Café
Cafeicultura sustentável torna Seguro Rural mais barato

Cafeicultura sustentável torna Seguro Rural mais barato – Mapa
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Conselho Nacional do Café (CNC) e a multinacional Pró Natura Internacional assinaram na última terça-feira, 16 de julho, o acordo de Cooperação Técnica (ACT) do projeto “Cafeicultura Brasileira Sustentável – Sistema de Compensação de Crédito de Carbono na Apólice de Seguro Rural no Brasil”.
O projeto utiliza créditos de carbono para beneficiar financeiramente os produtores que adotarem práticas sustentáveis. Na prática isso significa que os cafeicultores brasileiros terão uma proteção financeira adicional contra os riscos agrícolas.
“Esse é um trabalho inédito, e que tem vários focos. Ele trabalha a questão da sustentabilidade, os riscos e as mudanças climáticas, alinhados com o seguro rural”, destaca o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos.
No documento assinado, o acordo visa implantar e desenvolver a viabilidade dos ativos obtidos pelo crédito de carbono, proporcionando a redução de custos para o produtor no pré-custeio da safra. Além disso, o desempenho dos produtores em relação à pegada de carbono será continuamente avaliado.
Segundo o diretor do Departamento de Gestão de Risco, Jônatas Pulquério, o objetivo do acordo é a redução do custo da apólice do seguro rural por meio da compensação financeira da venda dos créditos de carbono. Com isso, o trabalho é feito por meio de uma política de seguro favorável ao produtor rural, em consonância com as boas práticas agronômicas e o enfrentamento às mudanças climáticas.
Com a assinatura do documento, iniciam-se agora os estudos para definição dos percentuais a serem abatidos sobre a apólice do seguro e o modelo desse benefício, bem como a escolha da cooperativa que irá compor o trabalho.
Assessoria/Mapa
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Café
Quanto irrigar o café na frutificação?

Foto: Pixabay
A fase de frutificação do cafeeiro é uma das mais exigentes do ponto de vista hídrico e, ao mesmo tempo, uma das mais sensíveis a erros de manejo. Em 2026, com lavouras cada vez mais tecnificadas e o clima impondo variações cada vez mais irregulares nas regiões produtoras do Brasil, a decisão sobre quando e quanto irrigar deixou de ser intuitiva — e passou a ser técnica.
Segundo dados da Embrapa, a irrigação é parte estratégica do sistema de produção cafeeiro e pode gerar incrementos expressivos de produtividade quando ajustada com precisão à demanda real da planta. O mau uso do recurso hídrico, em ambos os extremos, compromete não só a produção, mas a sustentabilidade econômica da lavoura.
O risco dos dois extremos
O déficit hídrico durante o enchimento dos frutos afeta diretamente o tamanho, a uniformidade e a qualidade final do café. Já o excesso de água eleva custos operacionais, reduz a eficiência do uso do recurso e pode agravar desequilíbrios nutricionais e problemas fitossanitários. Por isso, a pergunta que orienta o manejo moderno não é apenas “quando irrigar”, mas “quanto aplicar em cada momento”.
A resposta exige cruzar variáveis: espécie cultivada, tipo e capacidade de retenção do solo, condições climáticas locais, estágio fenológico e sistema de irrigação instalado. Segundo dados da Embrapa, o manejo eficiente precisa dialogar com a demanda real da planta ao longo de todo o ciclo, e não seguir um calendário fixo.
Solo, frequência e decisão baseada em dados
O tipo de solo é determinante para a frequência de irrigação. Em solos de textura mais arenosa e menor capacidade de retenção, a perda de água acontece mais rapidamente, exigindo turnos de rega mais curtos. Em solos argilosos, com maior armazenamento, a frequência pode ser menor — desde que a planta permaneça abastecida dentro dos limites adequados de água disponível.
Essa lógica demanda monitoramento. O produtor que migra da irrigação por estimativa para a tomada de decisão baseada em sensores de solo, dados climáticos e evapotranspiração da cultura passa a operar com mais eficiência e menor desperdício. A Embrapa reforça que esse movimento é central para a cafeicultura irrigada de alta performance.
Fertirrigação: lâmina e nutrição no mesmo compasso
Outro ponto de atenção é a integração entre irrigação e nutrição. Segundo dados da Embrapa sobre fertirrigação, a aplicação de nutrientes via água deve acompanhar a demanda fenológica da cultura — o que reforça a necessidade de manejar lâmina e adubação de forma coordenada. Em fases de maior exigência fisiológica, como a frutificação, qualquer descompasso entre água e nutrientes pode limitar o potencial produtivo da lavoura.
Uniformidade: o gargalo invisível
A eficiência do sistema de irrigação não depende apenas do volume aplicado, mas da uniformidade de distribuição. Talhões com falhas de equipamento ou manejo desigual tendem a apresentar plantas com desenvolvimento heterogêneo, dificultando a padronização da lavoura e a eficiência das demais práticas culturais. Manutenção preventiva do sistema é, portanto, parte do manejo hídrico — não um item separado.
Produtividade e qualidade: o que a pesquisa aponta
Dados da Embrapa indicam que a irrigação bem conduzida ajuda a preservar a atividade fotossintética e a reduzir os impactos de períodos secos sobre produtividade e qualidade do produto final. Os efeitos variam conforme o ambiente e a tecnologia adotada, mas a conclusão da pesquisa é consistente: água bem manejada é ferramenta de estabilidade produtiva — não apenas de incremento pontual de produção.
O momento exige revisão da estratégia
Com o avanço da frutificação nas principais regiões produtoras, o início de 2026 é o período ideal para que o produtor revise sua estratégia hídrica com foco técnico. Monitorar o solo, acompanhar o comportamento da planta e cruzar com dados meteorológicos são os passos básicos para uma decisão assertiva. Em cafeicultura irrigada, eficiência começa na leitura correta da necessidade da lavoura.
AGROLINK – Aline Merladete
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Desvalorização do café ganha força com expectativa de safra recorde no Brasil

Divulgação
A desvalorização do café se intensificou neste início de fevereiro, conforme apontam levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Até janeiro, o movimento de queda estava associado principalmente às condições climáticas favoráveis em importantes regiões produtoras, com registro de chuvas em volumes adequados, favorecendo o desenvolvimento das lavouras.
Mais recentemente, novas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), indicando a possibilidade de uma colheita recorde no país, ampliaram a pressão sobre as cotações. Segundo a Companhia, a safra 2026/27 pode voltar a estabelecer um novo recorde nacional após cinco temporadas, superando o maior volume já registrado anteriormente, na temporada 2020/21.
Pesquisadores do Cepea avaliam que esse cenário tende a contribuir para a recomposição dos estoques, ainda que sem gerar excedentes significativos. Isso porque, nos últimos anos, a relação entre oferta e demanda global tem se mantido bastante ajustada — em alguns momentos até negativa —, o que comprometeu os níveis de estoque mundial de café.
Diante das recentes quedas nos preços, produtores têm se mantido afastados do mercado, o que mantém as negociações praticamente paralisadas. Ao mesmo tempo, a baixa disponibilidade de café no mercado spot tem gerado dificuldades para alguns exportadores na formação de lotes destinados ao mercado externo, reforçando o atual momento de cautela no setor.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Exportações de café caem 30,8% em janeiro

Foto: Pixabay
As exportações brasileiras de café totalizaram 2,780 milhões de sacas de 60 quilos em janeiro de 2026, o que representa queda de 30,8% em relação às 4,016 milhões de sacas embarcadas no mesmo mês de 2025. A receita cambial recuou 11,7% na comparação anual, somando US$ 1,175 bilhão. Os dados constam do relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a retração dos embarques está associada ao movimento de baixa dos preços iniciado em janeiro e intensificado em fevereiro, em meio à previsão de recuperação da produção brasileira de café na safra 2026/27, sobretudo de arábica, além da valorização do real frente ao dólar. “Vivemos um cenário de produtores capitalizados em função dos bons preços nos últimos anos, estoques de arábica limitados no período de entressafra e os cafés conilon e robusta sendo utilizados para suprir, majoritariamente, o mercado interno. Esse contexto é o que vem ocasionando a redução acentuada nos volumes negociados com o exterior e deve permanecer até a entrada da próxima safra”, afirmou.
O dirigente acrescentou que, no caso de conilon e robusta, a aproximação da nova safra, a partir de maio, já sinaliza possibilidade de recuperação das exportações, com o Brasil se alinhando aos principais concorrentes. “Possivelmente, deveremos observar o mesmo cenário para o café arábica a partir de julho, com a chegada da safra 2026/27. Até então, os volumes de exportação devem seguir apertados dada a falta de competitividade, principalmente dos arábicas, frente a outros países produtores concorrentes”, concluiu.
O café arábica respondeu por 2,347 milhões de sacas exportadas em janeiro, o equivalente a 84,4% do total, com recuo de 29,1% na comparação anual. O café solúvel somou 249.148 sacas, com participação de 9% e queda em relação a janeiro de 2025. Os cafés canéforas, que reúnem conilon e robusta, totalizaram 181.559 sacas, redução de 45,6% e participação de 6,5% no total embarcado, enquanto o segmento industrial de café torrado e torrado e moído respondeu por 2.317 sacas.
A Alemanha liderou as compras de café brasileiro no mês, com 391.704 sacas, o equivalente a 14,1% do total, seguida pelos Estados Unidos, que adquiriram 385.841 sacas. Itália, Bélgica e Japão completaram os principais destinos dos embarques no período.
Os cafés diferenciados responderam por 21,2% das exportações totais em janeiro, com 588.259 sacas, volume 41,9% inferior ao registrado um ano antes. A receita cambial desses embarques somou US$ 272,7 milhões, a um preço médio de US$ 463,53 por saca, segundo o Cecafé.
O Porto de Santos concentrou 81% dos embarques no mês, com 2,252 milhões de sacas, seguido pelo complexo portuário do Rio de Janeiro, com 435.958 sacas, e pelo Porto de Paranaguá, com 31.244 sacas. No acumulado de julho de 2025 a janeiro de 2026, as exportações brasileiras de café alcançaram 23,406 milhões de sacas, com ingresso de US$ 9,235 bilhões. Na comparação com igual período do ciclo 2024/25, houve queda de 22,5% em volume e aumento de 8,1% em receita, conforme o Cecafé.
AGROLINK – Seane Lennon
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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