Mato Grosso
No meio do calor, da queimada e da fumaça

Os cuiabanos nativos e na faixa dos 60+ lembram que, na infância, nossas mães costumavam, à tarde, passar pano bem úmido no piso de casa e jogar água nos cantos dos quartos para abrandar o calor na hora da sesta pós-almoço e melhorar o ambiente para dormir à noite.
Hábito dessa nossa Cuiabá tradicionalmente calorosa que, com o avanço tecnológico dos tempos recentes, foi beneficiada com a maciça presença de aparelhos de ar-condicionado, ventiladores potentes, climatizadores e umidificadores de ar de todos os tamanhos que ajudam a aliviar o calor aos seus moradores.
Mas, da mesma forma que avançaram os equipamentos e os ambientes refrigerados disponíveis na cidade, houve também, no tempo presente, expansão de suas áreas de concreto e de seus espaços de asfalto, o que não contribui em nada para um ambiente saudável.
Assim, no mesmo ritmo, aumentou o clima quente de Cuiabá, que viu ainda em seu espaço urbano reduzir drasticamente o verde das ruas e bairros e as mangueiras de seus quintais. A baixa umidade relativa do ar agravou as condições de seca na capital.
Alguns contemporâneos meus daquela época do pano úmido no piso, aos quais comento que a temperatura alta é a mesma de sempre, e que agora é a idade que pesa junto com o clima, insistem em me contradizer, afirmando que, atualmente, mesmo com todo suporte de equipamentos ao nosso dispor, o calor é mais avassalador.
Concordo com eles desde que se acrescente, ao instante atual, um fator que assusta e traz prejuízos à saúde, que é a fumaça tomando conta da cidade, oriunda das queimadas da própria Cuiabá, do seu entorno, ou de suas regiões próximas, como Pantanal e Chapada dos Guimarães.
O climatologista e doutor em meteorologia da UFMT, Rodrigo Marques, disse ao G1MT que, “na década de 1940 chegou a fazer um calor na faixa de 41ºC em Cuiabá” e que, “desde o início das medições, houve um aumento de pelo menos 3 ºC na máxima absoluta”.
Neste começo de setembro de 2024, a capital bateu um novo recorde de calor, registrando 42,8°C no domingo passado, a mais alta temperatura do país, e 42,6°C no sábado. “O motivo desse calor extremo é uma combinação de fatores – aquecimento global, localização e falta de vegetação na capital”, acrescentou o professor.
Com relação às queimadas, já numa visão estadual, Mato Grosso é o que mais queimou no país, com 36,4 mil focos de incêndios de janeiro deste ano até agora, conforme o Programa BDQueimadas do Inpe. Sexta-feira passada, o governo federal reconheceu emergência em 58 municípios do estado devido aos incêndios florestais.
Só no sábado (7), o Corpo de Bombeiros Militar registrou o combate a 43 incêndios. Na discussão do problema pelo STF, o ministro Flávio Dino, anteontem, disse que o país vive uma “pandemia de incêndios florestais” e determinou medidas para o enfrentamento às queimadas na Amazônia e no Pantanal.
Mas as chamas têm atingido vigorosamente também áreas do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães. Domingo passado, eu e um grupo de amigos passamos um ‘perrengue’ a uns 20 quilômetros do centro da cidade de Chapada por conta da seca, fogo e fumaça na região.
A combinação desses fatores forçou o recuo da permanência no local para o qual fomos e a escolha de outro lugar longe do fogo, que cedia um tempinho e logo depois refluía em labaredas altas ao longo da estrada. Isso sem falar no ambiente de fumaça o tempo todo, afetando o ar e os olhos.
Quanto ao calor, também convivi com ele no último fim de semana não em Cuiabá, mas ainda em Chapada, muito conhecida pelo seu clima agradável, principalmente nos meses de maio a julho, mas que agora também vem sofrendo com as mudanças climáticas.
Não só pela alta temperatura na cidade, mas ao ser embalada pela canção “Te ver”, cantada por Samuel Rosa, no show que fez durante o Festival de Cerveja Artesanal, realizado na praça dos Festivais da cidade, no sábado, e assistido por centenas de cuiabanos.
“É um momento histórico, preparem-se, vou repetir – Te ver e não te querer, é improvável, é impossível, é como não sentir calor em Cuiabá”, entoou alto Samuel Rosa, agora com carreira solo. Em vídeo do YouTube, ele recordou que essa canção, com música dele e letra de Chico Amaral, tornou o ex-grupo Skank conhecido nacionalmente. Faz parte do álbum Calango.
“Te ver” foi lançada em 1994 e, incrivelmente, três décadas depois, ouvi-la na voz do Samuel associando “o improvável e o impossível” a “não sentir calor em Cuiabá “continua tendo um forte simbolismo.
Penso que meus contemporâneos estão com a razão pois no meio do calor, da queimada e da fumaça, além da seca, ou, em outras palavras, dentro dessa crise climática, eu e os amigos 60+ estamos, sim, bastante complicados.
*Os textos das colunas e dos artigos são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do eh fonte
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Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Mato Grosso
Governo define valores de arroz, milho e trigo

Portaria muda regras de venda de estoques agrícolas – Byrinc.ca
O governo federal publicou a Portaria nº 908/2026 do Ministério da Agricultura e Pecuária, que fixa os chamados “Preços de Liberação dos Estoques Públicos” para produtos estratégicos como arroz, milho, trigo e derivados da mandioca. A medida define os valores mínimos para comercialização dos estoques públicos administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) por meio de leilões eletrônicos.
A nova regulamentação foi assinada pelo ministro substituto da Agricultura, Cleber Oliveira Soares, e entrou em vigor imediatamente.
Entre os produtos contemplados estão arroz em casca, farinha de mandioca, fécula de mandioca, milho em grãos e trigo. Os preços variam conforme a região do país e o período de vigência.
Para o arroz em casca, por exemplo, o preço foi fixado em R$ 78,80 por saca de 50 quilos nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, enquanto nas demais regiões o valor chega a R$ 98,81 por saca de 60 quilos.
Já o milho terá valores diferenciados por região. Nas regiões Centro-Oeste e Norte — com exceção do Tocantins e Pará — o preço foi estabelecido em R$ 48,43 por saca de 60 quilos. No Sudeste e Paraná, o valor sobe para R$ 63,82. Para parte do Nordeste, a saca poderá atingir R$ 78,37.
A portaria também definiu o preço do trigo em grãos tipo pão em R$ 97,01 por saca de 60 quilos para a Região Sul, com validade entre julho de 2026 e junho de 2027.
Segundo o texto, os estoques serão comercializados pela Conab por meio do Sistema de Comercialização Eletrônica (SISCOE). O governo ainda estabeleceu que, caso os preços de mercado ultrapassem os valores fixados, a venda dos estoques dependerá de autorização prévia dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário.
A medida faz parte da política de regulação de estoques públicos e busca equilibrar o abastecimento nacional, reduzir oscilações bruscas de preços e garantir segurança alimentar, especialmente em períodos de instabilidade no mercado agrícola.
A portaria ressalta ainda que os preços definidos para o milho não serão aplicados às vendas destinadas ao Programa de Venda em Balcão (ProVB), voltado principalmente para pequenos criadores e agricultores familiares.
Lucione Nazareth/VGN
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Mato Grosso
Anvisa amplia classificação toxicológica de agrotóxicos

Gerada por IA
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) começou a reorganizar a classificação toxicológica de agrotóxicos autorizados no Brasil com base em critérios internacionais do Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS). A medida prevê a inclusão das informações toxicológicas nas monografias dos ingredientes ativos e amplia a divulgação de riscos relacionados à exposição aos produtos.
A nova estratégia também incorpora parâmetros internacionais para avaliação de risco ocupacional, incluindo níveis aceitáveis de exposição para trabalhadores, moradores próximos de áreas de aplicação e transeuntes. Segundo a Anvisa, a mudança faz parte da implementação da RDC nº 998/2025.
A Agência utilizou como referência bancos de dados internacionais, como os da Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) e da Comissão Europeia, priorizando efeitos considerados mais graves à saúde, entre eles desregulação endócrina, toxicidade reprodutiva, mutagenicidade e carcinogenicidade.
Nesta primeira etapa, 71 ingredientes ativos com uso liberado no Brasil serão incluídos no processo de classificação toxicológica. Entre eles estão substâncias amplamente utilizadas na agricultura, como azoxistrobina, deltametrina, tebuconazol, malationa e lambda-cialotrina.
Os ingredientes ativos foram divididos em grupos e serão submetidos a consultas públicas com prazo mínimo de 60 dias. A prioridade será dada aos produtos com maior potencial de exposição da população, levando em conta dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), número de registros e volume de comercialização.
A Anvisa informou ainda que o planejamento poderá sofrer alterações conforme atualizações técnicas e regulatórias. A expectativa é que a medida aumente a transparência sobre os riscos dos agrotóxicos utilizados no país e amplie o acesso público às informações toxicológicas.
Redação/VGNAgro
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Mato Grosso
Projeto transforma resíduos em biogás e fortalece ensino sustentável em Campo Novo do Parecis

Foto: Aprosoja MT/Taiguara Luciano
O incentivo a iniciativas sustentáveis tem ganhado cada vez mais espaço dentro do setor produtivo mato-grossense. Em diferentes regiões do estado, parcerias entre produtores rurais e instituições de ensino vêm impulsionando projetos voltados à preservação ambiental, inovação e formação de novos profissionais.
Em Campo Novo do Parecis, um exemplo dessa união é o biodigestor implantado no campus do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), em funcionamento desde dezembro de 2025. A iniciativa recebeu apoio da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), por meio do delegado do núcleo, Giuliano Rensi.
A estrutura foi criada para produzir biogás e biofertilizantes a partir da decomposição de resíduos orgânicos, além de servir como ferramenta prática de aprendizado para os estudantes da instituição.
“Aqui foi feito o projeto piloto de instalação do biodigestor para produção de biogás e biofertilizantes. Nós escutávamos falar sobre isso, mas nunca tínhamos tido contato direto. Então começamos a pesquisar, buscar informações e montar o projeto”, explica Giuliano.
Após estruturar a proposta, o delegado apresentou a iniciativa à Aprosoja MT, que, em parceria com o Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, apoiou a implantação do sistema dentro do campus. Para Giuliano, a integração entre entidade, comunidade e meio acadêmico foi essencial para tirar o projeto do papel e ampliar seus impactos no futuro.
“Quando você une a Aprosoja MT, a comunidade e o meio acadêmico em um mesmo projeto, fica mais fácil alcançar resultados. O mais importante é que esses alunos terão contato direto com essa tecnologia e poderão levar esse conhecimento para as propriedades onde vão atuar futuramente”, destaca.
Além da produção de energia renovável, o biodigestor também contribui para reduzir emissões de carbono, já que o biogás gerado pode substituir combustíveis convencionais em motores e sistemas de aquecimento. “Esse pode ser um passo importante para mudar a visão equivocada que algumas pessoas têm sobre o setor produtivo”, acrescenta o delegado.
A técnica de laboratório do IFMT, Géssica Zanetti, explica que o biogás produzido já está sendo utilizado no preparo das refeições servidas no restaurante estudantil da instituição. O objetivo é que, gradualmente, o campus consiga substituir parte do consumo de gás convencional pela energia gerada a partir dos próprios resíduos orgânicos produzidos diariamente no local.
“Nosso objetivo é utilizar os resíduos do restaurante estudantil como alimento para o biodigestor. A expectativa é economizar até sete botijões de gás P13 quando o sistema atingir sua capacidade máxima de produção”, afirma Géssica.
Ela explica que os restos de alimentos descartados pelos estudantes são direcionados ao biodigestor, onde passam por decomposição e se transformam em biogás e biofertilizante.
“O biodigestor consegue captar até 10 quilos de resíduos orgânicos por dia ou 60 quilos de dejetos suínos e ovinos. O restaurante é essencial para os nossos alunos, pois nós servimos café da manhã, almoço e lanches diariamente. Só no mês de março foram aproximadamente 14 mil refeições”, ressalta.
O professor José Vanor Catânio explica que o sistema funciona por meio da ação de micro-organismos, responsáveis pela decomposição da matéria orgânica e pela geração dos gases utilizados posteriormente no restaurante da instituição.
“Durante o processo, a matéria orgânica vai sendo reduzida e gerando gases que são canalizados para o restaurante. Além disso, também é produzido um composto líquido chamado biofertilizante, utilizado na horta e na fruticultura do campus. É um ciclo completo de reaproveitamento”, explica o professor.
Para os estudantes, o biodigestor representa uma oportunidade de unir teoria e prática dentro da formação técnica. A aluna do curso técnico em agropecuária, Geovanna Portes, destaca que o projeto também fortalece a permanência dos alunos no campus, especialmente daqueles que moram longe da cidade.
“Como o campus fica distante, nem todos conseguem voltar para casa no horário do almoço. Então essa alimentação gratuita é muito importante. E participar de um projeto como esse nos permite aplicar na prática aquilo que aprendemos em sala de aula”, comenta.
Da mesma turma, o estudante Hugo Assunção de Brito acredita que iniciativas como essa ajudam a mostrar o compromisso do agronegócio com práticas mais sustentáveis.
“O biodigestor mostra justamente o contrário da ideia de que o agro quer prejudicar o meio ambiente. Aqui nós reaproveitamos aquilo que seria descartado e transformamos em gás e biofertilizante. É sustentabilidade na prática”, afirma.
Ao apoiar iniciativas como essa, a Aprosoja MT reforça o compromisso da entidade e de seus associados com o incentivo a projetos que unem tecnologia, educação e sustentabilidade no campo.
com Assessoria/Raiane Florentino
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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