasileiro: a possibilidade de dividir pagamentos ao longo do tempo.
Segundo a pesquisa, entre os consumidores que utilizam cartão de crédito, 44% afirmam preferir esse meio justamente pela possibilidade de parcelar compras, além de outros fatores como praticidade (48%), melhor controle de gastos (41%) e prazo para pagamento (38%).
Com a introdução do parcelamento no PIX, surge um novo competidor nesse espaço, oferecendo uma alternativa digital integrada aos aplicativos bancários.
O desenvolvimento de funcionalidades como o PIX Parcelado reflete a rápida evolução do sistema desde sua criação. Inicialmente voltado para transferências instantâneas, o modelo passou a incorporar novos recursos que ampliam seu papel dentro do sistema financeiro.
Entre essas funcionalidades está também o agendamento de pagamentos, já utilizado por 36% dos consumidores, que incorporam o recurso à rotina de organização financeira.
Esse movimento indica que o PIX vem deixando de ser apenas um meio de pagamento para se tornar uma plataforma mais ampla de serviços financeiros.
Impactos para o varejo e para o sistema financeiro
Para o varejo, o avanço do PIX Parcelado pode trazer novas dinâmicas ao processo de pagamento, ampliando as opções disponíveis para o consumidor no momento da compra.
Ao mesmo tempo, a expansão dessa funcionalidade tende a intensificar a competição no mercado de crédito, tradicionalmente dominado pelos cartões.
A tendência é que, à medida que novas soluções sejam incorporadas ao sistema, o PIX continue ampliando sua presença no cotidiano financeiro dos brasileiros, consolidando-se como um dos pilares da digitalização dos pagamentos no país.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – astrogildonunes56@gmail.com
Economia
MP do cacau pode gerar perdas de até R$ 222 milhões por ano e acende alerta na cadeia produtiva, aponta estudo
Reprodução/Portal do Agronegócio
A Medida Provisória 1.341/2026, que altera regras de importação de amêndoas de cacau por meio do regime de drawback, pode provocar impactos significativos na cadeia produtiva do cacau no Brasil. Segundo estudo da Ecoa Consultoria Econômica, encomendado pela Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), as perdas anuais podem chegar a R$ 222 milhões.
O levantamento aponta efeitos negativos sobre o faturamento da indústria, a atividade exportadora e a renda dos produtores rurais, além de aumento da ociosidade das plantas industriais e perda de competitividade internacional.
MP do cacau altera regra do drawback e reduz prazo operacional da indústria
A MP reduz de até 24 meses para apenas 6 meses o prazo das operações de drawback utilizadas pela indústria de moagem de cacau. O mecanismo permite a importação de amêndoas com suspensão de tributos, desde que utilizadas na produção de derivados exportados, como manteiga, licor e pó de cacau.
Na prática, a mudança encurta o tempo de planejamento e execução das operações industriais e comerciais, elevando custos e pressionando a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
Estudo aponta impacto de R$ 207 milhões na indústria e R$ 21,7 milhões no campo
De acordo com a Ecoa Consultoria Econômica, a medida pode provocar:
- Perda de R$ 207 milhões por ano no faturamento da indústria de processamento
- Redução de R$ 21,7 milhões anuais na receita dos produtores rurais
- Aumento de 10,3% no custo da amêndoa importada utilizada na moagem
O estudo afirma que o aumento de custos reduz a competitividade das exportações e leva à diminuição do volume processado, com impacto direto na demanda por cacau.
Exportações podem cair e ociosidade industrial aumentar
O levantamento também projeta efeitos mais amplos sobre a cadeia produtiva:
- Queda de quase 12% no faturamento das exportações de derivados de cacau
- Redução de R$ 196 milhões por ano nas exportações
- Aumento de 9,1% na ociosidade das plantas industriais
- Impacto negativo de R$ 101 milhões no PIB
- Perda de cerca de 2 mil empregos
- Redução de R$ 9,3 milhões na arrecadação tributária
Segundo o estudo, o efeito combinado de menor competitividade e menor escala produtiva pode superar o possível aumento da demanda por cacau nacional.
Indústria alerta para efeito contrário ao objetivo da MP
Para a presidente-executiva da AIPC, Anna Paula Losi, a medida pode ter impacto oposto ao pretendido.
Ela afirma que, embora o objetivo seja proteger o produtor rural, a redução da competitividade industrial pode diminuir a demanda total por cacau, afetando toda a cadeia.
O estudo reforça que o Brasil não produz volume suficiente para suprir integralmente a demanda da indústria exportadora, o que torna o drawback um instrumento relevante para manter o fluxo produtivo.
Bahia deve concentrar maior impacto regional
Os efeitos da MP também têm forte concentração regional. Ilhéus e Itabuna, principais polos da indústria moageira de cacau no país, podem registrar:
- Quase R$ 24 milhões em perdas no PIB local
- Mais de 300 empregos afetados
- Mais de R$ 9 milhões em redução de salários
As duas cidades concentram cerca de 24% das perdas de PIB estimadas no país, segundo o estudo.
Brasil tem vantagem competitiva na cadeia do cacau, aponta análise
O levantamento destaca que o Brasil possui uma posição estratégica por reunir produção agrícola e capacidade industrial de processamento.
Em 2025, o país exportou quase US$ 600 milhões em derivados de cacau, contra apenas US$ 4 milhões em cacau bruto, evidenciando a importância da agregação de valor.
Para a Ecoa Consultoria Econômica, restrições ao regime de drawback podem enfraquecer esse diferencial competitivo ao reduzir a escala industrial e a capacidade de exportação.
Debate sobre política pública deve considerar efeitos em toda a cadeia
O estudo conclui que políticas voltadas ao setor precisam considerar os impactos integrados entre indústria e produção agrícola.
Segundo a AIPC, o fortalecimento da cadeia depende de aumento de produtividade, assistência técnica, acesso ao crédito e instrumentos de gestão de risco, sem comprometer a competitividade industrial.
A entidade alerta que “não existe produtor forte sem demanda forte”, destacando a interdependência entre produção rural e indústria de processamento no mercado de cacau.
Fonte: Portal do Agronegócio
Colaborou: Astrogildo Nunes – astrogildonunes56@gmail.com
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