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Agronegócio

Subproduto do etanol de milho ganha espaço nas exportações

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Imagem: reprodução/Clube do Gado

 

A expansão das usinas de etanol de milho no Brasil tem colocado no mercado volumes cada vez maiores de um ingrediente que vem ganhando espaço nas propriedades rurais: o DDGS (Dried Distillers Grains – Grãos Secos de Destilaria) um subproduto do processamento do grão utilizado principalmente na alimentação animal.

O produto surge durante a fabricação do etanol. No processo industrial, o amido do milho é convertido em álcool por meio da fermentação. O restante do grão — composto principalmente por proteínas, fibras, gorduras e minerais — permanece no material final, que é desidratado e transformado em um ingrediente utilizado na formulação de rações.

Por concentrar esses nutrientes, o produto se tornou uma alternativa para complementar a dieta de bovinos, suínos e aves. Na pecuária de corte, especialmente em sistemas de confinamento, o ingrediente já é amplamente utilizado como fonte de proteína e energia na alimentação do gado.

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Além do teor proteico, o subproduto também fornece gordura e outros componentes energéticos importantes para a dieta dos animais. Por isso, pode substituir parte de ingredientes tradicionais usados nas rações, como milho e farelo de soja, dependendo da formulação nutricional adotada pelo produtor ou pela fábrica de ração.

Outro fator que tem favorecido a adoção do insumo é a disponibilidade contínua ao longo do ano. Diferentemente de grãos e outros produtos agrícolas que dependem do ciclo das safras, o subproduto é gerado diariamente pelas usinas de etanol de milho, garantindo oferta constante ao mercado.

COMMODITY – Atualmente, o Brasil produz pouco mais de 4 milhões de toneladas por ano desse insumo, volume que acompanha o crescimento da indústria de etanol de milho. A expectativa do setor é que essa produção continue aumentando nos próximos anos, podendo se aproximar de 5 milhões de toneladas à medida que novas usinas entrem em operação.

Desse total, uma parcela crescente está sendo destinada ao mercado externo. Em 2024, o Brasil exportou cerca de 790 mil toneladas do produto. No ano seguinte, as vendas externas subiram para 879 mil toneladas, um aumento de 9,7%, com embarques para 25 países.

Embora ainda represente uma fatia pequena da produção total, o volume exportado cresce rapidamente e reflete uma mudança importante na cadeia do milho: o subproduto do etanol passa a gerar receita adicional para o setor, agregando valor ao processamento do grão.

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O avanço das exportações é relativamente recente. Dados do comércio exterior indicam que os embarques saltaram nos últimos anos, acompanhando a expansão das biorrefinarias de milho no Centro-Oeste.

  • 2023: cerca de 600 mil toneladas exportadas
  • 2024: cerca de 790 mil toneladas
  • 2025: cerca de 879 mil toneladas

A tendência de crescimento também aparece nos dados mais recentes. Apenas no primeiro semestre de 2025, o Brasil já havia exportado quase 486 mil toneladas, alta de 19% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os principais compradores estão na Ásia e no Oriente Médio, mercados que utilizam o produto principalmente na nutrição de bovinos, suínos e aves.

Entre os destinos que mais importam o produto brasileiro estão:

  • Vietnã
  • Turquia
  • países da União Europeia
  • mercados do Oriente Médio

Mais recentemente, a abertura do mercado chinês passou a ser vista como um divisor de águas para o setor. A China é um dos maiores consumidores globais de ingredientes para ração e pode se tornar rapidamente um dos principais destinos do produto brasileiro.

A produção e as exportações estão fortemente concentradas no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, onde se localiza a maior parte das usinas de etanol de milho do País.

O Estado responde por cerca de 80% a 85% das exportações brasileiras desse produto, reflexo direto da expansão da indústria de biocombustíveis baseada no cereal.

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Para especialistas do setor, o crescimento do DDG representa uma nova forma de agregar valor ao milho brasileiro. Ao ransformar o grão em etanol, a indústria também gera volumes significativos de proteína vegetal concentrada, que passa a ser utilizada na alimentaçã animal no Brasil e no exterior.

Na prática, isso significa que uma parte do milho produzido no País deixa de ser vendida apenas como grão e passa a entrar em uma cadeia industrial que gera dois produtos comerciais: biocombustível e ingredientes para ração.

Com o aumento da produção de etanol de milho e a abertura de novos mercados externos, a expectativa é que o DDG consolide gradualmente seu espaço como mais uma commodity ligada ao agronegócio brasileiro.

Com Pensar Agro

Fernanda Toigo

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Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agronegócio

Viticultura ganha força com novo roteiro

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Imagem: Faep

 

A viticultura estadual tem potencial para avançar nos próximos anos com a consolidação da Rota Uva & Vinho Paraná, iniciativa que estrutura o enoturismo como ferramenta de desenvolvimento regional. Ao reunir 60 propriedades em 31 municípios de diversas regiões do Estado, o circuito conecta produção, agroindústria e turismo rural em um modelo articulado, que fortalece a presença da uva e de seus derivados junto ao público consumidor. O Sistema FAEP é responsável pela articulação com produtores e sindicatos rurais, ampliando a capilaridade do projeto nos municípios participantes.

A proposta funciona como estratégia de valorização dos produtores rurais e demais elos da cadeia. Ao conectar empreendimentos, estimular a permanência de visitantes nas regiões produtoras e organizar a oferta de experiências, a iniciativa contribui para ampliar renda, diversificar atividades nas propriedades e consolidar novos canais de comercialização.

Guerra pressiona custos no campo

“O Sistema FAEP participa ativamente desse projeto, principalmente investindo na qualificação dos nossos produtores rurais para que fortaleçam o turismo rural”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “O agro vai muito além da produção. Isso mostra a força, a pujança e o espaço que a viticultura tem na economia estadual. Por isso, nós trabalhamos para colocar os produtos na vitrine do Paraná e do Brasil”, complementa.

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O Sistema FAEP contribui diretamente para a qualificação dos produtores rurais deste segmento por meio de cursos voltados ao turismo rural e olericultura, como gestão de negócios, hospedagem, paisagismo, cultivo, entre outros temas, fortalecendo a profissionalização das propriedades. Gilmar Brizola, José Zanchetta e Elton Ricardo Pires participaram dos treinamentos de turismo rural e já estão aplicando o conhecimento na organização das propriedades e no atendimento aos visitantes.

Presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette prestigia lançamento oficial da Rota Uva & Vinho do Paraná

Tradição e oportunidade

Filho e neto de imigrantes espanhóis e italianos, Brizola implantou videiras em uma área antes ocupada por pedras em Santo Antônio do Sudoeste. Além do cultivo das uvas e da agroindústria que produz vinhos, sucos e geleias, a família também atua no turismo rural, atividade que passou a integrar a rotina e incrementar a renda da propriedade. Para receber os visitantes, a família investiu em estrutura, com a construção de um pergolado coberto que, além de abrigar as placas solares, concentra as degustações.

“Já recebíamos visitas de maneira informal e tínhamos o hábito de acolher e compartilhar o que produzíamos. Foi assim que percebemos a possibilidade de ampliar a proposta de negócio e desenvolver o turismo rural”, conta Brizola. “A Rota pode aumentar a visibilidade das pequenas propriedades, como a nossa, e contribuir para a vinda de turistas e recursos para ampliar as atividades da propriedade”, reforça.

José e Gilmar Brizola entre a plantação de uvas

Em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a propriedade de José Zanchetta tem 140 anos de história e cinco gerações dedicadas ao cultivo da uva. “Sou totalmente ligado às tradições, tive uma ligação forte com meu nono, que me ensinou a cultura da uva. A família se reunia na safra para fazer a colheita, fazer pizza, era um encontro, uma tradição”, conta o produtor, que hoje organiza a propriedade para receber pessoas e oferecer experiências ligadas à cultura da uva.

Entre as experiências que oferece está a Pisa da Uva. A propriedade também trabalha com o sistema colhe e pague. “A experiência permite que os visitantes participem do processo de colheita e vivenciem a cultura da uva”, afirma Zanchetta. Em 2019, o produtor recebeu um prêmio nacional como ‘negócio inovador’.

José e Sophia Zanchetta nas videiras da propriedade
José e Sophia Zanchetta nas videiras da propriedade

Depois disso, segundo o produtor, o turismo passou a representar uma parcela crescente da renda da família e atualmente tem papel importante em relação ao modelo tradicional de comercialização da uva, especialmente durante a safra, em dezembro e janeiro. “A demanda cresce principalmente na safra da uva, que é um atrativo. Dobra o número de clientes e também a procura por eventos relacionados à uva”, afirma.

Fora do período da colheita, a estratégia é manter o fluxo com almoços e recepção de grupos. “Com a vinda dos turistas, fazemos divulgação e mostramos que durante todo o ano temos os atrativos. Isso proporciona ao pessoal vir também fora da safra”, destaca o produtor.

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Em Marialva, a família Pires trabalha com uva desde 1992. Há dois anos, a propriedade passou a atuar com a modalidade colhe e pague, após anos de cultivo voltado à venda em atacado para todo o Brasil. “Hoje nosso foco é 100% no turismo rural. Fazemos o colhe e pague e também a venda de sucos e vinhos de produtores da região. A uva é o nosso forte”, conta o produtor.

Após a abertura ao turismo, a propriedade passou a receber até 400 clientes por dia. A expectativa com a Rota Uva & Vinho Paraná é ampliar ainda mais o fluxo. “Acredito que a rota seja vantajosa para divulgação, para atrair pessoas. É um roteiro turístico e uma experiência leva a outra”, avalia. “Espero fazer conexões com pessoas, ampliar a parte de sucos e vinhos. Quero fazer amizades que possam agregar ao nosso negócio” completa.

A propriedade de Elton Ricardo Pires, Recanto da Uva Fina, em Marialva

Lançamento da rota reuniu autoridades em Curitiba

lançamento oficial da Rota Uva & Vinho do Paraná ocorreu em 24 de fevereiro, no Memorial de Curitiba, com a presença do governador em exercício Darci Piana; do secretário estadual da Agricultura, Márcio Nunes; do presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette; e do diretor presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Natalino Avance de Souza, além de outras autoridades e representantes do enoturismo estadual.

Na ocasião, Piana destacou a articulação do Poder Executivo em relação ao ICMS incidente sobre os vinhos produzidos no Paraná. “O vinho do Paraná tinha um imposto igual ao vinho importado. Então, o governador Ratinho Junior concordou em reduzirmos de 28% para 18%”.

A Rota integra o Programa Estadual de Revitalização da Viticultura do Paraná (Revitis), lançado em 2019, que estabeleceu quatro eixos de atuação: incentivo à produção, reorganização da comercialização, apoio à agroindústria e desenvolvimento do turismo.

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“Cada pilar é formado por ações estratégicas específicas para proporcionar ao agricultor mais segurança desde o plantio até a comercialização. O programa e, agora, a rota permitem que pequenos produtores ampliem sua competitividade e se posicionem de forma sólida no mercado”, destaca Nunes.

Fernanda Toigo

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agronegócio

Cotações Agropecuárias: Chuva limita oferta de melão, e preço segue em alta

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Imagem: Faep

Na Ceagesp, os preços do melão amarelo voltaram a subir entre 9 e 13 de março. A caixa de 13 kg do tipo 5 a 8 foi vendida por R$ 50,00/cx, acréscimo de 7% frente à média da semana anterior.

De acordo com agentes consultados pelo Cepea, o avanço das cotações está ligado à redução da oferta nas regiões produtoras do Rio Grande do Norte/Ceará e do Vale do São Francisco (BA/PE), onde as chuvas têm dificultado a colheita e afetado a qualidade dos frutos.

Além disso, segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário reduziu a ofertas de melões de melhor qualidade que são comercializados para o Sudeste, ocasionando a diminuição dos estoques na capital paulista.

Para esta semana, a oferta deve seguir reduzida, já que ainda há previsão de chuvas nas áreas produtoras.

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TRIGO/CEPEA: Com valorizações externas e do dólar, preços reagem no BR

Influenciados pelas valorizações no mercado externo e pela alta do dólar frente ao Real, vendedores brasileiros estão mais firmes nos preços pedidos pelo trigo no mercado spot nacional.

Do lado da demanda, parte dos compradores voltou às negociações para recompor estoques. Nesse cenário, as cotações do cereal reagiram na semana passada nas principais regiões acompanhadas pelo Cepea.

De acordo com pesquisadores do Cepea, no mercado externo, os futuros do trigo seguem em alta, influenciados sobretudo por preocupações climáticas nos Estados Unidos.

Dados do Monitor de Seca indicam que, até 10 de março, 55% da produção de trigo de inverno estava sob algum nível de estiagem, percentual bem acima dos 27% registrados no mesmo período do ano passado.

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Esse cenário tende a manter os preços internacionais firmes. Além disso, o mercado permanece atento às tensões geopolíticas no Oriente Médio, que podem elevar os custos dos insumos, principalmente dos fertilizantes.

Com Cepea

Fernanda Toigo

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agronegócio

Novas regras reforçam combate ao avanço do greening

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Imagem: Faep

A Portaria 105/2026, publicada recentemente pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), define novas medidas obrigatórias de prevenção, controle e contenção do Huanglongbing (HLB), também conhecido como greening. A doença ataca principalmente a citricultura, por meio da bactéria Candidatus Liberibacter spp, transmitida pelo inseto psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri). O Sistema FAEP participou da elaboração da portaria.

As determinações exigem que os produtores rurais realizem o cadastro obrigatório de propriedades, monitoramento e controle do inseto vetor, vistorias constantes e envio de relatórios. O objetivo é proteger a citricultura no Paraná, atividade presente principalmente nos municípios das regiões Norte e Noroeste, Vale do Ribeira e Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

Viticultura do Paraná ganha força com novo roteiro

“Essa portaria busca reduzir os riscos de disseminação da praga, preservar a produção e a renda dos nossos produtores. São orientações importantes que, se adotadas, fortalecem o combate a essa doença, que representa uma ameaça à citricultura do Paraná e mesmo do país”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

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A norma estabelece algumas medidas práticas por parte dos produtores rurais. Todas as propriedades com mais de 50 plantas de citros (como laranja, tangerina ou limão) devem realizar cadastro junto à Adapar.

Nos municípios com presença do vírus ou em cidades vizinhas, o citricultor deve realizar o monitoramento e o controle do inseto vetor do HLB conforme metodologia regulamentada pela Adapar. Também é necessário enviar um relatório semestral à agência com o número de plantas que apresentam sintomas e a quantidade eliminada.

As plantas com sintomas da doença devem ser eliminadas pelo produtor, com manejo adequado para evitar a rebrota. O prazo para erradicação varia conforme a idade da árvore. Pomares com até oito anos ou com mais de 15 anos devem ser eliminados imediatamente. Plantas com idade entre nove e 12 anos devem ser retiradas em até quatro anos, enquanto aquelas entre 13 e 15 anos devem ser eliminadas em até três anos. O prazo começou a valer na data publicação da portaria e, ao final de quatro anos, todas as plantas com sintomas deverão ser erradicadas.

O greening afeta severamente as plantas cítricas, provocando queda prematura dos frutos e redução da produtividade, podendo levar à morte precoce das plantas. Os frutos afetados costumam ser menores e deformados, além de apresentarem sementes abortadas, menor teor de açúcares e maior acidez. Essas características comprometem o sabor e reduzem o valor comercial, tanto para o consumo in natura quanto para o processamento industrial.

Restrição as mudas

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A portaria da Adapar também envolve as mudas de citros. O comércio ambulante, plantio, produção e trânsito de mudas estão proibidos no Paraná. A aquisição e posterior transporte devem obedecer às normas específicas, só podendo ocorrer com autorização prévia da agência.

O descumprimento das regras pode resultar em sanções previstas na legislação estadual, incluindo advertências e outras penalidades. A fiscalização será realizada pela própria Adapar.

Com FAEP

Fernanda Toigo

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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