Agronegócio
Morango tem produção irregular nas regiões do RS

Foto: Pixabay
De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (15), a cultura do morango apresenta comportamentos distintos nas regiões produtoras do Rio Grande do Sul, com variações na produção, incidência de pragas e preços de comercialização.
Na região administrativa de Caxias do Sul, em Nova Petrópolis, os volumes colhidos recuaram em relação à semana anterior, embora sigam em patamar elevado. A redução das temperaturas favoreceu o ambiente de cultivo e contribuiu para o metabolismo das plantas, refletindo na emissão de flores e na frutificação. O informativo registra que houve “ótima circulação de insetos polinizadores, em especial abelhas”. Em Gramado, foi observada a ocorrência de mosca-das-frutas em algumas lavouras, mas o controle tem sido considerado efetivo com a adoção de práticas como retirada de frutos maduros, uso de armadilhas e controle químico. Parte dos produtores iniciou trabalhos de manutenção, reforma e construção de novas estufas visando o próximo plantio. Os preços pagos aos produtores permanecem estáveis, variando conforme o canal de comercialização e a forma de apresentação do produto.
Na região de Lajeado, em Feliz, a cultura está na fase final de colheita. Conforme a Emater/RS-Ascar, observa-se redução no calibre dos frutos, comportamento esperado para o período. Produtores que cultivam em solo estão concluindo a colheita, enquanto aqueles que utilizam bancadas elevadas ainda mantêm produção por mais tempo. No entanto, a produtividade apresenta queda gradual em função das altas temperaturas. Os preços praticados no período variam entre R$ 20,00 e R$ 25,00 por quilo.
Na região administrativa de Pelotas, a produção segue em queda, com registro de forte ataque de pragas, principalmente mosca-das-frutas, mosca-da-asa-manchada (Drosophila suzukii) e tripes, o que tem afetado o desempenho das lavouras. Os preços de comercialização apresentam variação entre os municípios, refletindo diferenças de oferta e demanda locais.
Na região de Santa Maria, continua a colheita das cultivares de dias neutros. As condições edafoclimáticas e o manejo adotado têm permitido a manutenção dos níveis produtivos e a continuidade da oferta. No entanto, o informativo aponta que há expressiva variação nos preços praticados em Agudo, influenciada pelo canal de comercialização e pelo local de venda. Os valores mais elevados são registrados em pontos situados às margens da BR-287, onde há maior fluxo de consumidores.
AGROLINK – Seane Lennon
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Ostras estão sendo dizimadas e maricultores estão preocupados
Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom
A morte de ostras tem preocupado maricultores em Florianópolis, um dos maiores responsáveis pela produção nacional de moluscos. Segundo relatos dos produtores, as perdas nesta safra podem chegar a 90%.
Segundo Lincoln Venâncio, maricultor que cultiva ostras no Sul da ilha, a porcentagem de moluscos mortos em sua produção estão em 80%. Neste ano, ele cultivou cerca de 1,5 milhão de ostras jovens, mas perdeu praticamente tudo.
Por que a mortalidade das ostras está tão alta em Florianópolis?
A causa da mortalidade alta das ostras tem relação com a temperatura da água do mar, que passou de uma média de 28ºC para 34ºC neste último verão. Com isso, o ambiente de cultivo dos moluscos, as fazendas marítimas, foi fortemente afetado.
Vinicius Marcus Ramos, presidente da Federação das Empresas de Aquicultura, relata que essa é uma situação que se repete nos últimos anos, mas a temporada mais recente foi a pior de todas. “Foi extremamente fora da curva. Com uma mortalidade de 90%, não existe nenhuma produção que resista a isso”, explica.

Ele ainda alerta que se a situação se repetir, a produção dos moluscos corre sérios riscos. “Imagina o consumidor ter que pagar 90% a mais por uma ostra? Fica inviável para todo mundo”, argumenta.
Paulo Constantino, empresário que produz ostras, também relata que sua produção foi totalmente zerada. “Estou há trinta anos neste ramo e nunca passei uma situação como esta”, conta.

O que pode ajudar?
Em uma das fazendas visitadas pela reportagem, os moluscos mortos ocupavam pelo menos uma área de 100 m² e 8 metros de altura. Só em 2026, estima-se que a perda tenha sido, até agora, de 72 milhões de ostras.
Segundo o ecólogo marinho e professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Paulo Horta, uma das soluções pode ser utilizar algas no ambiente de cultivo das ostras.

“Quando a temperatura aumenta, leva à redução da solubilidade do oxigênio e à capacidade que as algas têm de produzi-lo”, explica. Por isso, introduzir algas no ambiente aumentaria a produção e retenção de oxigênio no ecossistema. “É aí que vêm as soluções baseadas na natureza, usando algas, por exemplo, para produzir o oxigênio necessário para toda essa biodiversidade”, analisa.
Com NDMais
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Moratória da soja entra em fase de negociação no STF

Imagem: Pensar Agro
A Moratória da Soja, apontada como superada no campo e no debate político, ainda está longe de um desfecho definitivo. O tema entrou em nova fase no Supremo Tribunal Federal (STF), que marcou para a próxima semana (previsto para 16.04) uma audiência de conciliação para tentar construir um entendimento entre produtores, tradings e governos.
A decisão de levar o caso ao Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) mostra que o tribunal busca evitar um julgamento direto neste momento. Estão em análise as ações que questionam leis de Mato Grosso e Rondônia que retiram benefícios fiscais de empresas que aderem a acordos privados, como a moratória.
Ostras estão sendo dizimadas e maricultores estão preocupados
Na prática, o STF reconhece que a disputa ultrapassou o campo ambiental e se tornou um conflito econômico e institucional. De um lado, produtores e governos estaduais sustentam que a moratória cria restrições comerciais adicionais às previstas na legislação brasileira. De outro, empresas exportadoras argumentam que o mecanismo atende exigências de mercado, principalmente internacional.
Ao optar pela conciliação, a Corte sinaliza preocupação com o efeito de uma decisão unilateral. A avaliação é de que qualquer posicionamento definitivo pode gerar novas ações judiciais e ampliar a insegurança jurídica em toda a cadeia da soja.
Para o produtor rural, o principal ponto é que o tema continua indefinido. Mesmo com leis estaduais tentando limitar os efeitos da moratória, o funcionamento do mercado segue condicionado às regras comerciais das tradings, que ainda consideram critérios próprios na originação da soja.
Isso significa que, na prática, a chamada “moratória” não deixou de existir. O que mudou foi o ambiente institucional, com maior contestação política e jurídica sobre seus efeitos.
A audiência prevista para abril deve reunir representantes de toda a cadeia para tentar estabelecer parâmetros mínimos de convivência entre legislação, mercado e compromissos ambientais. O STF também abriu prazo para envio prévio de propostas e documentos técnicos pelas partes envolvidas.
O desfecho, no entanto, ainda é incerto. Caso não haja acordo, o processo retorna para julgamento, o que pode redefinir os limites de atuação de acordos privados dentro do mercado agrícola.
Para o agro, o caso vai além da soja. O que está em jogo é a definição de quem estabelece as regras econômicas do setor: o Estado, por meio da legislação, ou o mercado, por meio de exigências comerciais.
Enquanto essa resposta não vem, o produtor segue operando em um ambiente de dupla referência — legal e comercial — que continua influenciando decisões de plantio, investimento e comercialização.
Com Pensar Agro
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Cotações Agropecuárias: Preço médio da safra 25/26 de etanol supera o da temporada anterior

Imagem: Canva
No acumulado do ciclo 2025/26 (de abril/25 a março/26), os valores médios dos etanóis negociados no estado de São Paulo ficaram acima dos da temporada anterior (2024/25). O Indicador CEPEA/ESALQ do hidratado teve média de R$ 2,7805/litro, alta de 6,52% frente à da temporada anterior, em termos reais (os dados foram deflacionados pelo IGP-M de março). O Indicador CEPEA/ESALQ do anidro teve média de R$ 3,1291/litro, com avanço de 6,21% na mesma comparação.
Em termos de volume vendido pelas usinas de São Paulo, dados do Cepea apontam que o total de etanol hidratado caiu 28% na temporada 2025/26 frente ao ciclo anterior. O mês de maio/25 se destacou pelo elevado volume negociado, enquanto julho/25 foi marcado pela menor quantidade comercializada – estado de São Paulo.
Moratória da soja entra em fase de negociação no STF
Segundo o Centro de pesquisas, ao longo do ciclo 2025/26, a relação entre os preços do etanol hidratado e da gasolina C nas bombas ficou abaixo dos 70% no estado de São Paulo, considerada vantajosa para o biocombustível.
De acordo com pesquisadores do Cepea, para a safra 2026/27, iniciada oficialmente na última quarta-feira, 1º de abril, o ambiente tende a ser de maior cautela. As atuais volatilidades nos preços do petróleo e a perspectiva de aumento da oferta de etanol, especialmente a partir do milho, podem gerar um cenário particular.
Neste momento, os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e, por consequência, o comportamento do preço do barril do petróleo serão decisivos para as estratégias das usinas brasileiras. As projeções preliminares de moagem de cana-de-açúcar para a safra 2026/27 na região Centro-Sul estão estimadas em torno de 625 a 630 milhões de toneladas, crescimento de 3 a 4% na moagem atual.
AÇÚCAR/CEPEA: Oferta global derruba preços na temporada 2025/26
O mercado de açúcar encerrou a safra 2025/26, em março, marcado por um movimento de baixa dos preços em relação ao ciclo anterior, que havia registrado patamares elevados, acima do usual.
A média do Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (Icumsa 130–180) no estado de São Paulo passou de R$ 145,28/saca de 50 kg na safra 2024/25 para R$ 116,90/sc na 2025/26, com recuo de quase 20%, reflexo da maior disponibilidade global e do reequilíbrio entre oferta e demanda.
Ao longo da temporada, segundo pesquisadores do Cepea, os valores oscilaram – cenário relacionado, em grande medida, a fatores externos, com destaque para a geopolítica e o ambiente macroeconômico, que ampliaram a percepção de risco e contribuíram para movimentos pontuais de alta, sem, contudo, alterar de forma estrutural a tendência de mercado.
Para a Safra 2026/27, de acordo com o Cepea, as perspectivas iniciais indicam manutenção de um cenário internacional com preços entre estáveis e pressionados para baixo. A expectativa de maior disponibilidade de cana-de-açúcar tende a elevar a produção, ampliando a oferta potencial de açúcar.
Com Cepea
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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