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Agricultura

Polinização animal contribui, em média, com 16,14% do valor da produção agrícola do país

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Reprodução/cenariomt

 

A contribuição da polinização animal no valor da produção agrícola/extrativista brasileira em 2023 está entre 5% e 25% do total, considerando os valores mínimos e máximos do Indicador de Contribuição dos Polinizadores no Valor da Produção. Nesse ano, o valor médio do índice foi de 16,14%, apresentando crescimento em relação a 1996 (14,4%), ano inicial da série. O estudo experimental “Contribuição dos Polinizadores para as Produções Agrícola e Extrativista do Brasil 1981-2023”, divulgado hoje (17) pelo IBGE, investigou a quantidade produzida, a área colhida e o valor da produção de cultivos que possuem diferentes níveis de dependência da ação de polinizadores animais, como abelhas, borboletas, besouros, morcegos etc. destacando suas variações temporais, regionais e municipais. Foram utilizados dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) e da Produção da Extração Vegetal e Silvicultura (PEVS).

O Indicador de Contribuição dos Polinizadores no Valor da Produção representa a participação das culturas dependentes de polinização animal em relação ao total produzido, levando em conta os diferentes graus de dependência de polinização de cada espécie de planta. Ele é calculado por meio da ponderação do valor de produção de cada produto por seu grau de dependência de polinização e reflete a distribuição dos produtos dependentes de polinização e sua participação no valor total de produção em cada recorte geográfico. Quanto maior esse indicador, maior a contribuição estimada da polinização animal.

“Futuras análises incorporando estimativas da oferta de polinizadores em função das características das paisagens permitirão avançar nas estimativas do valor desse serviço no âmbito do Sistema de Contas Econômicas Ambientais”, explica Leonardo Bergamini, analista da Coordenação de Meio Ambiente do IBGE, responsável pelo estudo.

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Dentre os 89 produtos analisados pelo estudo, 48,3% dependem, em algum grau, da polinização animal, sendo que esse impacto é mais expressivo nas culturas permanentes e extrativistas, que apresentam maior dependência desse processo. A polinização consiste na transferência do pólen entre as partes masculinas e femininas das flores, viabilizando fertilização e reprodução, através da produção de frutos e sementes. Esse processo pode ser mediado por agentes como a água, o vento e a gravidade (polinização abiótica), ou realizado por animais (polinização biótica).

Considerando o modo de produção, em 2023, para as lavouras temporárias, o indicador foi de 12,0% e para as permanentes, de 38,7%. Já o valor de produção do extrativismo recebia uma contribuição de 47,2%. A produção extrativista foi a modalidade em que a contribuição dos polinizadores mais cresceu, saindo de 21,8% em 1996. Para as lavouras temporárias, o indicador em 1996 era de 7,3% e para as permanentes, 36,4%.

Os produtos de culturas temporárias são os principais determinantes dos padrões observados para o Brasil, pois ocupam maior porção da área colhida, superando as produções permanente e extrativista combinadas. No entanto, uma parte considerável dos produtos temporários independe de polinização animal. Ainda assim, observa-se, entre os temporários, uma tendência de crescimento da contribuição da polinização ao longo do período de análise, podendo ultrapassar os 20% nos anos mais recentes, se considerado o limite superior dos valores de dependência atribuído a cada cultura.

“A polinização influencia consideravelmente o valor da produção agrícola e extrativista do país. O aumento da dependência dos cultivos em relação a esse processo, no entanto, contrasta com a redução das populações de polinizadores. Existem várias ameaças às espécies polinizadoras, como perda de habitat, uso intensivo de pesticidas, doenças, mudanças climáticas, espécies invasoras etc. Superar esses desafios exige investimentos em pesquisa e estratégias que garantam a continuidade desse serviço”, explica Leonardo. Ele lembra que cultivos com taxas mais baixas de dependência também podem ter sua produção e qualidade incrementadas de forma significativa pela ação dos polinizadores.

Principal cultura temporária do país, soja mostra dependência modesta da polinização

Embora os valores médios de contribuição da polinização para o valor da produção tenham sido, em geral, de 10% a 20%, existem diferenças, dependendo da composição das culturas predominantes em cada região. A soja, por exemplo, apareceu entre os cinco principais produtos com dependência de polinizadores em todas as regiões.

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Mesmo com dependência modesta dos polinizadores, devido ao volume produzido e valor de produção, a expansão da soja para além de suas áreas tradicionais de cultivo, no sul do Brasil, teve duas consequências: por um lado, contribuiu para o aumento da área ocupada por culturas que dependem de polinizadores e, por outro, substituiu cultivos com maior dependência desses agentes, reduzindo a participação de produtos associados à polinização animal, especialmente aqueles de menor valor comercial.

No Norte, a contribuição dos polinizadores para o valor de produção dos produtos temporários foi ligeiramente superior a 10% nos anos recentes. Já para o valor de produção das culturas permanentes, esse índice supera os 60% desde 2020. O principal produto de cultura temporária foi a soja (dependência Modesta). Em relação às culturas permanentes, açaí (Alta) foi o principal produto dessa categoria de cultivo, sendo os estados do Pará e Amazonas os principais produtores. Café canephora e cacau vieram na sequência, com participação importante na produção agrícola. A dependência da polinização, no extrativismo vegetal, ficou em torno de 80%, sendo açaí (Alta) o principal produto dessa categoria na região.

No Nordeste, onde predominam culturas permanentes altamente dependentes da ação dos polinizadores, a contribuição esteve próxima de 50% ao longo de todo o período analisado. Entre as culturas temporárias dependentes da polinização animal, destacaram-se a soja e o algodão (Modesta) que, devido ao alto volume de produção e ao valor econômico, têm impacto significativo no valor da produção. Quanto às culturas permanentes, frutas como manga (Alta), cacau (Essencial) e uva (Pouca), entre outras, são relevantes para a economia regional e dependem da polinização animal para garantir qualidade e quantidade. No extrativismo, apesar de nenhum produto ter ficado entre os cinco maiores da região, o babaçu (Modesta), o açaí (Alta) e o umbu (Essencial) se destacaram.

No Sudeste, as principais culturas temporárias, como a soja e o tomate, também possuem dependência modesta da polinização animal, resultando em um valor geral do indicador em torno dos 16% ao longo do período analisado. No lado das culturas permanentes, com contribuição de 32,5% em 2023, vale mencionar produtos bastante relevantes para a economia nacional e o mercado externo: as duas espécies de café, canephora (Alta) e arábica (Modesta), e a laranja (Modesta). E, no extrativismo vegetal, destaque para o pequi, produto com dependência Essencial da polinização, realizada principalmente por morcegos. Nesse modo de produção o valor da contribuição atingiu 75,1% em 2023.

No Sul, dentre as lavouras temporárias, três produtos de dependência modesta merecem destaque: soja, feijão e tomate, com um indicador de 11% no ano de 2023. Entre as culturas permanentes, além da uva (Pouca), cabe destacar a maçã, que apresenta alta dependência da polinização animal e é um dos principais responsáveis pelo indicador de 31,4% em 2023 -, sendo os estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul os maiores produtores do Brasil. Os principais produtos da extração vegetal na região (erva-mate e pinhão) não são dependentes da polinização, resultando em valores nulos de contribuição.

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Já a contribuição da polinização nas culturas temporárias, no Centro-Oeste, permaneceu em torno de 15% ao longo da série histórica. Apenas produtos temporários aparecem na lista dos cinco principais produtos da região, cenário que não se repetiu nas outras quatro regiões. A soja e o algodão, apesar da dependência modesta de polinizadores, apresentam grande volume de produção, contribuindo significativamente para o valor total associado à polinização na região. Embora os produtos do extrativismo vegetal não estejam entre os de maior valor de produção, aqueles dependentes da polinização, como a castanha-do-pará e o pequi (ambos com dependência essencial), contribuem com mais de 95% do total produzido nesse modo de produção. Os níveis de dependência da polinização das culturas permanentes no Centro-Oeste, diferentemente do observado nas outras regiões, foram semelhantes aos das culturas temporárias.

Cada vez mais municípios dependem da polinização para produção agrícola e extrativista

A grande maioria dos municípios brasileiros se beneficia da polinização para a produção agrícola e extrativista, e esse número vem crescendo. De 1996 a 2023, houve aumento de quase 6 pontos percentuais na proporção de municípios com contribuição da polinização no valor da produção acima de 5%. O Nordeste, produtor de frutas com alta dependência de polinizadores, foi a região na qual esse movimento ficou mais evidente. Além disso, a pesquisa mostrou que até mesmo culturas de menor expressão no cenário nacional podem ter relevância estratégica para a economia de determinados municípios.

No decorrer do período analisado, houve municípios nos quais a dependência da polinização permaneceu alta, outros em que a polinização se tornou mais importante ao longo do tempo, e ainda aqueles onde a importância dela diminuiu.

“Vale ressaltar que as espécies que atuam como polinizadoras não são responsáveis somente por esse serviço. Elas são importantes para a reprodução não só das plantas cultivadas, mas também das plantas silvestres, sendo fundamentais para a manutenção dos ecossistemas como um todo, de onde obtemos outros benefícios como a purificação o ar, da água, entre outras coisas”, observa Leonardo.

Mais da metade dos produtos agrícolas do país dependem de polinização animal

De acordo com o estudo, 52,2% dos 67 produtos investigados na PAM dependiam em algum grau, de polinização animal. Entre os cultivos temporários, essa taxa foi de 31,3% e, entre os permanentes, que em sua maioria são frutas, chegou a 71,4%.

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O período analisado, de 1975 a 2023, registrou uma alta substancial na produção agrícola brasileira, impulsionada, principalmente, pelo crescimento dos cultivos temporários, que cresceram tanto em área quanto em quantidade. Entre os permanentes, embora a área ocupada não tenha variado muito, houve aumento na quantidade produzida.

Com expansão da soja, classe Modesta ultrapassa metade da área colhida total

Em 2023, mais da metade da área colhida era ocupada por produtos da classe de dependência Modesta. Esta classe teve o maior aumento na série da pesquisa, saindo de 39% em 1975 para 43,4% em 2000 até atingir 53,5% em 2023. Os cultivos Sem Dependência também apresentaram um aumento substancial na área, porém, em termos percentuais, sua ocupação diminuiu de 53,4% em 1975 para 43,8% em 2023.

Esse padrão está relacionado, principalmente, à expansão dos produtos das culturas temporárias, que ocupam a maior parte da área cultivada, especialmente a soja. Embora a classe Sem Dependência represente 68,8% dos produtos das lavouras temporárias, no ano de 2023, cerca de 54,2% da área colhida foi ocupada por produtos de dependência Modesta e 45,5%, Sem Dependência. Em 1975, essas classes representavam, respectivamente, 32,3% e 65,8%.

Entre os cinco produtos de culturas temporárias com maior ocupação de área, dois pertencem à classe de dependência Modesta (soja e feijão) e três pertencem à classe Sem Dependência (milho, cana e trigo).

Já entre as permanentes, em 2023, a classe de dependência Modesta ocupou 41,2% da área colhida, embora corresponda a apenas 19,4% dos produtos, tendo café arábica, laranja e coco-da-baía como os produtos mais expressivos. Houve queda em relação a 1975, quando essa classe ocupava 76,5% da área de cultivo das lavouras permanentes. Os produtos da classe de dependência Essencial representavam 8,7% das lavouras permanentes em 1975 e passaram a ocupar 20,5% da área em 2023, destacando-se o cacau e o caju com as maiores áreas de cultivo.

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Comparando a distribuição da área de cultivo, em 2023, dos produtos agrícolas temporários e permanentes, nota-se que, entre os permanentes, há menor concentração em poucos produtos e uma maior diversidade nas taxas de dependência.

Produtos que dependem da polinização representam 17,6% da quantidade produzida pela agricultura brasileira

Em 2023, os produtos Sem dependência eram responsáveis por 82,4% da quantidade produzida total no país. Já os cultivos de dependência Modesta representavam 15,9% da quantidade produzida, enquanto as classes Pouca Essencial e Alta somavam 1,6%. Em relação a 1975, houve queda na proporção dos Sem dependência, que representavam 85,4%, e aumento na classe Modesta (12,6%).

“As taxas médias de dependência no Brasil são, em grande parte, influenciadas pelos cultivos temporários, uma vez que estes dominam tanto em área quanto em volume de produção”, destaca o gerente.

Dentre os cultivos temporários, aqueles que não dependem de polinizadores são responsáveis pela maior parte da quantidade produzida (85%). Os produtos da classe Modesta representam 14,8%.

Entre os cultivos permanentes observa-se maior distribuição de tipos de classes de dependência, sendo a classe de dependência Modesta (44,7%) predominante, tal como observado na área colhida. As classes de Alta (20,1%) e Sem dependência (18,5%) são bem representativas, em especial no período mais recente.

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Mais de 40% da quantidade coletada no extrativismo tem dependência alta ou essencial

Para os produtos do extrativismo, investigados na Produção de Extração Vegetal e Silvicultura (PEVS) do IBGE, a análise das classes de dependência da polinização mostra que 39,3% se beneficiam da polinização animal, valor superior ao encontrado entre cultivos temporários identificados pela Pesquisa Agrícola Municipal (31,8%), mas inferiores aos dos produtos de cultivos permanentes (71,4%). O restante dos produtos do extrativismo apresenta ausência de dependência de polinização (53,6%) ou ainda tem taxa de dependência desconhecida (7,1%).

Durante o período de análise dos dados da PEVS, entre os anos de 1981 e 2023, foi observada uma grande variação na quantidade produzida dos produtos, caracterizada por um crescimento expressivo em meados da década de 1980, seguido de um declínio nas décadas seguintes, com uma retomada a partir do ano de 2011.

A quantidade total oriunda do extrativismo vegetal se distribui de maneira equilibrada entre as classes de dependência de polinizadores e com uma considerável queda entre os produtos com dependência Modesta, que passaram de 34,1% em 1981 para 3,1% em 2023, e incremento da Alta (de 8,8% para 28,4%) ao longo do período analisado. Há predomínio de produtos Sem Dependência (55,6%), mas as demais classes são bem representadas, em especial as de maior dependência, Essencial (12,9%) e Alta (28,4%), nos últimos anos, que somadas atingem 41,2% da quantidade total. A classe de Pouca dependência não foi observada.

Analisando os produtos do extrativismo vegetal com maior quantidade coletada durante todo o período, observa-se uma presença importante de produtos dependentes de polinizadores (classes Modesta, Alta ou Essencial), como o açaí e o babaçu. A erva-mate, classificada como Sem Dependência, tem sido o produto mais coletado em termos de quantidade relativa desde o início da década de 1990, apresentando tendência de crescimento durante todo o período.

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Colaborou:  Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agricultura

Seguro paramétrico no agro não pode ser tratado como solução imediata para problema estrutural, alerta especialista

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Imagem Ilustrativa

A ampliação do debate sobre seguro paramétrico, crédito rural e políticas públicas colocou a gestão de risco agropecuário no centro da agenda institucional do setor no Brasil. A avaliação é de Daniel Miquelluti, especialista em seguro paramétrico e cofundador da Picsel, ao analisar os rumos da discussão no país.

Segundo o especialista, o avanço é positivo, pois o sistema brasileiro de proteção ao produtor rural precisa evoluir diante da maior volatilidade climática e da crescente exposição a eventos extremos. No entanto, ele alerta para um risco recorrente: transformar uma ferramenta técnica em uma solução excessivamente ampla para problemas estruturais do agronegócio.

Seguro paramétrico avança, mas não substitui modelos tradicionais

O seguro paramétrico é baseado em índices previamente definidos — como volume de chuva, temperatura e níveis de estiagem — e permite pagamentos mais rápidos quando comparado aos modelos tradicionais, reduzindo a necessidade de perícias detalhadas.

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Na avaliação de Miquelluti, essa característica torna o instrumento relevante em um cenário de aumento de custos de produção, restrição de crédito e maior frequência de eventos climáticos extremos.

Apesar disso, o especialista destaca que o debate perde consistência quando a proposta deixa de ser complementar e passa a ser vista como substituta dos modelos convencionais de seguro rural.

Risco agropecuário brasileiro é sistêmico e altamente correlacionado

O risco no agro brasileiro, segundo a análise, não pode ser tratado como individual ou isolado. Eventos como secas no Centro-Oeste, geadas no Sul ou excesso de chuvas em regiões produtivas atingem simultaneamente grandes áreas e diversas cadeias produtivas.

Esse comportamento caracteriza um risco sistêmico, que impacta carteiras de crédito, seguradoras, resseguradoras e a própria capacidade de pagamento do produtor rural.

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Nesse contexto, modelos simplificados de expansão do seguro paramétrico exigem cautela, especialmente quando vinculados a políticas públicas de crédito rural.

Um estudo técnico do Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas alerta que a eventual adoção obrigatória de seguro paramétrico atrelado ao crédito subsidiado poderia provocar mudanças estruturais relevantes no sistema, com impactos fiscais, regulatórios, jurídicos e operacionais, além da necessidade de transição gradual e planejamento de longo prazo.

Risco de base pode comprometer confiança do produtor

Um dos principais desafios do modelo paramétrico é o chamado risco de base (basis risk), que ocorre quando o índice acionado não corresponde exatamente à perda real do produtor.

Isso pode gerar duas situações críticas: pagamento sem prejuízo efetivo ou ausência de indenização mesmo diante de perdas significativas.

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Segundo especialistas, esse desalinhamento tende a comprometer a confiança dos produtores rurais, especialmente em um setor onde previsibilidade financeira é essencial para o planejamento da safra.

Limitações fiscais e pressão sobre o seguro rural no Brasil

Outro ponto de atenção está na sustentabilidade fiscal do sistema de seguro rural.

A Confederação Nacional das Seguradoras revisou suas projeções para 2026 e passou a estimar queda nominal de 3,9% no mercado de seguro rural, refletindo a redução de recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.

O início do ano já mostrou retração de 12,2% na arrecadação do segmento, evidenciando fragilidades na previsibilidade orçamentária do setor.

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Para analistas, a expansão de modelos paramétricos sem garantia de funding e governança adequada pode aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema.

Política pública avança para modelos mais técnicos e baseados em dados

Apesar das críticas, o debate não é de rejeição à inovação, mas de aprimoramento da estrutura de gestão de risco no campo.

O avanço do Zoneamento Agrícola de Risco Climático representa uma mudança relevante na forma como políticas públicas são desenhadas, com maior uso de dados técnicos, critérios objetivos e integração entre manejo agrícola e risco climático.

O Ministério da Agricultura e Pecuária tem ampliado o programa, com expansão territorial e incentivos diferenciados para produtores que adotam melhores práticas de manejo do solo.

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Seguro paramétrico deve ser complementar, não substituto

Na avaliação do especialista, o seguro paramétrico tende a ganhar espaço no Brasil, especialmente pela integração com crédito rural, resseguro e dados climáticos.

No entanto, seu uso deve ocorrer dentro de uma arquitetura mais ampla de proteção ao produtor, e não como solução isolada.

A combinação entre instrumentos tradicionais, inovação tecnológica e políticas públicas estruturadas é vista como o caminho mais consistente para fortalecer a gestão de risco no agro brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agricultura

Irrigação ganha papel estratégico para reduzir impactos do El Niño na safra brasileira de grãos 2026/27

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A possível atuação do fenômeno El Niño nos próximos meses acende um sinal de alerta para os produtores rurais que se preparam para a safra brasileira de grãos 2026/27. Diante da expectativa de maior irregularidade nas chuvas, especialmente durante o período de plantio, especialistas apontam a irrigação como uma das principais ferramentas para reduzir riscos climáticos e aumentar a previsibilidade da produção agrícola.

O cenário reforça a necessidade de investimentos em tecnologia, planejamento e infraestrutura no campo, permitindo que os agricultores enfrentem com mais segurança os desafios impostos pelas mudanças climáticas e pelos eventos meteorológicos extremos.

El Niño pode afetar o início do plantio de grãos

Historicamente, o fenômeno El Niño provoca alterações nos padrões climáticos em diversas regiões do Brasil. Dependendo da localização, os efeitos podem incluir estiagens prolongadas, atrasos no início das chuvas, aumento das temperaturas ou até excesso de precipitações.

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Para a agricultura de grãos, um dos períodos mais sensíveis é justamente o início do ciclo produtivo. A falta de umidade adequada no solo pode comprometer a germinação das sementes, atrasar o calendário de plantio e reduzir o potencial produtivo das lavouras.

Nesse contexto, a irrigação surge como uma alternativa capaz de minimizar os impactos da instabilidade climática, assegurando condições adequadas para o desenvolvimento inicial das culturas.

Irrigação oferece mais controle e previsibilidade ao produtor

Segundo o CEO da BrasilAgro, André Guillaumon, o enfrentamento dos desafios climáticos exige uma abordagem cada vez mais estratégica por parte dos produtores.

De acordo com o executivo, não basta apenas reagir aos eventos climáticos à medida que eles acontecem. O planejamento antecipado, aliado ao uso de tecnologias e sistemas eficientes de irrigação, torna-se fundamental para garantir estabilidade operacional e reduzir riscos produtivos.

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A irrigação permite manter níveis adequados de umidade no solo em momentos críticos do ciclo agrícola, reduzindo falhas de germinação e proporcionando maior controle sobre o cronograma de cultivo.

Tecnologia reduz consumo de água e aumenta eficiência

Além de proteger a produtividade, os avanços tecnológicos vêm tornando a irrigação mais eficiente e sustentável.

Dados divulgados pela BrasilAgro em seu Relatório de Sustentabilidade mostram que a companhia reduziu em 30% o consumo de água e energia em áreas irrigadas durante a safra 2024/25.

O resultado foi alcançado por meio da adoção de sistemas inteligentes baseados em dados, automação de processos e monitoramento em tempo real das operações agrícolas, integrados ao Centro de Operações Agrícolas (COA) da empresa.

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A utilização dessas ferramentas permite maior precisão na aplicação de água, evitando desperdícios e contribuindo para a eficiência operacional das propriedades rurais.

Manejo conservacionista fortalece adaptação às mudanças climáticas

Especialistas destacam que a irrigação, quando associada a práticas de manejo conservacionista, pode representar uma importante estratégia de adaptação às condições climáticas cada vez mais imprevisíveis.

A combinação de tecnologias de monitoramento, gestão eficiente dos recursos hídricos e boas práticas agrícolas favorece não apenas a manutenção da produtividade, mas também a sustentabilidade das operações rurais.

Além disso, o uso planejado da irrigação contribui para um melhor aproveitamento da área plantada, reduz riscos operacionais e amplia a capacidade de tomada de decisão dos produtores em anos marcados por eventos climáticos extremos.

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Safra 2026/27 exigirá planejamento mais rigoroso

Com a possibilidade de formação do El Niño e o aumento da volatilidade climática observado nos últimos anos, a safra brasileira de grãos 2026/27 deverá exigir atenção redobrada dos produtores.

A adoção de tecnologias voltadas para a gestão hídrica e o monitoramento das condições climáticas tende a ganhar ainda mais importância no planejamento agrícola.

Em um cenário de incertezas, a irrigação deixa de ser apenas uma ferramenta complementar e passa a ocupar posição estratégica para garantir produtividade, eficiência e competitividade ao agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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Agricultura

Ácaro-rajado no mamão: praga pode reduzir produtividade e exige manejo integrado no pomar

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A presença do ácaro-rajado (Tetranychus urticae) tem se consolidado como um dos principais desafios fitossanitários na cultura do mamoeiro. A praga compromete o desenvolvimento das plantas, reduz a produtividade e pode gerar perdas significativas na qualidade dos frutos, especialmente em períodos de clima quente e seco.

Os danos começam com manchas amareladas nas folhas, evoluindo para necrose, desfolha intensa e redução do tamanho dos frutos. O resultado é queda direta na produtividade e na padronização comercial do mamão.

Segundo especialistas, o ácaro pode ocorrer durante todo o ano, com maior pressão em condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento. O inseto se instala inicialmente na face inferior das folhas, próximo às nervuras, e rapidamente se espalha pela planta quando não controlado.

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Manejo do ácaro-rajado no mamão exige atenção constante do produtor

De acordo com orientações técnicas compartilhadas por Alexandre Hanazaki, gerente de desenvolvimento de produtos da East-West Seed, o controle eficiente do ácaro-rajado depende de um conjunto de práticas preventivas e monitoramento frequente da lavoura.

1. Eliminação de plantas daninhas

O primeiro passo no manejo é a eliminação de plantas daninhas, que podem servir de hospedeiras para o ácaro-rajado.

A manutenção da área limpa reduz a pressão da praga e diminui a chance de reinfestação no pomar de mamão.

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2. Monitoramento constante das folhas

O acompanhamento frequente da lavoura é fundamental para identificar precocemente a presença do ácaro.

A recomendação é observar principalmente a face inferior das folhas, onde a praga se concentra inicialmente. Ao identificar a infestação, o controle deve ser iniciado de forma imediata e em área total.

3. Escolha de materiais mais tolerantes

O uso de variedades mais tolerantes também é uma estratégia importante no manejo integrado.

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A cultivar Sabrosa, da East-West Seed, é citada como alternativa com maior tolerância ao ácaro-rajado. Segundo a empresa, o material apresenta maior massa foliar e folhas mais espessas, o que dificulta o ataque da praga.

4. Uso correto de defensivos e equilíbrio nutricional

O controle químico deve ser realizado com produtos registrados para a cultura do mamão, priorizando estratégias adequadas de manejo.

Produtos como enxofre e calda sulfocálcica podem atuar como repelentes, além da possibilidade de adoção de controle biológico.

Por outro lado, o uso de piretróides e organofosforados deve ser evitado, pois pode afetar inimigos naturais e favorecer o desequilíbrio populacional do ácaro-rajado.

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Outro ponto de atenção é a nutrição da planta: o excesso de nitrogênio pode favorecer o desenvolvimento da praga, exigindo manejo equilibrado.

Variedade Sabrosa se destaca por produtividade e qualidade de frutos

Além da tolerância ao ácaro-rajado, o mamão Sabrosa apresenta outras características agronômicas relevantes, segundo a empresa.

Entre os principais destaques estão o maior vigor vegetativo, melhor enfolhamento e tolerância a doenças foliares como pinta-preta e mancha-de-corynespora.

Outro diferencial é o porte baixo das plantas, que facilita a colheita manual por mais tempo, reduzindo custos operacionais em comparação a variedades mais altas, que exigem estruturas auxiliares para colheita.

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Padronização e precocidade aumentam eficiência comercial

A cultivar também se destaca pela alta padronização dos frutos, reduzindo perdas por variação de tamanho e facilitando a comercialização em caixas, modelo predominante no mercado.

Segundo Hanazaki, essa uniformidade melhora a eficiência logística e a aceitação comercial do produto.

A precocidade é outro ponto forte: as plantas iniciam a floração cerca de 30 dias após o transplantio, com início da colheita em aproximadamente seis meses.

Além disso, os frutos apresentam boa qualidade sensorial, com polpa de coloração atrativa e sabor valorizado pelo mercado consumidor.

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Manejo integrado é decisivo para proteger a safra de mamão

O controle do ácaro-rajado exige estratégia integrada, combinando monitoramento, manejo cultural, uso correto de defensivos e escolha de materiais mais tolerantes.

Em um cenário de alta exigência de qualidade e produtividade, a adoção dessas práticas é fundamental para reduzir perdas e garantir maior rentabilidade ao produtor de mamão.

Fonte: Portal do Agronegócio

Colaborou: Astrogildo Nunes – [email protected]

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