Agronegócio
Ameaça de tarifa dos EUA pressiona suco, café, carne e frutas brasileiras

Foto: Pixabay
O agronegócio brasileiro vive um momento de apreensão com a sinalização de uma tarifa extra de até 50% sobre as importações feitas pelos Estados Unidos, com vigência prevista para agosto de 2025. A medida, que ainda está em fase de discussão, ameaça diretamente segmentos importantes do setor exportador, como suco de laranja, café, carne bovina e frutas frescas. A expectativa é de impacto nos preços pagos ao produtor e na competitividade dos produtos nacionais no mercado norte-americano.
De acordo com informações divulgadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o suco de laranja é o item mais vulnerável à mudança. Isso porque o produto já paga atualmente uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada. Caso a sobretaxa de 50% se confirme, o custo para ingressar nos EUA aumentaria significativamente. O país é o segundo principal destino do suco brasileiro, que responde por cerca de 80% das importações norte-americanas. Diante do cenário incerto, as indústrias brasileiras já começaram a evitar novos contratos, focando apenas em operações no mercado spot, onde os preços variam entre R$ 40 e R$ 45 por caixa.
Essa retração nas negociações ocorre num momento de expectativa de boa safra nos estados de São Paulo e no Triângulo Mineiro, com projeção de 314,6 milhões de caixas na temporada 2025/26 — aumento de 36,2% em relação ao ciclo anterior. Para Margarete Boteon, pesquisadora do Cepea, o risco de redução nas exportações pode provocar acúmulo de estoques e pressionar os preços no mercado interno.
O setor cafeeiro também monitora de perto a situação. Os Estados Unidos são o maior consumidor mundial e principal comprador do café arábica brasileiro. A possível elevação nos custos de importação ameaça a cadeia local de torrefadoras, cafeterias e indústrias, colocando em xeque o abastecimento. Segundo o pesquisador Renato Ribeiro, do Cepea, “a exclusão do café da tarifa seria uma medida estratégica para ambos os países”. No campo, a comercialização da safra 2025/26 caminha lentamente, com produtores vendendo apenas o necessário para manter o caixa, à espera de maior clareza sobre o cenário.
Na pecuária bovina, o impacto já é sentido. Em junho, os Estados Unidos compraram apenas 18.232 toneladas de carne bovina brasileira — o menor volume desde dezembro. Em comparação, abril teve 47.836 toneladas exportadas. A queda ocorreu mesmo com o bom desempenho geral das exportações brasileiras no mês, impulsionadas pela ampliação das compras chinesas. São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul lideram os envios de carne aos EUA, mas registraram reduções expressivas. Goiás, por exemplo, exportou apenas 37% do volume que embarcou em abril.
Entre as frutas frescas, o foco está na manga e na uva, que têm janelas de exportação próximas aos EUA entre agosto e setembro. Antes do anúncio da medida, o setor previa expansão das exportações em 2025. Agora, há relatos de adiamento de embarques, aumento do risco de excedente nos canais tradicionais e possível pressão nos preços internos. Lucas De Mora Bezerra, da equipe HF Brasil/Cepea, alerta para o desequilíbrio que pode ocorrer nos mercados europeu e brasileiro com o redirecionamento de cargas que seriam destinadas aos Estados Unidos.
A possível tarifa, além de ameaçar a rentabilidade do agronegócio brasileiro, pode desorganizar fluxos comerciais consolidados, reforçando a necessidade de diversificação de destinos e estratégias para mitigar perdas no curto e médio prazo.
AGROLINK – Aline Merladete
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Comercialização da safra de algodão em Mato Grosso avança e preço sobe 4%

foto: arquivo/assessoria
A comercialização da pluma para a safra 2024/25 atingiu 92,10% da produção do ciclo, avanço de 5,04 pontos percentuais ante fevereiro. O preço médio negociado, mês passado, foi de R$ 121,61/@, alta de 4,27% frente ao mês anterior. Para a safra 25/26 foi observado um avanço de 7,03 pontos percentuais, alcançando 65,60% da produção comercializada, a preço médio mensal de R$ 128,54/@, valorização mensal de 5,50%.
O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) também informou que o movimento nas safras foi sustentado pela alta dos contratos na bolsa de Nova Yorque e pelo cenário geopolítico, com o conflito no Oriente Médio elevando o petróleo e favorecendo a competitividade da pluma frente às fibras sintéticas.
Por fim, a dinâmica dos preços será crucial para definir o ritmo dos negócios nos próximos meses, considerando que o cotonicultor tem se planejado cada vez mais diante do estreitamento de suas margens de rentabilidade.
Só Notícias
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Safra de laranja 2026/27 começa sob incertezas e preocupa setor citrícola

Reprodução
O início da safra brasileira de laranja 2026/27, no cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo Mineiro, se aproxima em meio a um cenário de incertezas que envolve desde a formação de preços até o comportamento da demanda, especialmente no mercado internacional. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o setor ainda carece de sinais claros por parte da indústria quanto à formalização dos contratos de compra da fruta para a nova temporada.
Assim como ocorreu na safra anterior, a expectativa é de um ciclo mais tardio, com maior concentração da produção na segunda florada. Esse fator, por si só, já altera o ritmo de colheita e de processamento, impactando diretamente a dinâmica de negociação entre produtores e indústrias.
Definições devem ocorrer apenas em maio
De acordo com os pesquisadores, é provável que uma definição mais concreta sobre preços e volumes contratados só ocorra a partir do dia 8 de maio, quando o Fundecitrus divulgará seu tradicional levantamento de safra. Até lá, o mercado deve permanecer em compasso de espera.
Em termos de volume, a safra 2026/27 tende a ser ligeiramente menor que a anterior, embora ainda seja considerada robusta. Mesmo assim, o cenário não traz alívio ao setor, já que o mercado enfrenta dificuldades no escoamento do suco de laranja, tanto no mercado interno quanto nas exportações.
Estoques elevados e demanda externa preocupam
Outro ponto de atenção é o possível encerramento da safra 2025/26 com níveis elevados de estoques e com produto de boa qualidade. Esse contexto pode limitar a capacidade da indústria de absorver a nova produção, pressionando ainda mais as negociações.
A demanda internacional, especialmente da Europa, também gera preocupação. Tradicionalmente um dos principais destinos do suco brasileiro, o bloco ainda não adquiriu os volumes habituais até o momento, o que reforça o clima de cautela entre os agentes do setor.
Diante desse quadro, a citricultura brasileira inicia mais um ciclo produtivo sem visibilidade clara sobre preços, contratos e ritmo de consumo, o que exige atenção redobrada de produtores e indústrias na condução das estratégias para a nova safra.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Preços dos ovos recuam após quaresma e acendem alerta no setor

Reprodução EPTV
O mercado brasileiro de ovos encerrou a primeira quinzena de abril em queda, refletindo um cenário de consumo mais fraco do que o esperado para o período. Tradicionalmente, o início do mês costuma trazer uma recuperação na demanda, impulsionando as vendas, mas, desta vez, esse movimento não foi suficiente para sustentar os preços da proteína nas regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Segundo pesquisadores do Cepea, o ritmo mais lento das negociações aumentou a pressão por descontos, levando ao recuo generalizado das cotações. A procura por ovos ficou aquém das expectativas, o que impactou diretamente o desempenho do mercado neste início de abril.
Oferta desigual amplia pressão sobre o mercado
Do lado da oferta, o comportamento variou entre as regiões produtoras. Em algumas localidades, não houve aumento significativo dos estoques nas granjas, o que indica uma produção mais ajustada. No entanto, em outras praças, a menor saída do produto resultou em elevação da disponibilidade interna, ampliando a pressão sobre os preços.
Esse desequilíbrio entre oferta e demanda acende um sinal de alerta para o setor, que precisará acompanhar de perto os próximos movimentos do mercado para evitar um cenário de maior desvalorização.
Tendência pós-quaresma preocupa produtores
O fim do período da Quaresma, tradicionalmente marcado por maior consumo de ovos em substituição a outras proteínas, também contribui para a mudança no comportamento do mercado. Levantamentos do Cepea indicam que, nos últimos dois anos, os preços da proteína recuaram por vários meses consecutivos após esse período, influenciados pelo aumento da oferta interna e pela redução na demanda.
Diante desse histórico, produtores e agentes da cadeia devem redobrar a atenção nos próximos meses, buscando estratégias para equilibrar produção e comercialização em um cenário que tende a ser mais desafiador para a sustentação dos preços.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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