Agronegócio
Algodão em Mato Grosso exige venda acima de R$ 127/@ para cobrir custos da safra 2026/27

Divulgação
O custo de produção do algodão em Mato Grosso voltou a subir em abril e acendeu um alerta para os produtores da safra 2026/27. Segundo levantamento do projeto CPA-MT, divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, o avanço das despesas foi puxado principalmente pela valorização dos macronutrientes, impactados pelas tensões geopolíticas no mercado internacional.
De acordo com os dados, o custeio da lavoura alcançou R$ 10.642,28 por hectare, crescimento de 1,05% em relação ao mês anterior. O movimento reflete a pressão sobre os insumos agrícolas diante das incertezas logísticas globais, especialmente envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de fertilizantes e commodities do mundo.
Com o encarecimento dos insumos, o Custo Operacional Efetivo (COE) do algodão também avançou em abril. O indicador foi estimado em R$ 15.227,56 por hectare, registrando alta mensal de 0,55%.
O estudo mostra ainda que, para conseguir cobrir os custos operacionais da atividade, o cotonicultor mato-grossense precisará comercializar a pluma por pelo menos R$ 127,09 por arroba, considerando uma produtividade média projetada de 119,82 arrobas por hectare.
Apesar da elevação dos custos, o cenário de preços mais atrativos da pluma nos últimos meses vem favorecendo a estratégia comercial dos produtores. Segundo o instituto, muitos cotonicultores intensificaram o travamento de custos e a proteção de margens, aproveitando oportunidades de mercado para reduzir os riscos da safra futura.
Esse movimento também ajudou a acelerar a comercialização da safra 2026/27 em Mato Grosso. Após um período de atraso nas negociações, as vendas passaram a superar a média histórica registrada nos últimos anos, demonstrando maior interesse dos produtores em garantir rentabilidade diante da volatilidade do mercado internacional.
O cenário segue sendo monitorado pelo setor, especialmente em função das oscilações nos preços dos fertilizantes, do câmbio e das tensões externas que continuam influenciando diretamente os custos da produção agrícola brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Safra de cana 2026 em SP começa antecipada e usinas ampliam aposta na produção de etanol

Divulgação
A safra de cana-de-açúcar 2026 começou mais cedo no interior de São Paulo e trouxe um cenário de otimismo para produtores e usinas da região de Novo Horizonte (SP). Favorecidos pelas condições climáticas registradas no início do ano, os trabalhos de colheita foram antecipados em cerca de 15 dias em relação ao cronograma tradicional.
A expectativa do setor é de aumento na produtividade agrícola e crescimento na produção de etanol ao longo da temporada, reforçando a importância do estado paulista no abastecimento nacional de açúcar e biocombustíveis.
Usina prevê moagem de 3,7 milhões de toneladas de cana
Uma usina instalada na região projeta moer aproximadamente 3,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar nesta safra, volume superior em 171,4 mil toneladas ao registrado no ciclo anterior.
Caso a estimativa seja confirmada, o resultado representará o melhor desempenho operacional dos últimos três anos, mesmo abaixo do recorde alcançado em 2023, quando a moagem ultrapassou 4 milhões de toneladas.
Nos canaviais administrados pelo grupo responsável pela unidade industrial, a colheita teve início ainda em meados de abril. As operações acontecem de forma contínua, com máquinas atuando 24 horas por dia para acelerar o ritmo dos trabalhos no campo.
Atualmente, dos 47 mil hectares cultivados pela empresa, cerca de 39 mil hectares estão em plena fase de produção.
Clima favorece produtividade dos canaviais em São Paulo
Mesmo com área plantada semelhante à da safra passada, a expectativa para 2026 é de avanço na produtividade agrícola. O bom regime climático registrado nos primeiros meses do ano contribuiu para o desenvolvimento dos canaviais e elevou a confiança dos produtores da região.
Após a colheita mecanizada, a matéria-prima é transportada até a usina por caminhões com capacidade para até 100 toneladas.
Tradicionalmente voltada para a fabricação de açúcar, a unidade industrial deve ampliar nesta temporada o direcionamento da cana para a produção de etanol, acompanhando as perspectivas positivas para o mercado de biocombustíveis.
A safra atual deve seguir até o dia 23 de novembro, período em que o setor espera manter ritmo elevado de moagem e aproveitamento industrial.
Produtores investem em renovação do solo e variedades mais produtivas
O clima de confiança também alcança os fornecedores independentes de cana-de-açúcar. Produtores da região seguem investindo em renovação de áreas, correção de solo e modernização genética das variedades cultivadas.
É o caso do produtor Gerson Delsin, que mantém sete áreas de cultivo no interior paulista e realiza investimentos anuais para elevar a produtividade e garantir maior resistência das lavouras.
A expectativa dos produtores é de uma colheita robusta, sustentada pelo bom desenvolvimento das plantas e pelas condições climáticas favoráveis observadas até o momento.
Produção de etanol ganha força na safra 2026
Além do crescimento esperado na moagem, a estratégia das usinas para a safra 2026 reforça o avanço do etanol no mix de produção do setor sucroenergético.
Com demanda aquecida e maior competitividade do biocombustível no mercado interno, unidades industriais do interior paulista vêm ampliando a destinação da cana para fabricação de etanol, movimento que pode fortalecer a rentabilidade do segmento ao longo da temporada.
Fonte: Portal do Agronegócio
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
SindArroz-SC alerta que importação em cenário de superoferta ameaça mercado do arroz brasileiro

Arquivo
O avanço das importações de arroz em um momento de ampla oferta interna preocupa o setor orizícola brasileiro. Para o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina, a entrada adicional do grão em um cenário de produção suficiente para abastecer o mercado nacional pode comprometer o escoamento da safra brasileira e ampliar os prejuízos ao produtor e à indústria.
A entidade defende que as decisões relacionadas à importação sejam baseadas em critérios técnicos e planejamento estratégico de longo prazo, evitando desequilíbrios em períodos de superoferta.
Brasil mantém autossuficiência na produção de arroz
Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária apontam que o Brasil lidera a produção de arroz no Mercosul e responde sozinho por 37,4% de toda a produção de arroz da América Latina e Caribe na safra 2024/25.
No ciclo atual, a produção brasileira alcançou 10,6 milhões de toneladas, volume suficiente para atender o consumo interno, estimado em cerca de 10,5 milhões de toneladas anuais.
Além de ocupar a liderança regional em área colhida, o país também se destaca pela produtividade das lavouras, consolidando sua posição como principal produtor de arroz da região.
Superoferta pressiona preços e reduz rentabilidade do setor
Segundo o presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, a importação em períodos de elevada oferta interna aumenta a pressão sobre os preços e prejudica a competitividade da cadeia produtiva nacional.
De acordo com a entidade, produtores e indústrias brasileiras enfrentam custos tributários e operacionais superiores aos praticados por concorrentes estrangeiros, o que dificulta a disputa de mercado em momentos de excesso de oferta.
O setor afirma que esse cenário pode provocar descapitalização de produtores e indústrias, comprometendo investimentos e reduzindo a capacidade financeira da cadeia orizícola para as próximas safras.
Importação segue necessária em situações excepcionais
Apesar das críticas ao aumento das importações em períodos de superoferta, o SindArroz-SC reconhece que a compra externa de arroz é importante em situações emergenciais, principalmente quando eventos climáticos extremos afetam regiões produtoras e colocam em risco o abastecimento nacional.
Nesses casos, a importação atua como instrumento de equilíbrio do mercado e de garantia da segurança alimentar da população.
Para a entidade, o desafio está em construir mecanismos de gestão que permitam previsibilidade e equilíbrio entre oferta, demanda e abastecimento.
Planejamento integrado é apontado como solução
O sindicato defende a criação de um planejamento multi-institucional envolvendo produtores, indústrias, entidades representativas e órgãos públicos estaduais e federais.
A proposta é desenvolver estratégias que permitam ajustar a oferta de arroz ao consumo interno, evitando tanto a superoferta quanto a escassez do produto no mercado brasileiro.
Segundo Rampinelli, oscilações extremas prejudicam toda a cadeia produtiva.
“Quando há excesso de oferta, o produtor perde renda e compromete a próxima safra. Já em períodos de escassez, o consumidor enfrenta preços elevados e dificuldade de acesso ao alimento”, afirma.
Diversificação agrícola ganha força no debate
Além do controle equilibrado das importações, o SindArroz-SC também defende políticas de incentivo à diversificação das culturas agrícolas.
A entidade sugere que o Companhia Nacional de Abastecimento utilize dados de produção e consumo para orientar o planejamento agrícola nacional e estimular o remanejamento de áreas para outras culturas estratégicas.
Segundo o sindicato, programas de subsídios e incentivos poderiam ajudar produtores a diversificar a produção, reduzindo riscos econômicos, evitando excedentes e fortalecendo a segurança alimentar do país.
O objetivo, segundo a entidade, é construir um modelo mais equilibrado para o setor, garantindo renda ao produtor, estabilidade ao mercado e oferta regular de alimentos ao consumidor brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Área de soja cresce quase 300 mil hectares em MT e RO mesmo com crédito rural mais restritivo

Soja avança em Mato Grosso e Rondônia apesar das restrições no crédito rural
Mesmo diante de um cenário mais rigoroso para concessão de crédito rural, a soja segue em expansão no Centro-Oeste e Norte do país. Dados inéditos da série “Mapas Agro”, da Serasa Experian, apontam crescimento de aproximadamente 294 mil hectares na área plantada de soja em Mato Grosso e Rondônia na safra 2025/26.
Do total ampliado, cerca de 268 mil hectares estão em Mato Grosso, enquanto Rondônia adicionou aproximadamente 26 mil hectares ao cultivo da oleaginosa.
O levantamento, realizado com base em imagens de satélite e sensoriamento remoto, também identificou aumento de 13% na área de milho primeira safra nos dois estados.
Monitoramento por satélite ganha força no agro
Segundo a datatech da Serasa Experian, o uso de imagens de satélite vem se consolidando como ferramenta estratégica para acompanhamento agrícola, rastreabilidade e avaliação de conformidade ambiental.
De acordo com Dyego Santos, gerente de soluções agro da empresa, o avanço da soja demonstra a resiliência da atividade mesmo em um ambiente financeiro mais seletivo.
“O levantamento mostra a relevância da produção de soja para a região analisada e como, mesmo frente a um cenário de crédito agrícola mais restritivo, a cultura continua resiliente e em expansão”, afirma.
O executivo destaca ainda que o monitoramento remoto contribui para decisões mais estratégicas ao longo da safra e atende às crescentes exigências do mercado por rastreabilidade e conformidade.
Mato Grosso mantém liderança nacional na produção de soja
O Mato Grosso segue como principal produtor de soja do Brasil. Na safra 2025/26, o estado alcançou cerca de 12,4 milhões de hectares plantados, equivalente a aproximadamente um quarto da produção nacional.
A análise mostra ainda forte concentração da atividade em grandes propriedades rurais, responsáveis por cerca de 60% da área cultivada. Já as pequenas propriedades representam aproximadamente 18% do total.
Entre os municípios que mais expandiram o plantio de soja estão:
*Paranatinga: +21,9 mil hectares
*Novo São Joaquim: +12,5 mil hectares
*Nova Mutum: +12,4 mil hectares
*Campo Novo do Parecis: +12,3 mil hectares
*Marcelândia: +11,8 mil hectares
Por outro lado, cerca de 20 municípios registraram retração superior a mil hectares, com destaque para Alta Floresta, que apresentou redução de 6% em relação ao ciclo anterior.
Adesão ao CAR atinge 97% da área de soja em Mato Grosso
O estudo também mostra elevado nível de conformidade ambiental nas áreas monitoradas.
Em Mato Grosso, aproximadamente 97% da área cultivada com soja está cadastrada no CAR, reforçando o avanço da regularização fundiária e ambiental no estado.
Segundo a Serasa Experian, o cruzamento entre dados territoriais e informações regulatórias tende a ganhar ainda mais relevância diante das novas exigências para operações de crédito rural.
“Com o avanço das exigências de monitoramento no crédito rural, o cruzamento entre dados territoriais e informações regulatórias se torna fundamental para avaliar conformidade e risco das operações”, explica Dyego Santos.
Rondônia amplia área de soja em mais de 84% em seis safras
Em Rondônia, a soja continua avançando como uma das principais culturas agrícolas do estado. A área plantada atingiu aproximadamente 730 mil hectares na safra 2025/26.
Nos últimos seis ciclos, o crescimento acumulado foi de cerca de 84,4%, consolidando o estado como uma nova fronteira agrícola da oleaginosa no país.
Diferentemente de Mato Grosso, o perfil produtivo em Rondônia apresenta maior equilíbrio entre tamanhos de propriedades:
Pequenas propriedades: 44% da área cultivada
Grandes propriedades: 38% da área cultivada
Crédito rural e monitoramento ambiental elevam exigências no campo
O levantamento aponta que 93% da área de soja em Rondônia já possui registro no Cadastro Ambiental Rural. Ainda assim, cerca de 48 mil hectares permanecem fora do sistema.
Além disso, aproximadamente 410 mil hectares estão inseridos em imóveis rurais sujeitos às novas regras de monitoramento previstas pela Resolução CMN 5.267, que exige acompanhamento contínuo via sensoriamento remoto em propriedades acima de 300 hectares vinculadas ao crédito rural.
Entre os municípios com maior expansão da soja em Rondônia estão:
Alto Paraíso: +4,9 mil hectares
Porto Velho: +4,2 mil hectares
Candeias do Jamari: +3,6 mil hectares
Pimenteiras do Oeste: +2,9 mil hectares
Cujubim: +2,5 mil hectares
Panorama
Mesmo com um ambiente mais restritivo para financiamento agrícola, Mato Grosso e Rondônia seguem ampliando suas áreas de soja e milho. O movimento reforça a força da produção agrícola brasileira e evidencia a crescente importância do monitoramento via satélite, da regularização ambiental e da rastreabilidade como fatores estratégicos para acesso ao crédito e expansão sustentável do agro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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