Agronegócio
Importações de fertilizantes crescem, mas cenário internacional mantém alerta no agro brasileiro

Foto: Rodrigo Felix Leal/SEIL
O Brasil ampliou as importações de fertilizantes em fevereiro, reforçando o abastecimento para as próximas safras e garantindo uma margem de segurança ao produtor rural. No período, o país internalizou 2,38 milhões de toneladas, volume superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, quando foram importadas 2,29 milhões de toneladas.
Os dados constam em levantamentos baseados na plataforma Comex Stat e em análises do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento, que apontam um movimento consistente de compras externas ao longo dos últimos meses. O resultado de fevereiro figura como o segundo maior volume mensal da série histórica, sinalizando que, até recentemente, havia uma estratégia ativa de antecipação por parte dos produtores.
No recorte logístico, o porto de Paranaguá liderou a entrada de fertilizantes, com 0,71 milhão de toneladas, acima das 0,61 milhão registradas no mesmo período de 2025. Na sequência aparecem o Porto de Santos, com 0,51 milhão de toneladas, e os portos do Arco Norte, co 0,35 milhão, ambos também com crescimento em relação ao ano anterior.
Apesar do reforço no abastecimento, o cenário internacional traz preocupações relevantes. As tensões no Oriente Médio têm provocado instabilidade no mercado global de fertilizantes, com reflexos diretos no agronegócio brasileiro. Há relatos de aumento nos preços de insumos como ureia e nitrato de amônia, além da redução de ofertas por parte de alguns países exportadores, diante das incertezas geopolíticas.
Esse contexto amplia o risco estrutural de oferta, especialmente para o Brasil, que depende fortemente das importações. Entre janeiro e dezembro de 2025, o país importou 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes, frente a um consumo estimado em 51,7 milhões, evidenciando a elevada exposição a oscilações externas.
Fatores adicionais agravam o cenário, como a redução da produção de nitrogenados no Catar, restrições na navegação no Estreito de Ormuz e a maior volatilidade nos mercados de energia. Esses elementos, combinados, podem pressionar ainda mais os custos de produção agrícola nos próximos meses.
Diante desse ambiente, o avanço das importações observado em fevereiro representa um alívio momentâneo, mas não elimina os riscos. O comportamento do mercado internacional seguirá sendo determinante para o planejamento das próximas safras, exigindo atenção redobrada de produtores e agentes do setor.
Fonte: CenárioMT
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Safra de cana 2026 em SP começa antecipada e usinas ampliam aposta na produção de etanol

Divulgação
A safra de cana-de-açúcar 2026 começou mais cedo no interior de São Paulo e trouxe um cenário de otimismo para produtores e usinas da região de Novo Horizonte (SP). Favorecidos pelas condições climáticas registradas no início do ano, os trabalhos de colheita foram antecipados em cerca de 15 dias em relação ao cronograma tradicional.
A expectativa do setor é de aumento na produtividade agrícola e crescimento na produção de etanol ao longo da temporada, reforçando a importância do estado paulista no abastecimento nacional de açúcar e biocombustíveis.
Usina prevê moagem de 3,7 milhões de toneladas de cana
Uma usina instalada na região projeta moer aproximadamente 3,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar nesta safra, volume superior em 171,4 mil toneladas ao registrado no ciclo anterior.
Caso a estimativa seja confirmada, o resultado representará o melhor desempenho operacional dos últimos três anos, mesmo abaixo do recorde alcançado em 2023, quando a moagem ultrapassou 4 milhões de toneladas.
Nos canaviais administrados pelo grupo responsável pela unidade industrial, a colheita teve início ainda em meados de abril. As operações acontecem de forma contínua, com máquinas atuando 24 horas por dia para acelerar o ritmo dos trabalhos no campo.
Atualmente, dos 47 mil hectares cultivados pela empresa, cerca de 39 mil hectares estão em plena fase de produção.
Clima favorece produtividade dos canaviais em São Paulo
Mesmo com área plantada semelhante à da safra passada, a expectativa para 2026 é de avanço na produtividade agrícola. O bom regime climático registrado nos primeiros meses do ano contribuiu para o desenvolvimento dos canaviais e elevou a confiança dos produtores da região.
Após a colheita mecanizada, a matéria-prima é transportada até a usina por caminhões com capacidade para até 100 toneladas.
Tradicionalmente voltada para a fabricação de açúcar, a unidade industrial deve ampliar nesta temporada o direcionamento da cana para a produção de etanol, acompanhando as perspectivas positivas para o mercado de biocombustíveis.
A safra atual deve seguir até o dia 23 de novembro, período em que o setor espera manter ritmo elevado de moagem e aproveitamento industrial.
Produtores investem em renovação do solo e variedades mais produtivas
O clima de confiança também alcança os fornecedores independentes de cana-de-açúcar. Produtores da região seguem investindo em renovação de áreas, correção de solo e modernização genética das variedades cultivadas.
É o caso do produtor Gerson Delsin, que mantém sete áreas de cultivo no interior paulista e realiza investimentos anuais para elevar a produtividade e garantir maior resistência das lavouras.
A expectativa dos produtores é de uma colheita robusta, sustentada pelo bom desenvolvimento das plantas e pelas condições climáticas favoráveis observadas até o momento.
Produção de etanol ganha força na safra 2026
Além do crescimento esperado na moagem, a estratégia das usinas para a safra 2026 reforça o avanço do etanol no mix de produção do setor sucroenergético.
Com demanda aquecida e maior competitividade do biocombustível no mercado interno, unidades industriais do interior paulista vêm ampliando a destinação da cana para fabricação de etanol, movimento que pode fortalecer a rentabilidade do segmento ao longo da temporada.
Fonte: Portal do Agronegócio
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
SindArroz-SC alerta que importação em cenário de superoferta ameaça mercado do arroz brasileiro

Arquivo
O avanço das importações de arroz em um momento de ampla oferta interna preocupa o setor orizícola brasileiro. Para o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina, a entrada adicional do grão em um cenário de produção suficiente para abastecer o mercado nacional pode comprometer o escoamento da safra brasileira e ampliar os prejuízos ao produtor e à indústria.
A entidade defende que as decisões relacionadas à importação sejam baseadas em critérios técnicos e planejamento estratégico de longo prazo, evitando desequilíbrios em períodos de superoferta.
Brasil mantém autossuficiência na produção de arroz
Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária apontam que o Brasil lidera a produção de arroz no Mercosul e responde sozinho por 37,4% de toda a produção de arroz da América Latina e Caribe na safra 2024/25.
No ciclo atual, a produção brasileira alcançou 10,6 milhões de toneladas, volume suficiente para atender o consumo interno, estimado em cerca de 10,5 milhões de toneladas anuais.
Além de ocupar a liderança regional em área colhida, o país também se destaca pela produtividade das lavouras, consolidando sua posição como principal produtor de arroz da região.
Superoferta pressiona preços e reduz rentabilidade do setor
Segundo o presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, a importação em períodos de elevada oferta interna aumenta a pressão sobre os preços e prejudica a competitividade da cadeia produtiva nacional.
De acordo com a entidade, produtores e indústrias brasileiras enfrentam custos tributários e operacionais superiores aos praticados por concorrentes estrangeiros, o que dificulta a disputa de mercado em momentos de excesso de oferta.
O setor afirma que esse cenário pode provocar descapitalização de produtores e indústrias, comprometendo investimentos e reduzindo a capacidade financeira da cadeia orizícola para as próximas safras.
Importação segue necessária em situações excepcionais
Apesar das críticas ao aumento das importações em períodos de superoferta, o SindArroz-SC reconhece que a compra externa de arroz é importante em situações emergenciais, principalmente quando eventos climáticos extremos afetam regiões produtoras e colocam em risco o abastecimento nacional.
Nesses casos, a importação atua como instrumento de equilíbrio do mercado e de garantia da segurança alimentar da população.
Para a entidade, o desafio está em construir mecanismos de gestão que permitam previsibilidade e equilíbrio entre oferta, demanda e abastecimento.
Planejamento integrado é apontado como solução
O sindicato defende a criação de um planejamento multi-institucional envolvendo produtores, indústrias, entidades representativas e órgãos públicos estaduais e federais.
A proposta é desenvolver estratégias que permitam ajustar a oferta de arroz ao consumo interno, evitando tanto a superoferta quanto a escassez do produto no mercado brasileiro.
Segundo Rampinelli, oscilações extremas prejudicam toda a cadeia produtiva.
“Quando há excesso de oferta, o produtor perde renda e compromete a próxima safra. Já em períodos de escassez, o consumidor enfrenta preços elevados e dificuldade de acesso ao alimento”, afirma.
Diversificação agrícola ganha força no debate
Além do controle equilibrado das importações, o SindArroz-SC também defende políticas de incentivo à diversificação das culturas agrícolas.
A entidade sugere que o Companhia Nacional de Abastecimento utilize dados de produção e consumo para orientar o planejamento agrícola nacional e estimular o remanejamento de áreas para outras culturas estratégicas.
Segundo o sindicato, programas de subsídios e incentivos poderiam ajudar produtores a diversificar a produção, reduzindo riscos econômicos, evitando excedentes e fortalecendo a segurança alimentar do país.
O objetivo, segundo a entidade, é construir um modelo mais equilibrado para o setor, garantindo renda ao produtor, estabilidade ao mercado e oferta regular de alimentos ao consumidor brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
Agronegócio
Algodão em Mato Grosso exige venda acima de R$ 127/@ para cobrir custos da safra 2026/27

Divulgação
O custo de produção do algodão em Mato Grosso voltou a subir em abril e acendeu um alerta para os produtores da safra 2026/27. Segundo levantamento do projeto CPA-MT, divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, o avanço das despesas foi puxado principalmente pela valorização dos macronutrientes, impactados pelas tensões geopolíticas no mercado internacional.
De acordo com os dados, o custeio da lavoura alcançou R$ 10.642,28 por hectare, crescimento de 1,05% em relação ao mês anterior. O movimento reflete a pressão sobre os insumos agrícolas diante das incertezas logísticas globais, especialmente envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de fertilizantes e commodities do mundo.
Com o encarecimento dos insumos, o Custo Operacional Efetivo (COE) do algodão também avançou em abril. O indicador foi estimado em R$ 15.227,56 por hectare, registrando alta mensal de 0,55%.
O estudo mostra ainda que, para conseguir cobrir os custos operacionais da atividade, o cotonicultor mato-grossense precisará comercializar a pluma por pelo menos R$ 127,09 por arroba, considerando uma produtividade média projetada de 119,82 arrobas por hectare.
Apesar da elevação dos custos, o cenário de preços mais atrativos da pluma nos últimos meses vem favorecendo a estratégia comercial dos produtores. Segundo o instituto, muitos cotonicultores intensificaram o travamento de custos e a proteção de margens, aproveitando oportunidades de mercado para reduzir os riscos da safra futura.
Esse movimento também ajudou a acelerar a comercialização da safra 2026/27 em Mato Grosso. Após um período de atraso nas negociações, as vendas passaram a superar a média histórica registrada nos últimos anos, demonstrando maior interesse dos produtores em garantir rentabilidade diante da volatilidade do mercado internacional.
O cenário segue sendo monitorado pelo setor, especialmente em função das oscilações nos preços dos fertilizantes, do câmbio e das tensões externas que continuam influenciando diretamente os custos da produção agrícola brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]
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