Mato Grosso

Com decisões cruciais em Brasília e no campo, Mato Grosso inicia a semana sob o impacto de recordes e debates logísticos/Divulgação
Do sinal verde definitivo para os trilhos rumo ao Norte ao prazo final do Imposto de Renda e o recorde de R$ 42 bilhões na pecuária: confira o panorama completo do estado a partir desta segunda-feira.
Após um encerramento de semana histórico para a infraestrutura nacional, Mato Grosso abre a agenda semanal com os olhos cravados nos desdobramentos de decisões que vão redesenhar o tabuleiro do agronegócio, da malha logística e do planejamento fiscal urbano e rural. Entre a consolidação de novas ferrovias e o limite para o acerto de contas com a Receita Federal, o estado entra em um dos períodos mais dinâmicos do semestre.
O comércio e o setor produtivo de cidades polo como Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop calibram suas ferramentas de mercado para responder às pressões inflacionárias globais dos insumos, enquanto o campo celebra o fim de longas batalhas jurídicas e acelera os investimentos na engorda intensiva, que opera em patamares recordes.
Vitória histórica: STF valida a lei e destrava a Ferrogrão
A semana começa sob a forte repercussão da guinada jurídica nos tribunais de Brasília. O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria esmagadora de 9 votos a 1 para validar a Lei 13.452/2017, derrubando a ação judicial movida pelo PSOL e ONGs que paralisava a implantação da Ferrogrão (EF-170). Com o aval definitivo da Corte, o projeto monumental que ligará Sinop ao Porto de Miritituba (PA) recebe o sinal verde para revolucionar o escoamento.
A decisão afasta o impasse jurídico que se arrastava por quase uma década sobre a faixa de domínio do Parque Nacional do Jamanxim (PA). O relator, ministro Alexandre de Moraes, destacou que mais de 60% do traçado de 933 km passará por áreas já suprimidas para a abertura da BR-163, afetando apenas 0,054% da unidade de conservação e reduzindo em 50% as emissões de CO2 em relação ao modal rodoviário. O anúncio gera forte otimismo para tradings e cooperativas regionais, que iniciam a semana desenhando novos planos de atração de capital internacional.
Prazo final: O Leão na reta final do Imposto de Renda 2026
Para o cidadão comum, contadores e produtores rurais, o relógio corre de forma implacável contra o bolso. Esta semana marca o encerramento definitivo do prazo de entrega da declaração do Imposto de Renda 2026 (ano-base 2025). A corrida contra o tempo exige atenção redobrada para evitar congestionamentos nos sistemas de recepção da Receita Federal.
O calendário fiscal exige foco total nos seguintes pontos:
Data Limite: O prazo final para o envio dos dados tributários termina nesta semana, e a omissão gera multas automáticas e pesadas;
Alerta da Atividade Rural: Produtores que obtiveram receita bruta acima de R$ 177.920,00 precisam revisar minuciosamente os livros-caixa para afastar os riscos de retenção na malha fina;
Restituição do 1º Lote: No mesmo dia do fechamento dos prazos, a Receita Federal realiza o pagamento do primeiro lote de restituição, priorizando idosos, pessoas com deficiência, professores e contribuintes que optaram pela declaração pré-preenchida ou chave Pix;
Regularidade do CPF: A não entrega bloqueia o documento do cidadão, impedindo a liberação de linhas de crédito rural, custeio de safras e movimentações bancárias básicas.
Trilhos do Leste: Comitiva vistoria canteiro de obras da FICO
Enquanto o Norte comemora o destravamento da EF-170, a região do Vale do Araguaia e Médio Araguaia acompanha de perto os trabalhos da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO). Uma comitiva integrada por prefeitos, vereadores e empresários de Água Boa realizou uma vistoria técnica nas frentes de trabalho localizadas no município de Cocalinho.
As vistorias confirmaram que 60% da imponente ponte ferroviária sobre o Rio Araguaia — que terá 1.600 metros de extensão — já está executada, com previsão de conclusão fixada para fevereiro de 2027. A empreiteira responsável acelera os trabalhos de terraplanagem e abertura de terreno para que os trilhos atinjam o quilômetro 292 do traçado até abril de 2028. Na seara socioambiental, lideranças políticas indicam que as tratativas sobre o componente indígena no trecho final até Água Boa estão maduras e devem ser formalizadas até o fim do ano.
Alerta no caixa: Conflito internacional inflaciona adubos
Apesar do horizonte promissor na logística, o planejamento financeiro imediato da safra de grãos 2026/2027 ganha contornos de forte preocupação. Dados consolidados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que as tensões armadas no Oriente Médio encareceram consideravelmente o bolso do agricultor devido à crise nas rotas marítimas e logísticas internacionais.
Mesmo com uma queda de 4% no volume de fertilizantes importados pelo Brasil no primeiro quadrimestre (7,4 milhões de toneladas), o custo total pago pelo país subiu 16%. O preço médio da ureia disparou 40% nas praças produtoras, enquanto o MAP subiu 20%. Como o preço da soja (0,9%) e do milho (0,1%) permaneceu praticamente estagnado, a relação de troca piorou significativamente, obrigando o produtor a desembolsar mais sacas da commodity para garantir o mesmo volume de adubação.
Pecuária em ritmo recorde: VBP deve bater R$ 42,1 bilhões
Do lado da proteína animal, a engrenagem econômica roda com desempenho histórico. Projeções divulgadas pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que a pecuária de corte do estado deve movimentar robustos R$ 42,1 bilhões ao longo de 2026, consolidando um crescimento de 6,8% sobre o faturamento do ano anterior.
Com essa arrancada, a pecuária passa a responder por 20,2% de todo o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária do estado, que está projetado em R$ 208,3 bilhões. Apenas no primeiro trimestre de 2026, Mato Grosso registrou o abate recorde de 1,8 milhão de cabeças de bovinos (alta de 6,7%). Segundo a análise técnica do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), o cenário de preços da arroba ganha sustentação extra pela estratégia de retenção de fêmeas adotada pelos criadores, o que deve controlar a oferta de animais prontos nos próximos meses.
O Agro no CenárioMT: Movimentação estratégica
Seja consolidando as bases da malha ferroviária mais moderna do Centro-Oeste brasileiro, correndo para cumprir os compromissos regulatórios fiscais com o governo federal ou gerenciando os custos elevados de insumos importados, Mato Grosso prova sua resiliência e liderança econômica nesta semana. As tomadas de decisão nos escritórios e nas fazendas nos próximos dias ditarão o faturamento do fechamento do semestre.
Acompanhe em tempo real o portal CenárioMT para conferir os informativos diários de mercado, atualizações sobre as regras e plantão do Imposto de Renda, além dos bastidores políticos que mexem com a infraestrutura do nosso estado.
Análise de conjuntura econômica, fiscal e logística da equipe de jornalismo do CenárioMT.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Mato Grosso
Mato Grosso lança plano de combate ao desmatamento e incêndios florestais para 2026

Divulgação
O Governo de Mato Grosso lança nesta segunda-feira (25) o Plano de Ação de Combate ao Desmatamento Ilegal e Incêndios Florestais para o ano de 2026. A iniciativa reúne estratégias integradas para prevenção, monitoramento e enfrentamento das queimadas, fenômeno que anualmente provoca impactos ambientais, econômicos e sociais em diversas regiões do Estado.
O plano prevê recursos financeiros destinados à adoção de medidas voltadas à gestão, monitoramento, responsabilização, fiscalização, prevenção e combate aos incêndios, além de ações de proteção da fauna silvestre e comunicação junto à população. O planejamento foi elaborado pelo Comitê Estratégico para Combate ao Desmatamento Ilegal, Exploração Florestal Ilegal e Incêndios Florestais no Estado de Mato Grosso (CEDIF-MT).
O lançamento ocorre em um momento de atenção crescente em relação ao período seco, historicamente marcado pelo aumento significativo dos focos de calor em Mato Grosso. Todos os anos, municípios mato-grossenses enfrentam os efeitos das queimadas, com prejuízos à qualidade do ar, riscos à saúde da população, danos à biodiversidade e impactos diretos sobre áreas de produção rural e reservas ambientais.
Além de Mato Grosso, outros estados das regiões Centro-Oeste e Norte convivem frequentemente com cenários críticos durante os meses de estiagem. Estados como Pará, Rondônia, Amazonas, Tocantins e Goiás registram, ano após ano, aumento expressivo de incêndios florestais e queimadas irregulares, situação que mobiliza forças de segurança, brigadistas, órgãos ambientais e equipes de saúde pública.
Em Mato Grosso, a combinação entre estiagem prolongada, altas temperaturas, baixa umidade do ar e ações humanas irregulares costuma elevar o risco de incêndios em áreas urbanas, rurais e de vegetação nativa. O problema afeta especialmente biomas importantes presentes no território mato-grossense, como o Pantanal, a Amazônia e o Cerrado.
Nos últimos anos, as queimadas passaram a gerar ainda mais preocupação devido aos impactos ambientais de grande escala, incluindo destruição da fauna, perda de vegetação nativa, emissão de gases poluentes e agravamento de problemas respiratórios na população, especialmente entre crianças e idosos. Em períodos críticos, cidades chegam a registrar baixa visibilidade causada pela fumaça, além do aumento da demanda por atendimentos médicos relacionados a doenças respiratórias.
Com o novo plano, o Governo do Estado busca fortalecer a atuação preventiva e ampliar a capacidade de resposta diante dos incêndios florestais, integrando ações entre diferentes órgãos públicos para reduzir danos ambientais e proteger comunidades atingidas pelos focos de calor.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Mato Grosso
Aprosoja MT reconhece apoio do deputado Dr. Eugênio na defesa dos produtores nas áreas úmidas do Araguaia e Guaporé

Foto: Assessoria
O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, reconheceu publicamente o apoio do deputado estadual Dr. Eugênio na defesa do projeto relacionado às áreas úmidas das regiões do Araguaia e Guaporé. Recentemente, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) resultou em um novo capítulo do debate, favorável aos produtores, que consolidou uma luta de anos do parlamentar por segurança jurídica e estabilidade ao setor produtivo rural de Mato Grosso.
Em vídeo divulgado pela Aprosoja MT, Lucas Costa Beber destacou a importância da atuação política e institucional em defesa dos produtores rurais. No último dia 15 de maio, os produtores que exploram regiões alagáveis em Mato Grosso tiveram uma vitória no debate, com a decisão do STF que restabeleceu os efeitos da Resolução nº 45/2022 do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema). A medida é vista pelo setor como um avanço importante para assegurar previsibilidade às atividades agropecuárias nessas regiões.
“De forma especial [registro o nosso agradecimento] ao deputado Dr. Eugênio e Valmir Moretto. O deputado Dr. Eugênio pela região do Araguaia e o deputado Valmir Moretto pela região do Guaporé. Eles têm atuado de forma extremamente diligente nesta pauta das áreas úmidas, fomentando debates, estudos e diálogos entre o setor produtivo e o Poder Público, sempre buscando mais segurança jurídica para os produtores dessas regiões”, disse em vídeo publicado nas redes sociais.
Para o representante da Aprosoja, as regras na produção rural não podem ser alteradas sem discussão prévia, prejudicando os agropecuaristas e toda a economia do estado. “Quem praticou ato amparado em uma norma estadual vigente não pode, da noite para o dia, ser colocado em situação de insegurança sem que sejam observados os trâmites legais adequados e o devido processo.”
A discussão sobre a classificação das áreas úmidas do Araguaia e do Vale do Guaporé se intensificou em 2023, quando uma medida liminar da Vara Especializada do Meio Ambiente, com base em ação civil pública, restringiu a utilização de áreas úmidas em ambas as regiões, equiparando-as ao bioma Pantanal.
Dr. Eugênio liderou uma mobilização na Assembleia Legislativa (ALMT) se opondo à medida e pedindo estudos técnicos que confirmassem a classificação das terras do Araguaia e do Vale do Guaporé. Em 2024, veio a primeira vitória: ficou confirmado, mediante estudo da UFMT, que as áreas úmidas de ambas as regiões não são equiparadas ao bioma Pantanal.
Em 2025, foi sancionado o projeto de lei complementar nº 43/2025, de autoria do Dr. Eugênio e coautoria do deputado Valmir Moretto, que altera o Código Estadual de Meio Ambiente e regulamenta a exploração econômica e o uso sustentável de áreas úmidas nos vales do Araguaia, Guaporé e Pantanal.
A decisão recente do STF anulou a ação cívil pública movida contra a Resolução 45/2022 do CONSEMA, restabelecendo os efeitos da normativa estadual e reduzindo possibilidades de novos questionamentos e entraves jurídicos.
“Fico feliz pelo reconhecimento e por poder exercer essa atuação política e institucional, por meio da Assembleia Legislativa, em defesa dos produtores rurais de Mato Grosso. No Araguaia, mais de 4 milhões de hectares produtivos seriam impactados com as restrições e isso representaria uma tragédia no campo, com efeitos drásticos na economia e no social de pelo menos 17 municípios. Seriam milhares de postos de trabalho perdidos, renda reduzida e arrecadação municipal de várias cidades gravemente afetadas. Um prejuízo inimaginável, que não vamos deixar acontecer. Conte sempre conosco, Aprosoja, para defender os produtores e a produção rural sustentável em Mato Grosso”, declarou o deputado Dr. Eugênio.
Por Kayc Alves/AguaBoaNews
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Mato Grosso
CNA: Fertilizantes mais caros e conflitos pressionam custo da próxima safra

Imagem: CNA
As tensões no Oriente Médio estão impactando o bolso do produtor rural brasileiro e podem elevar ainda mais os custos da safra de grãos 2026/2027. É o que aponta o levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Com as compras de fertilizantes para a safra 2026/2027 se concentrando no segundo semestre, este é o momento mais crítico para o planejamento do produtor.
A análise mostra que, entre janeiro e abril de 2026, o volume de fertilizantes nitrogenados e fosfatados importados caiu de 7,7 milhões de toneladas para 7,4 milhões de toneladas, o que representa uma queda 4% se comparado ao mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, o valor desembolsado pelo País para importação aumentou 16%, reflexo direto do conflito e impactos do custo logístico.
Preço do fertilizante sobe, mas soja e milho não acompanham – De acordo com a CNA, o dado mais preocupante não está apenas no preço dos fertilizantes, mas na deterioração da relação de troca. Para comprar a mesma quantidade de adubo, o produtor precisa entregar mais sacas de soja ou milho do que em anos anteriores.
Em 2026 essa equação está pior do que em 2022, ano marcado pelo início da guerra entre Rússia e Ucrânia, quando os preços dos insumos também dispararam, mas as commodities agrícolas operavam em patamares historicamente elevados.
Dados do projeto Campo Futuro, do Sistema CNA/Senar, mostram que o preço médio por tonelada de ureia ao produtor aumentou 40% no período do conflito do Oriente Médio. No grupo dos fosfatados, o preço médio do MAP subiu 20%. Por outro lado, as cotações da soja (+0,9%) e o milho (+0,1%) ficam praticamente estáveis no mesmo período.
Dependência externa segue como ponto fraco
O Brasil possui alta dependência externa para a utilização de insumos. Cerca de 93% dos fertilizantes utilizados no Brasil foram importados. Qualquer choque externo, seja por conflito armado, sanção comercial ou crise logística, se traduz quase imediatamente em custo maior para o campo brasileiro.
Preços altos levam a uma reconfiguração do mercado
Diante dos preços elevados, o produtor vem buscando fontes de menor concentração. Nesse contexto, em 2025 a China ultrapassou a Rússia e assumiu a liderança nas exportações de fertilizantes ao mercado brasileiro. Os principais exportadores no ano passado foram China (26%), Rússia (25%) e Canadá (11%). Durante o conflito, observa-se continuidade da mudança, com o aumento da importação dos produtos menos impactados, como potássicos, onde países como o Turcomenistão (8%) passa a figurar entre os cinco principais fornecedores no compilado de fevereiro a abril.
Fernanda Toigo
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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